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	<title>Uma Malla Pelo Mundo</title>
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	<description>Os mergulhos da Lucia Malla</description>
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	<title>Uma Malla Pelo Mundo</title>
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		<title>Maioridade: 18 Anos de Uma Malla pelo Mundo</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Lucia Malla]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 09 Oct 2022 10:01:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Blog]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Maioridade: 18 Anos do blog Uma Malla pelo Mundo.</p>
<p>O post <a href="https://luciamalla.com/18-anos-uma-malla-pelo-mundo.html">Maioridade: 18 Anos de Uma Malla pelo Mundo</a> apareceu primeiro em <a href="https://luciamalla.com">Uma Malla Pelo Mundo</a>.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Eis então que este blog acorda de um longo período de &#8220;rebeldia&#8221; silenciosa para celebrar um marco internético: maioridade blogueira. <strong>18 anos de Uma Malla pelo mundo</strong>, mallificando a internet brasileira. </p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="600" height="800" src="https://luciamalla.com/wp-content/uploads/2022/10/2022-out-9-18AnosMalla-1-600x800.jpg" alt="18 Anos de Uma Malla pelo Mundo. Tintim!" class="wp-image-47670" srcset="https://luciamalla.com/wp-content/uploads/2022/10/2022-out-9-18AnosMalla-1-600x800.jpg 600w, https://luciamalla.com/wp-content/uploads/2022/10/2022-out-9-18AnosMalla-1-300x400.jpg 300w, https://luciamalla.com/wp-content/uploads/2022/10/2022-out-9-18AnosMalla-1-98x130.jpg 98w, https://luciamalla.com/wp-content/uploads/2022/10/2022-out-9-18AnosMalla-1-768x1024.jpg 768w, https://luciamalla.com/wp-content/uploads/2022/10/2022-out-9-18AnosMalla-1.jpg 1000w" sizes="(max-width: 600px) 100vw, 600px" /><figcaption><em>Tin-tim! 18 anos de Mallices.</em></figcaption></figure>



<p>A chegada aos 18 anos do blog vem como a maioridade da vida da gente, depois de um período intenso de questionamentos e desobediência aborrescente &#8211; desobedeci as &#8220;regras do jogo&#8221; de manter este espaço ativo. Nestes quase 2 anos sem nenhuma postagem por aqui, também me rebelei contra as redes sociais, e praticamente só perambulo hoje pelo <a href="https://twitter.com/luciamalla" target="_blank" rel="noreferrer noopener">twitter</a>. Do resto, dei <em>log out</em> e saí pra vida <em>offline</em>.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Questões dos 18 anos</h2>



<p>Os questionamentos são muitos, brotados aos 16 anos de blog e agora mais solidificados com a chegada da maioridade. O primeiro de todos é o mais óbvio: <strong>pra quê mais conteúdo? </strong>Vivemos um paradoxal momento de excesso de conteúdo raso e escassez de conteúdo reflexivo, profundo. Acha-se que dá pra entender uma conjuntura geopolítica complexa (ou insira aqui qualquer tema relevante) depois de ler um ou dois fios de twitter. <em>Spoiler</em>: você não vai entender, apenas começar a se familiarizar. Muitas vezes essa superficialidade é necessária; afinal, (felizmente!), não dá pra sabermos profundamente tudo na vida. Nossos neurônios entrariam em curto-circuito com tanta informação. Mas muitas vezes também, a superficialidade é sintoma de um imediatismo opinioneiro preocupante, que logo mais é substituído pela próxima treta ou tema.</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" width="600" height="800" src="https://luciamalla.com/wp-content/uploads/2022/10/2022-out-9-18AnosMalla-2-600x800.jpg" alt="Templo da Literatura - Maastritch" class="wp-image-47671" srcset="https://luciamalla.com/wp-content/uploads/2022/10/2022-out-9-18AnosMalla-2-600x800.jpg 600w, https://luciamalla.com/wp-content/uploads/2022/10/2022-out-9-18AnosMalla-2-300x400.jpg 300w, https://luciamalla.com/wp-content/uploads/2022/10/2022-out-9-18AnosMalla-2-98x130.jpg 98w, https://luciamalla.com/wp-content/uploads/2022/10/2022-out-9-18AnosMalla-2-768x1024.jpg 768w, https://luciamalla.com/wp-content/uploads/2022/10/2022-out-9-18AnosMalla-2.jpg 1000w" sizes="(max-width: 600px) 100vw, 600px" /><figcaption><em>Templo do Conteúdo: já pensou se as igrejas do mundo se convertessem em livrarias? </em></figcaption></figure>



<p>E me peguei pensando nestes <a href="https://luciamalla.com/memoria-da-escravidao.html" target="_blank" rel="noreferrer noopener">2 anos de silêncio</a> que não mais gostaria de contribuir de forma tão proativa pra essa cacofonia de conteúdo. Quero sim, continuar a escrever. Mas nos meus termos. Quando escrevo, organizo meus pensamentos e detalho minha vivência, e esta é a função primária deste blog. Pra me ajudar a refletir sobre temas da vida viajante que levo &#8211; viagens reais, virtuais e na maionese, como foi estabelecido desde 2004, quando comecei naquela noite fria de outono em Seul. Com o novo componente: se posso trazer ou perceber uma perspectiva nova, diferente, vale a pena colocar no papel virtual. Caso contrário, o silêncio prevalece.</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" width="600" height="400" src="https://luciamalla.com/wp-content/uploads/2022/10/2022-out-9-18AnosMalla-6-600x400.jpg" alt="Twittando no Denali." class="wp-image-47675" srcset="https://luciamalla.com/wp-content/uploads/2022/10/2022-out-9-18AnosMalla-6-600x400.jpg 600w, https://luciamalla.com/wp-content/uploads/2022/10/2022-out-9-18AnosMalla-6-300x200.jpg 300w, https://luciamalla.com/wp-content/uploads/2022/10/2022-out-9-18AnosMalla-6-130x87.jpg 130w, https://luciamalla.com/wp-content/uploads/2022/10/2022-out-9-18AnosMalla-6-768x512.jpg 768w, https://luciamalla.com/wp-content/uploads/2022/10/2022-out-9-18AnosMalla-6.jpg 1000w" sizes="(max-width: 600px) 100vw, 600px" /><figcaption><em>Twittando no Denali.</em></figcaption></figure>



<p>Mas aí vem o segundo questionamento que os 18 anos me trouxe: <strong>pra quê mais conteúdo da vida de uma pessoa?</strong> Sinto um excesso de &#8220;pessoalidades&#8221; pela rede. É bacana que a internet permite que cada um se expresse à sua maneira, que haja esta oportunidade a quem queira. Mas daí pra se transformar &#8211; de novo &#8211; numa cacofonia de conteúdo irrelevante que só cansa o cérebro é um pulo pequeno. (E estamos todos cansados desse excesso.) Será que as pessoas precisam mesmo saber que fui ali tomar um sorvete no shopping? Ou com isto estou apenas contribuindo pro super-barulhento ruído de fundo? </p>



<h2 class="wp-block-heading">O que é relevante?</h2>



<figure class="wp-block-image size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="600" height="400" src="https://luciamalla.com/wp-content/uploads/2022/10/2022-out-9-18AnosMalla-5-600x400.jpg" alt="Urso e salmão" class="wp-image-47674" srcset="https://luciamalla.com/wp-content/uploads/2022/10/2022-out-9-18AnosMalla-5-600x400.jpg 600w, https://luciamalla.com/wp-content/uploads/2022/10/2022-out-9-18AnosMalla-5-300x200.jpg 300w, https://luciamalla.com/wp-content/uploads/2022/10/2022-out-9-18AnosMalla-5-130x87.jpg 130w, https://luciamalla.com/wp-content/uploads/2022/10/2022-out-9-18AnosMalla-5-768x512.jpg 768w, https://luciamalla.com/wp-content/uploads/2022/10/2022-out-9-18AnosMalla-5.jpg 1000w" sizes="auto, (max-width: 600px) 100vw, 600px" /><figcaption><em>Pra ele, salmão é relevante.</em></figcaption></figure>



<p>Mas dela vem outro questionamento: <strong>o que é relevante?</strong> Afinal, algo que seja relevante pra mim pode não ser pra você. E vice-versa. Pode ser que alguém queira uma dica de sorvete no shopping. Como escolher? Acredito que as palavras-chave sejam: auto-crírica e parcimônia. Mas, sobre esta questão, confesso que ainda não cheguei a uma conclusão pessoal. Porque vejo muita coisa irrelevante pra mim que parece interessar a maioria &#8211; e vice-versa, de novo. Então, enquanto reflito mais um pouco, ajo de forma conservadora: evito aumentar o ruído. Permaneço na irrelevância. E a página do post novo do blog continua em branco.</p>



<p>Hoje vejo também um valor histórico muito grande neste blog. Diversas vezes nos últimos 2 anos voltei a ele para relembrar um detalhe que tinha escrito mas que meu cérebro já tinha encaixotado e lacrado num sótão escuro. Então há um serviço de registro de 18 anos de detalhes que faz a diferença para minha memória pessoal. E talvez alguns destes detalhes também ajudem a alguém que por aqui passe, a resolver sua viagem, dar uma risada gostosa, ou refletir sobre alguma questão climática ou tubaronística. Se for para continuar com essa faceta dos registros, ainda vale a pena sentar num sábado à tarde de chuva e escrever. Registrar detalhes sob o meu olhar, caso este traga algo interessante pra contar. </p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="600" height="450" src="https://luciamalla.com/wp-content/uploads/2022/10/2022-out-9-18AnosMalla-4-600x450.jpg" alt="Tudo é registro histórico - 18 anos de blog." class="wp-image-47673" srcset="https://luciamalla.com/wp-content/uploads/2022/10/2022-out-9-18AnosMalla-4-600x450.jpg 600w, https://luciamalla.com/wp-content/uploads/2022/10/2022-out-9-18AnosMalla-4-300x225.jpg 300w, https://luciamalla.com/wp-content/uploads/2022/10/2022-out-9-18AnosMalla-4-130x98.jpg 130w, https://luciamalla.com/wp-content/uploads/2022/10/2022-out-9-18AnosMalla-4-768x576.jpg 768w, https://luciamalla.com/wp-content/uploads/2022/10/2022-out-9-18AnosMalla-4.jpg 1000w" sizes="auto, (max-width: 600px) 100vw, 600px" /><figcaption><em>Tudo é registro histórico.</em></figcaption></figure>



<p>Por fim, como na vida da gente, a gente acorda um dia com 18 anos de blog e pensa: &#8220;<em>Virei adulta, e agora? O que vou fazer?</em>&#8221; O peso da responsabilidade de escrever sobre as minhas viagens, que já era grande, parece que aumentou mais ainda. Mas a gente, que já passou pelos 18 anos na vida <em>offline</em>, sabe que a maioridade é apenas mais um começo. Os primeiros passos de uma nova caminhada, de novas experiências e aventuras. Só que agora evitando a cacofonia. Com mais maturidade e discernimento pra avaliar o conteúdo a se compartilhar: o que se deve falar e o que se prefere calar. </p>



<p>Que comece então essa nova jornada da maioridade blogueira. </p>



<p>Tudo de bom sempre. Há 18 anos! E sem medo de ser feliz. 🙂 </p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="600" height="800" src="https://luciamalla.com/wp-content/uploads/2022/10/2022-out-9-18AnosMalla-3-600x800.jpg" alt="Maioridade - 18 anos de blog" class="wp-image-47672" srcset="https://luciamalla.com/wp-content/uploads/2022/10/2022-out-9-18AnosMalla-3-600x800.jpg 600w, https://luciamalla.com/wp-content/uploads/2022/10/2022-out-9-18AnosMalla-3-300x400.jpg 300w, https://luciamalla.com/wp-content/uploads/2022/10/2022-out-9-18AnosMalla-3-98x130.jpg 98w, https://luciamalla.com/wp-content/uploads/2022/10/2022-out-9-18AnosMalla-3-768x1024.jpg 768w, https://luciamalla.com/wp-content/uploads/2022/10/2022-out-9-18AnosMalla-3.jpg 1000w" sizes="auto, (max-width: 600px) 100vw, 600px" /><figcaption><em>Maioridade e (espera-se) maturidade: 18 anos de Mallices na blogoseira brasileira.</em> </figcaption></figure>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-p-s">P.S.</h2>



<ul class="wp-block-list"><li><em>Desde que me dei uma pausa de blog e rede social, vi e vivi momentos incríveis &#8211; algumas fotos destas andarilhações mallísticas tardias estão distribuídas aleatoriamente neste post. Um dia, talvez elas estarão registradas neste endereço virtual também. Por enquanto, adivinhem as locações&#8230; </em></li><li><em><a href="https://luciamalla.com/historia-do-blog" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Todos os posts de aniversários do blog.</a> </em></li><li><em>2022 está sendo o ano de ler &#8211; e reler &#8211; George Orwell. Tem sido um outro tipo de jornada, pra lá de interessante. Alguém aí interessado nessa viagem também?</em></li></ul>
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		<title>Viagem pela memória da escravidão</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Lucia Malla]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 03 Jan 2021 20:33:52 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[África]]></category>
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		<category><![CDATA[Livros]]></category>
		<category><![CDATA[escravidão]]></category>
		<category><![CDATA[Slavery in the Age of Memory]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Começo 2021 no blog resenhando um dos livros que mais me marcou em 2020, &#8220;Slavery in the Age of Memory&#8220;. O livro sobre a memória da escravidão foi escrito pela historiadora Ana Lucia Araújo, professora da Universidade de Howard em Washington, uma das mais tradicionais dos EUA (e onde a atual Vice-Presidente eleita Kamala Harris [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Começo 2021 no blog resenhando um dos livros que mais me marcou em 2020, &#8220;<em><strong>Slavery in the Age of Memory</strong></em>&#8220;. O livro sobre a memória da escravidão foi escrito pela historiadora <a href="https://analuciaaraujo.org">Ana Lucia Araújo</a>, professora da Universidade de Howard em Washington, uma das mais tradicionais dos EUA (e onde a atual Vice-Presidente eleita Kamala Harris graduou). </p>



<figure class="wp-block-image size-full is-style-default"><img loading="lazy" decoding="async" width="600" height="900" src="https://luciamalla.com/wp-content/uploads/2021/01/2021-jan-3-MemoriaEscravidao3.jpg" alt="&quot;Slavery in the Age of Memory&quot; - de Ana Lucia Araújo - Memória da Escravidão" class="wp-image-47192" srcset="https://luciamalla.com/wp-content/uploads/2021/01/2021-jan-3-MemoriaEscravidao3.jpg 600w, https://luciamalla.com/wp-content/uploads/2021/01/2021-jan-3-MemoriaEscravidao3-300x450.jpg 300w, https://luciamalla.com/wp-content/uploads/2021/01/2021-jan-3-MemoriaEscravidao3-87x130.jpg 87w" sizes="auto, (max-width: 600px) 100vw, 600px" /><figcaption><em>&#8220;Slavery in the Age of Memory&#8221;</em></figcaption></figure>



<p>Decidi lê-lo para aprender um pouco sobre a memória da escravidão, depois de tantas notícias sobre os monumentos supremacistas que tombavam, bandeiras que estão sendo mudadas ou retiradas pelo mundo, e outros eventos repercutidos após a primavera do <em>Black Lives Matter</em>. Foi uma escolha sensacional, que recomendo veementemente. </p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-a-leitura-de-slavery-in-the-age-of-memory">A leitura de &#8220;<em>Slavery in the Age of Memory</em>&#8220;</h2>



<p><em>&#8220;Slavery in the Age of Memory&#8221;</em>, aliás, me arrebatou. Foi daqueles livros que depois que você termina, fica até meio estatelada, tentando digerir tanta informação incrível que aprendeu. Esperava algo academicista, e como pessoa de fora da área de História, estava até com receio de achá-lo &#8220;lento&#8221; ou difícil de entender para leigos. Pois me surpreendi exatamente com a facilidade de sua leitura. Há uma riqueza de informações, exemplos e pesquisa fenomenal a cada página do livro. Entretanto, esta riqueza em momento algum é contada de maneira cansativa. Pelo contrário, o livro é envolvente, acadêmico na medida certa. </p>



<p>Afinal, a autora e historiadora Ana Lucia Araújo é uma <em>expert</em> em história do racismo e da escravidão nos EUA. (Conheci-a nos primórdios dos blogs, ainda em 2005, quando mantinha um blog cheio de perspicácia.) Sua pesquisa é primorosa sobre alguns dos principais monumentos e locais que hoje em dia mostram a memória da escravidão. De estátuas e monumentos, passando pelos <em>plantations</em> e &#8220;listas de nomes&#8221;. Tudo é detalhado com uma acuidade incrível em sua escrita. Principalmente, não é uma leitura condescendente, em que a autora precisa pensar pelo leitor. Como historiadora, ela aponta os fatos e seus enviesamentos. Você, leitor, faz seu &#8220;julgamento&#8221;. </p>



<p>Os detalhes e acontecimentos históricos discutidos a cada capítulo são fascinantes. Estão postos de maneira a levar a uma reflexão profunda sobre como a história dos negros, do tráfico de escravos e da escravidão em si, ainda hoje, é contada e memorializada pelo viés branco. E, principalmente, quais mecanismos temos para mudar este cenário.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-monticello-e-mount-vernon">Monticello e Mount Vernon</h2>



<p>Pelos capítulos de &#8220;<em>Slavery in the Age of Memory</em>&#8220;, Ana Lúcia usa exemplos de memoriais, museus, fazendas e afins que mostram a história da escravidão para discutir diferentes aspectos culturais desta memória.</p>



<figure class="wp-block-image size-full" id="mount-vernon"><img loading="lazy" decoding="async" width="1000" height="1000" src="https://luciamalla.com/wp-content/uploads/2021/01/2021-jan-3-MemoriaEscravidao2-1.jpg" alt="Mount Vernon - Casa de George Washington em Alexandria - Washington DC - EUA" class="wp-image-47198" srcset="https://luciamalla.com/wp-content/uploads/2021/01/2021-jan-3-MemoriaEscravidao2-1.jpg 1000w, https://luciamalla.com/wp-content/uploads/2021/01/2021-jan-3-MemoriaEscravidao2-1-300x300.jpg 300w, https://luciamalla.com/wp-content/uploads/2021/01/2021-jan-3-MemoriaEscravidao2-1-600x600.jpg 600w, https://luciamalla.com/wp-content/uploads/2021/01/2021-jan-3-MemoriaEscravidao2-1-130x130.jpg 130w, https://luciamalla.com/wp-content/uploads/2021/01/2021-jan-3-MemoriaEscravidao2-1-768x768.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 1000px) 100vw, 1000px" /><figcaption><em>Mount Vernon</em></figcaption></figure>



<p>Por exemplo, há um capítulo inteiro analisando às propriedades de <a href="https://www.monticello.org">Monticello</a> e <a href="https://www.mountvernon.org">Mount Vernon</a>. Estas fazendas pertenciam respectivamente aos ex-presidentes americanos Thomas Jefferson e George Wahsington. Ambos os presidentes tinham escravos, que viviam nestas propriedades. </p>



<p>História é factual. Sua interpretação, entretanto, é enviesada. E é isto, portanto, que acontece em ambas as propriedades. Visitei Mount Vernon em 2014, e me lembrei imediatamente da constatação que a autora faz. Mount Vernon é visitada em sua maioria por brancos interessados na história do país. Nela, o espaço dedicado à memória dos negros que ali viveram é ínfimo. Todo o foco da visita é na vida e costumes da família dos presidentes &#8211; de fato, não me lembro de ter visto menção à escravidão durante minha visita. Em face da importância histórica dos negros para o funcionamento destas propriedades e para estes costumes, o que ainda se faz nestas propriedades é apagar a memória da escravidão. Há esforços na direção contrária. Mas estes esforços ainda são poucos e precisam ser melhor incorporados pela administração destes pontos turísticos americanos.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-sobre-senzalas">Sobre senzalas</h2>



<p>O mesmo occore com as fazendas do sul dos EUA e no Brasil. Muitos pontos onde ocorreu escravidão hoje são abertos à visitação turística. Mas poucos se esforçam para memorializar historicamente a participação do negro de maneira não-vitimista. As senzalas que visitamos em Ouro Preto são outro exemplo. Nestes pontos históricos turísticos, a escravidão é mostrada sob uma postura vitimista, onde o negro parece nunca ter tido nenhum tipo de agência, nem mesmo na hora de escolher como contar sua própria história. A memória ativa do indivíduo negro é invisibilizada no passado e ignorada no presente.</p>



<p>Aliás, Ana Lucia argumenta que, mesmo em museus tipicamente de história negra ou que têm galerias inteiras dedicadas a esta história, ainda há muito da postura vitimista. Que é um viés branco da história. </p>



<p>E como fazer para que a memória da escravidão saia da senzala histórica?</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-voz-ativa">Voz ativa</h2>



<p>Parece óbvio, mas precisa ainda ser reiterado. A principal forma de mudar a perspectiva enviezada branca da memória da escravidão é perguntar à comunidade negra como eles gostariam que tal história fosse contada. Em &#8220;<em>Slavery in the Age of Memory</em>&#8220;, Ana Lucia oferece alguns exemplos positivos de pontos do planeta onde isto foi feito. Onde foi dada às comunidades negras o poder de decisão de como contar sua história. </p>



<p>É importante lembrar também que cada caso é um caso. Não há uma forma padronizada de apresentar a memória da escravidão, uma receita que funciona para todos os pontos do planeta onde a escravidão esteve entranhada na história. Cada um destes pontos de memória escravocrata tem suas peculiaridades. Por isso, a prioridade em se ouvir a comunidade local. É ela quem deve ter agência, ser a voz mais ativa na busca de soluções eficazes para contar sua própria história.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-os-lados-do-turismo-hist-rico">Os lados do turismo histórico</h2>



<p>Com tantos exemplos discutidos de maneira tão contundente, o livro &#8220;<em>Slavery in the Age of Memory</em>&#8221; me fez pensar e repensar muito no turismo histórico que fazemos. Muito além da escravidão, aliás. Porque toda a história interpretada é a narrativa de uma relação de poder. Quando esta história é contada, o quanto muitas vezes o viés escolhido não é claro. Embora o viés costuma sempre ser do vencedor nesta relação de poder. Com isso, a gente termina aceitando certas narrativas sem refletir muito.</p>



<p>Um exemplo de fora da escravidão que sempre me ocorre (por sua proximidade) é o ataque de Pearl Harbor. Quando visitamos o <a href="https://www.nps.gov/valr/index.htm">Parque Memorial de Pearl Harbor</a> aqui no Havaí, não há sequer uma menção de que a resposta americana a Pearl Harbor foram duas bombas atômicas cruéis no Japão. Os EUA se colocam em Pearl Harbor apenas como vítimas do ataque japonês. Consequentemente, se você vai em Hiroshima, o oposto acontece: o Japão se mostra vítima das bombas, mas não menciona o que levou a estas bombas, o ataque surpresa a Pearl Harbor. A sequência dos fatos históricos é clara, mas a interpretação e, principalmente, a memorialização da história&#8230; Outros quinhentos. </p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-viajar-com-outros-olhos">Viajar com outros olhos</h2>



<p>Portanto, é fundamental que percebamos, ao fazer qualquer turismo histórico, qual &#8220;história&#8221; está sendo contada. Que haja, enfim, reflexão sobre este contexto. (Parece óbvio, mas é comum que a gente se esqueça disto, e se deixe levar por um lado só da história. Precisamos estar alertas.)</p>



<div class="wp-block-image is-style-default"><figure class="alignleft size-medium"><img loading="lazy" decoding="async" width="300" height="450" src="https://luciamalla.com/wp-content/uploads/2021/01/2021-jan-3-MemoriaEscravidao-300x450.jpg" alt="Ana Lucia Araujo - autora de Slavery in the Age of Memory" class="wp-image-47191" srcset="https://luciamalla.com/wp-content/uploads/2021/01/2021-jan-3-MemoriaEscravidao-300x450.jpg 300w, https://luciamalla.com/wp-content/uploads/2021/01/2021-jan-3-MemoriaEscravidao-600x900.jpg 600w, https://luciamalla.com/wp-content/uploads/2021/01/2021-jan-3-MemoriaEscravidao-87x130.jpg 87w, https://luciamalla.com/wp-content/uploads/2021/01/2021-jan-3-MemoriaEscravidao.jpg 700w" sizes="auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px" /><figcaption><em>As Lucias.</em></figcaption></figure></div>



<p>Aliás, recomendo a leitura de &#8220;<em>Slavery in the Age of Memory</em>&#8221; em especial aos viajantes inveterados: para que encarem suas jornadas pelo mundo com olhos ainda mais abertos. </p>



<p>De uma maneira incrível, o livro &#8220;<em>Slavery in the Age of Memory</em>&#8221; me fez repensar toda essa arquitetura do turismo histórico. Me deu vontade de voltar em diversos pontos do planeta, onde a narrativa do vencedor se faz onipresente. E, principalmente, me deu vontade de ir ao oeste da África, e ver de perto o quão ativa a comunidade é ali, sua cultura e a forma como hoje lidam com a memória da escravidão, do outro lado do Atlântico. Foi um livro inspirador de viagens, afinal.</p>



<p>Obrigada, Ana Lucia, pela inspiração de viagem através da memória compartilhada.</p>



<p>Tudo de bom sempre.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-p-s">P.S.</h2>



<ul class="wp-block-list"><li><em>As demais resenhas de livros deste blog estão <a href="https://luciamalla.com/livros">nesta página</a></em>.</li></ul>
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		<title>Por que nós dormimos</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Lucia Malla]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 02 Nov 2020 19:15:54 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Biomédicas]]></category>
		<category><![CDATA[Ciência]]></category>
		<category><![CDATA[Livros]]></category>
		<category><![CDATA[dormir]]></category>
		<category><![CDATA[livros]]></category>
		<category><![CDATA[Matthew Walker]]></category>
		<category><![CDATA[sono]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Quando pensamos em receitas para uma boa saúde e longevidade, geralmente incluímos boa dieta e prática de exercícios. Mas eis que Matthew Walker, pesquisador da Universidade da Califórnia, argumenta muito bem que esta duplinha deveria ser, na verdade, um trio: dieta, exercícios e sono. (Sempre esquecemos da importância do sono, não é mesmo?) Pois Matthew [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Quando pensamos em receitas para uma boa saúde e longevidade, geralmente incluímos boa dieta e prática de exercícios. Mas eis que Matthew Walker, pesquisador da Universidade da Califórnia, argumenta muito bem que esta duplinha deveria ser, na verdade, um trio: dieta, exercícios e sono. (Sempre esquecemos da importância do sono, não é mesmo?) Pois Matthew Walker argumenta de maneira clara e objetiva pelas  páginas de seu livro &#8220;<em><strong>Why We Sleep&#8221;</strong></em> (&#8220;Por que nós dormimos&#8221; em português) por que nós dormimos e por que precisamos dormir bem. É, afinal, um livro inteiro sobre sono &#8211; e sonhos.</p>



<figure class="wp-block-image size-full is-style-default"><img loading="lazy" decoding="async" width="790" height="1206" src="https://luciamalla.com/wp-content/uploads/2020/11/2020-nov-1-PorQueNosDormimos.jpg" alt="Why we sleep - de Mathew Walker - Por que nós dormimos" class="wp-image-45665" srcset="https://luciamalla.com/wp-content/uploads/2020/11/2020-nov-1-PorQueNosDormimos.jpg 790w, https://luciamalla.com/wp-content/uploads/2020/11/2020-nov-1-PorQueNosDormimos-300x458.jpg 300w, https://luciamalla.com/wp-content/uploads/2020/11/2020-nov-1-PorQueNosDormimos-600x916.jpg 600w, https://luciamalla.com/wp-content/uploads/2020/11/2020-nov-1-PorQueNosDormimos-85x130.jpg 85w, https://luciamalla.com/wp-content/uploads/2020/11/2020-nov-1-PorQueNosDormimos-768x1172.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 790px) 100vw, 790px" /></figure>



<p>(Li o livro na versão em inglês, portanto citações serão no original com minha tradução.)</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-miss-o-dormir">Missão: dormir</h2>



<p>Logo na introdução, Walker estabelece uma regra bem particular para a leitura de seu livro. </p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p><em>&#8220;Should you feel drowsy and fall asleep while reading the book, unlike most authors, I will not be disheartened. Indeed (&#8230;) I am actively going to encourage that kind of behavior from you. (&#8230;) So please feel free to ebb and flow into and out of consciousness during this entire book. I will take absolutely no offense. On the contrary, I will be delighted.&#8221; </em></p><cite>&#8220;<em>Caso você se sinta embriagado e caia de sono enquanto lê este livro, ao contrário da maioria dos autores, não ficarei chateado. (&#8230;) Aliás, vou encorajá-lo a este tipo de comportamento. (&#8230;) Então, por favor, sinta-se à vontade para entrar e sair de sua consciência por todo o livro. Não ficarei em nada ofendido. Pelo contrário, ficarei encantado.&#8221;</em></cite></blockquote>



<p>Com este simpático aviso, Walker já expõe o objetivo maior do livro: fazê-lo dormir (bem). E, pelo menos para mim, seu objetivo foi alcançado. Porque ler a palavra &#8220;sono&#8221; tantas vezer no texto me deu muito sono. Como livro de cabeceira, antes de dormir, foi ideal. Afinal, não conseguia ler mais de um capítulo por noite porque o sono imperava. </p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-biologia-do-sono">Biologia do sono</h2>



<figure class="wp-block-image size-full is-style-default"><img loading="lazy" decoding="async" width="1000" height="664" src="https://luciamalla.com/wp-content/uploads/2020/11/2020-nov-1-PorQueNosDormimos3.jpg" alt="Foca monge havaiana dormindo - Por que nós dormimos" class="wp-image-45683" srcset="https://luciamalla.com/wp-content/uploads/2020/11/2020-nov-1-PorQueNosDormimos3.jpg 1000w, https://luciamalla.com/wp-content/uploads/2020/11/2020-nov-1-PorQueNosDormimos3-300x199.jpg 300w, https://luciamalla.com/wp-content/uploads/2020/11/2020-nov-1-PorQueNosDormimos3-600x398.jpg 600w, https://luciamalla.com/wp-content/uploads/2020/11/2020-nov-1-PorQueNosDormimos3-130x86.jpg 130w, https://luciamalla.com/wp-content/uploads/2020/11/2020-nov-1-PorQueNosDormimos3-768x510.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 1000px) 100vw, 1000px" /><figcaption><em>Zzzzzzzz</em>&#8230;</figcaption></figure>



<p>Matthew Walker começa explicando evolutivamente por que nós dormimos. Explica a diferença do nosso sono para o sono dos demais animais, tanto em quantidade quanto em qualidade. Aliás, é interessantíssimo ler sobre como outros animais dormem, inclusive o que provavelmente sonham, baseado nos estudos da atividade cerebral. </p>



<p>O autor comenta também sobre o ciclo circadiano e suas peculiaridades, reguladas pelo hormônio melatonina. Discute a biologia do sono, desde a bioquímica até a atividade cerebral que caracteriza as diferentes fases de sono. </p>



<p>De bioquímica, aliás, aprendi que níveis altos de adenosina no cérebro são cruciais para iniciarem a sensação de sono. Interessantemente, a cafeína (meu vício) bloqueia o receptor de adenosina no cérebro, o que dificulta a sensação de sono. E o autor sugere parar de tomar café lá pelas 15h, para que tenhamos uma boa noite de sono. </p>



<p>Além disso, Matthew Walker descreve as diferenças e a importância do sono em cada uma das fases da nossa vida. Algumas questões são instigantes. Por exemplo, o autor advoca que tiramos muito do desenvolvimento normal da criatividade do adolescente ao fazê-los sair da cama cedo para a escola. Adolescentes têm seu ritmo circadiano levemente alterado para mais tarde, portanto seria mais sensato deixá-los dormir um pouco mais. Isto ajudaria no desenvolvimento adequado do cérebro deles, que ainda está em preparação para a maturidade da vida adulta.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-fases-do-sono">Fases do sono</h2>



<p>Por todo o livro fica claro que, enquanto dormimos, muita coisa acontece no cérebro e no nosso organismo. Não é um período de &#8220;descanso&#8221; apenas. É um período de <em>reboot</em> e consolidação da memória (e da saúde fisiológica em geral). Na primeira fase, o NREM, as informações capturadas e estocadas durante o dia são peneiradas e direcionadas. Saem da armazenagem temporária no hipocampo para a memória segura no córtex cerebral. </p>



<p>Já na segunda fase do sono, o REM, as memórias estabelecidas são integradas com a sua autobiografia. Ou seja, com tudo que você já viveu e guardou no cérebro desde o início de sua vida. Nós sonhamos durante o REM. E o sonho, portanto, é peça-chave deste processo de integração das memórias e emoções, além de combustível fundamental da criatividade. </p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-por-que-n-s-dormimos">Por que nós dormimos</h2>



<p id="h-sempre-com-o-respaldo-da-biologia-e-da-neuroci-ncia-o-autor-comenta-sobre-os-dist-rbios-cl-ssicos-do-sono-como-a-ins-nia-e-a-narcolepsia-e-sobre-como-o-sono-refor-a-todos-os-demais-componentes-do-nosso-organismo-como-dormir-bem-diminui-as-chances-de-desenvolvimento-de-c-ncer-diabetes-mal-de-alzheimer-e-muitas-outras-doen-as-por-fortalecer-o-sistema-imune-e-end-crino-pergunta-por-que-n-s-dormimos-a-resposta-que-permeia-toda-para-termos-sa-de-e-vivermos-mais">À pergunta &#8220;por que nós dormimos&#8221;, a resposta que permeia todo o livro é &#8220;para termos saúde e vivermos mais&#8221;. Sempre com o respaldo da biologia e da neurociência, o autor realça a importância do sono ao falar sobre os distúrbios clássicos do sono, como a insônia e a narcolepsia, e sobre como o sono reforça todos os demais componentes do nosso organismo. Como dormir bem diminui as chances de desenvolvimento de câncer, diabetes, mal de Alzheimer, problemas cardiovasculares e muitas outras doenças, por fortalecer o sistema imune e endócrino. </p>



<p>Mas o que é dormir bem? De acordo com a cronobiologia e a neurociência do sono, é dormir pelo menos 8 horas por noite, com 5 ciclos distintos independentes de sono NREM e REM. Além disso, uma soneca depois do almoço de uns 90 minutos, tempo para um ciclo de NREM/REM, é altamente aconselhável, já que diminui em mais de 200% a chance de problemas cardiovasculares em adultos. </p>



<figure class="wp-block-image size-full is-style-default"><img loading="lazy" decoding="async" width="1000" height="667" src="https://luciamalla.com/wp-content/uploads/2020/11/2020-nov-1-PorQueNosDormimos2.jpg" alt="A importância do sono - Por que nós dormimos - Soneca da tarde numa ilha tropical" class="wp-image-45686" srcset="https://luciamalla.com/wp-content/uploads/2020/11/2020-nov-1-PorQueNosDormimos2.jpg 1000w, https://luciamalla.com/wp-content/uploads/2020/11/2020-nov-1-PorQueNosDormimos2-300x200.jpg 300w, https://luciamalla.com/wp-content/uploads/2020/11/2020-nov-1-PorQueNosDormimos2-600x400.jpg 600w, https://luciamalla.com/wp-content/uploads/2020/11/2020-nov-1-PorQueNosDormimos2-130x87.jpg 130w, https://luciamalla.com/wp-content/uploads/2020/11/2020-nov-1-PorQueNosDormimos2-768x512.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 1000px) 100vw, 1000px" /><figcaption><em>A soneca da tarde não é preguiça: faz parte da nossa biologia.</em></figcaption></figure>



<p>E como a gente consegue dormir desta forma? </p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-receita-para-dormir-bem">Receita para dormir bem</h2>



<p>Walker estabelece 10 regrinhas simples e básicas para dormir bem. Não vou dar spoiler, mas já adianto que são regras bem simples. Ele é contra remédio pra dormir, a não ser quando avaliado por um médico que entenda de sono. Portanto suas dicas são sugestões de simples implementação, como tomar um banho quente antes de dormir, evitar celulares e afins no quarto, ou ter uma rotina de sono, dormindo e acordando no mesmo horário.</p>



<p>(E esqueça os drinks antes de dormir. O álcool é sedativo, não deixa que entremos de forma adequada em NREM devido ao tempo que leva para ser metabolizado. Aliás, Matthew Walker aconselha a beber durante o dia, não à noite.)</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-sem-sono">Sem sono</h2>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p><em>&#8220;The number of people who can survive on five hours of sleep or less without any impairment, expressed as a percent of the population, and rounded to a whole number, is zero.&#8221;</em></p><cite><em>&#8220;O número de pessoas que podem sobreviver à 5 horas de sono ou menos sem nenhum prejuízo, expresso como uma porcentagem da população e arredondado, é zero.&#8221;</em></cite></blockquote>



<p>Mas o que mais me chamou a atenção neste livro foi a percepção do quanto a maioria das pessoas não dorme o suficiente, ou seja, são cronicamente <em>sleep-deprived</em>. Não por insônia, mas por pura falta de tempo. </p>



<p>Muita gente tem insônia e ele dedica um capítulo a esse mal do século. Mas Walker defende a ideia de que, enquanto na <strong>insônia</strong> a pessoa tem oportunidade de dormir e não tem sono, o <em><strong>sleep-deprivation</strong></em> é o estado de quando você tem sono, mas não tem oportunidade de dormir. Por exemplo, quando precisa trabalhar em diversos turnos. Ou viajar frequentemente, cruzando fusos. Ou ainda até por status, porque infelizmente a ideia de que você dorme muito ainda é associada à &#8220;preguiça&#8221; e não à saúde. </p>



<p>Esta percepção errônea nos prejudica não só individualmente, mas como sociedade em geral. Afinal, vivemos num ambiente em que as pessoas estão menos alertas e mais propensas a doenças graves. As razões para este estado generalizado de <em>sleep-deprivation</em> é que precisam ser atacadas por políticas de incentivo ao sono. Suas horas completas de sono devem ser não-negociáveis. Com dados e estudos científicos sólidos, Matthew Walker deixa claro o quanto não deixar alguém dormir suas 8 horas necessárias é um erro em todos os sentidos. Porque profissionais que dormem mais, estão melhor preparados para o trabalho, são mais inovadores/criativos e terminam por contribuir de maneira mais enriquecedora à sociedade como um todo. </p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-na-d-vida-durma-mais">Na dúvida, durma mais</h2>



<p>Esta talvez seja a conclusão mais simples deste livro tão rico de pontos a serem discutidos mais e mais sobre a importância do sono. </p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p><em>&#8220;The shorter your sleep, the shorter your life.&#8221;</em></p><cite>&#8220;<em>Quanto menos você dorme, menos você vive.</em>&#8220;</cite></blockquote>



<p>É incrível exatamente pela oposição clara à horrível frase que permeia muito do nosso comportamento: &#8220;<em>dormir pra quê, vou dormir quando morrer</em>&#8220;. Apesar das tecnicalidades de alguns parágrafos, Matthew Walker nos convence da importância do sono e nos convida a dormir mais para viver melhor. Como dorminhoca de primeira, curti o convite. </p>



<p>Tudo de sono sempre.</p>
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		<title>Sexta Sub: 16 anos de uma Malla pelo mundo</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Lucia Malla]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 09 Oct 2020 10:01:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Blog]]></category>
		<category><![CDATA[Blogversário]]></category>
		<category><![CDATA[Sexta Sub]]></category>
		<category><![CDATA[16 anos]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Eis que chegamos à maioridade votante. 16 anos de blog. Muitas viagens, aventuras, reflexões e aprendizado compartilhados. E uma coincidência deliciosa: a celebração destes 16 anos caindo numa sexta-feira, dia das minhas sextas subs queridas. O que me vem à cabeça em primeiro lugar são as memórias daquela noite gelada de outono na Coréia do [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Eis que chegamos à maioridade votante. <strong>16 anos de blog.</strong> Muitas viagens, aventuras, reflexões e aprendizado compartilhados. E uma coincidência deliciosa: a celebração destes 16 anos caindo numa sexta-feira, dia das minhas <a href="https://luciamalla.com/sexta-sub-lista">sextas subs</a> queridas.</p>



<p>O que me vem à cabeça em primeiro lugar são as memórias daquela noite gelada de outono na Coréia do Sul. Quando decidi, enfim, transferir um diarinho virtual que cultivava no UOL para a plataforma do blogspot &#8211; e continuar a escrever. Tinha acabado de voltar de uma <a href="https://luciamalla.com/estrela-apo-filipinas.html">viagem à Malapascua</a>, nas Filipinas, para <a href="https://luciamalla.com/minhas-top-cinco-viagens-com-tubaroes.html">mergulhar com o tubarão-raposa</a>. Afinal, algumas coisas nunca mudam com o passar dos anos, não é mesmo?</p>



<p>Mas, por outro lado, as coisas mudam. Há exatamente um ano, eu estava chegando de uma <a href="https://luciamalla.com/mergulho">viagem de mergulho</a> sensacional por Bali e <a href="https://luciamalla.com/onde-ficar-komodo.html">Komodo</a>, na Indonésia. Uma viagem que coroava um ano cheio de mergulhos fantásticos, como com o temido <a href="https://luciamalla.com/mergulho-com-tubarao-tigre-bahamas.html">tubarão-tigre nas Bahamas</a>. 2019 tinha sido, acima de tudo, um ano cheio de viagens. Portanto, a lista de posts para escrever era longa. <a href="https://luciamalla.com/15-anos-do-blog-uma-malla-pelo-mundo.html">Celebrei 15 anos de blog, então, empolgadíssima</a> para continuar a compartilhar tantas viagens. </p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-16-anos-e-uma-pandemia">16 anos e uma pandemia</h2>



<p>Mas aí veio 2020. <a href="https://luciamalla.com/resenha-a-planet-of-viruses-carl-zimmer.html">Vírus</a>, pandemia, quarentena. Uma sensação de <a href="https://luciamalla.com/the-end-of-everything-o-fim-de-tudo.html">fim de tudo</a>. </p>



<p>De repente, o ano teve que ser todo replanejado. Viagens descartadas. Trabalhar de casa por tempo indeterminado. Um mundo inteiro para se adaptar a uma nova realidade mascarada e de distanciamento social. No meu caso, sem viagens reais, optei então por continuar <a href="https://luciamalla.com/resenha-the-great-indoors.html">viajando dentro de casa</a>. Voltei minha atenção principalmente para as leituras atrasadíssimas que se acumulavam há tempos. </p>



<p>Se não havia clima para contar viagens reais, mesmo que recentes, as viagens literárias, entretanto, pediam registro. Até agora, <a href="https://luciamalla.com/i-contain-multitudes-ed-yong-microbioma.html">foram</a> <a href="https://luciamalla.com/the-end-of-everything-o-fim-de-tudo.html">oito</a> <a href="https://luciamalla.com/mulheres-invisiveis-invisible-women.html">resenhas</a> de <a href="https://luciamalla.com/resenha-darwin-dormiu-aqui-eric-simons.html">livros</a> de <a href="https://luciamalla.com/gastrofisica-resenha-gastrophysics.html">não-ficção</a>. Incluindo o <a href="https://luciamalla.com/resenha-a-crack-in-creation-jennifer-doudna.html">livro da Jennifer Doudna</a>, que, aliás, ganhou esta semana o <a href="https://www.nobelprize.org/prizes/chemistry/2020/summary/">prêmio Nobel de Química</a>. As resenhas também ficam registradas na página onde estão <a href="https://luciamalla.com/livros">todas as resenhas já feitas</a> nestes 16 anos de blog.</p>



<p>(Apesar de tudo, o clima de compartilhar as viagens e curiosidade do Havaí <a href="https://luciamalla.com/kalaupapa-leprosario-isolamento-social-havai.html">vai voltando</a>. Devagar e sempre, enfim.) </p>



<h3 class="wp-block-heading" id="h-par-nteses">Parênteses</h3>



<p>De repente o mundo se viu trancado em casa. A incerteza generalizada trouxe, então, uma necessidade de estar online com os amigos. (E haja live&#8230;) Nesse sentido, a maravilhosa iniciativa da <a href="https://cafénaescrivaninha.com.br">Denise</a> de começar um Clube do Livro caiu como uma luva. Me fez voltar a ler (e curtir!) ficção. Além disso, conheci novas autoras maravilhosas, estórias que jamais teria oportunidade sem um pontapé inicial. Muito obrigada por este respiro educativo em meio à pandemia, Denise! 🙂</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-ilhada-no-hava">Ilhada no Havaí</h2>



<p>Não poder viajar também significa que estou ilhada no Havaí desde março. Tem sido uma experiência bem diferente, afinal, ver o estado sem turistas. O Havaí começou bem a pandemia, com <em>lockdown</em> rígido e poucos casos. Aí veio o feriado de 4 de julho, a reabertura do comércio. E a segunda onda tomou forma. Estamos nela até hoje. </p>



<p>Coincidentemente, neste mesmo período, um cardume de halalus decidiu fixar residência em Kaimana Beach, em Waikiki. O halalu é um peixe pequeno tipo sardinha, comum aqui no Havaí. A aglomeração de halalus atraiu tubarões. Que atraíram a gente. </p>



<p>Então, em tempos de abre-fecha da areia da praia e distanciamento social entre pessoas, nossa diversão do verão em quarentena tem sido cair no mar para admirar os peixes. Porque estes podem aglomerar à vontade. </p>



<figure class="wp-block-image size-full is-style-default"><img loading="lazy" decoding="async" width="1029" height="684" src="https://luciamalla.com/wp-content/uploads/2020/10/2020-out-9-16AnosBlog.jpg" alt="Cardume de peixinhos halalu em Kaimana Beach - Waikiki - Havaí - 16 anos do blog Uma Malla pelo mundo" class="wp-image-45321" srcset="https://luciamalla.com/wp-content/uploads/2020/10/2020-out-9-16AnosBlog.jpg 1029w, https://luciamalla.com/wp-content/uploads/2020/10/2020-out-9-16AnosBlog-300x199.jpg 300w, https://luciamalla.com/wp-content/uploads/2020/10/2020-out-9-16AnosBlog-600x399.jpg 600w, https://luciamalla.com/wp-content/uploads/2020/10/2020-out-9-16AnosBlog-130x86.jpg 130w, https://luciamalla.com/wp-content/uploads/2020/10/2020-out-9-16AnosBlog-768x511.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 1029px) 100vw, 1029px" /><figcaption><em>Uma Malla na aglomeração dos halalus em Waikiki. Olha quanto peixe neste cardume!</em></figcaption></figure>



<p>Até nisso 2020 surpreende, aliás. Jamais imaginei que veria cenas típicas de <a href="https://luciamalla.com/mergulho-sardine-run-africa-do-sul.html">Sardine Run</a> a 10 minutos da minha casa. </p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-resili-ncia">Resiliência</h2>



<p>Acho que a maioria das pessoas sairá de 2020 com uma outra perspectiva de vida. Afinal, estar vivo ganhou um novo significado, mais profundo em sobrevivência. Mas são estes momentos de mudança de visão e desafios marcantes que nos fazem crescer na caminhada da vida. No aniversário do blog ano passado, eis que um sentimento necessário à vida em 2020 já brotava.</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p><em>&#8220;E enquanto eu estiver viajando e mergulhando, seja de que jeito for, esse recanto nanométrico da internet continuará contando minhas aventuras pelo mundo. Afinal, <strong>resiliência é marca registrada</strong>.&#8221;</em></p></blockquote>



<p>E que os próximos 16 anos neste blog sejam ainda mais desafiadores e recompensadores que os que aconteceram até agora. Que a gente então se adapte aos desafios e ganhe cada vez mais <strong>resiliência</strong>. </p>



<p>E muito obrigada pela companhia de viagem há 16 anos!</p>



<p>Tudo de blog da Malla sempre.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Cada aniversário do blog</h2>



<ul class="wp-block-list"><li><a href="https://luciamalla.com/1-ano-viajando-com-a-malla-pelo-mundo.html">1 ano</a></li><li><a href="https://luciamalla.com/2-anos-viajando-com-a-malla-pelo-mundo.html">2 anos</a></li><li><a href="https://luciamalla.com/3-anos-viajando-com-a-malla-pelo-mundo.html">3 anos</a></li><li><a href="https://luciamalla.com/4-anos-viajando-com-a-malla-pelo-mundo.html">4 anos</a></li><li><a href="https://luciamalla.com/5-anos-viajando-com-uma-malla-pelo-mundo.html">5 anos</a></li><li><a href="https://luciamalla.com/6-anos-viajando-com-a-malla-pelo-mundo.html">6 anos</a></li><li><a href="https://luciamalla.com/7-anos-viajando-com-a-malla-pelo-mundo.html">7 anos</a></li><li><a href="https://luciamalla.com/8-anos-de-uma-malla-pelo-mundo.html">8 anos</a></li><li><a href="https://luciamalla.com/9-anos-de-uma-malla-pelo-mundo.html">9 anos</a></li><li><a href="https://luciamalla.com/10-anos-uma-malla-pelo-mundo.html">10 anos</a></li><li><a href="https://luciamalla.com/12-anos-de-uma-malla-pelo-mundo.html">12 anos</a></li><li><a href="https://luciamalla.com/13-anos-de-uma-malla-pelo-mundo.html">13 anos</a></li><li><a href="https://luciamalla.com/14-anos-de-uma-malla-pelo-mundo.html">14 anos</a></li><li><a href="https://luciamalla.com/15-anos-do-blog-uma-malla-pelo-mundo.html">15 anos</a></li></ul>



<p></p>
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		<title>O fim de tudo</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Lucia Malla]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 05 Oct 2020 03:29:52 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ciência]]></category>
		<category><![CDATA[Livros]]></category>
		<category><![CDATA[astronomia]]></category>
		<category><![CDATA[Katie Mack]]></category>
		<category><![CDATA[livros]]></category>
		<category><![CDATA[universo]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O ano de 2020 tem sido realmente intenso. Ou como bem disse a neozelandesa Jacinda Adern outro dia, &#8220;francamente terrível&#8221;. Então, já que a sensação de apocalipse parece ser geral, resolvi pular etapas e aprender logo sobre o fim de tudo. Mas tudo mesmo. Afinal, &#8220;The End of Everything (Astrophysically speaking)&#8221;, de Katie Mack e [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>O ano de 2020 tem sido realmente intenso. Ou como bem disse a neozelandesa Jacinda Adern outro dia, <a href="https://www.theguardian.com/world/2020/aug/24/ardern-says-2020-has-been-frankly-terrible-as-auckland-lockdown-extended">&#8220;francamente terrível&#8221;</a>. Então, já que a sensação de apocalipse parece ser geral, resolvi pular etapas e aprender logo sobre o fim de tudo. Mas tudo <em>mesmo</em>. Afinal, <strong>&#8220;<em>The End of Everything (Astrophysically speaking)&#8221;</em></strong>, de Katie Mack e que em português seria &#8220;<em>O fim de tudo (astrofisicamente falando)&#8221;</em>, nos transmite de maneira fluida as principais hipóteses vigentes para o fim do universo em que vivemos. Ou seja, o apocalipse final.</p>



<figure class="wp-block-image size-full is-style-default" id="end-everything"><img loading="lazy" decoding="async" width="750" height="1000" src="https://luciamalla.com/wp-content/uploads/2020/10/2020-out-5-OFimDeTudo.jpg" alt="Resenha - The End of Everything, por Katie Mack - O fim de tudo de acordo com a astrofísica teórica" class="wp-image-45274" title="Capa" srcset="https://luciamalla.com/wp-content/uploads/2020/10/2020-out-5-OFimDeTudo.jpg 750w, https://luciamalla.com/wp-content/uploads/2020/10/2020-out-5-OFimDeTudo-300x400.jpg 300w, https://luciamalla.com/wp-content/uploads/2020/10/2020-out-5-OFimDeTudo-600x800.jpg 600w, https://luciamalla.com/wp-content/uploads/2020/10/2020-out-5-OFimDeTudo-98x130.jpg 98w" sizes="auto, (max-width: 750px) 100vw, 750px" /></figure>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-sobre-a-autora-astrof-sica-katie-mack">Sobre a autora: astrofísica Katie Mack</h2>



<p>A autora do livro é Katie Mack, uma cosmologista teórica da North Carolina State University. Katie é ativa usuária do twitter (<a href="https://twitter.com/AstroKatie">@AstroKatie</a>), onde nos presenteia com incríveis tiradas irônicas, cheias de sarcasmo, sobre astronomia em geral. Como ela mesmo se descreve, ela adora &#8220;catástrofes cósmicas&#8221;. E nada pode ser mais catastrófico que o fim do universo, né?</p>



<p>Sinceramente, foi o jeito claro com que Katie Mack explica sobre temas complexos no twitter que me conquistou. E que me levou a querer ler seu livro de estréia. Afinal, ela é tão didática e acessível que poderia transformar um assunto complicadíssimo em algo mais digerível.</p>



<p>Foi exatamente o que Katie Mack fez. Treinada ao espaço de 280 caracteres, ela manteve sua concisão ao explicar conceitos de astrofísica teórica desde os mais simples como o de espaço-tempo, até os mais viajandões, como o falso vácuo do campo de Higgs. Entretanto, tendo mais espaço a cada capítulo, pode também nos presentear com uma riqueza de detalhes maior para cada história de descoberta, cada observação luminosa e cada cálculo matemático que pode levar ao fim do universo. <em>&#8220;The End of Everything&#8221; </em>não contém nenhuma equação (para não assustar ninguém), mas consegue nos fazer ficar curiosos pelas equações de que tanto comenta. Portanto, é um livro perfeito de introdução para leigos que querem aprender mais sobre o fim do universo.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-o-come-o-do-universo">O começo do universo</h2>



<p>O livro começa contando a história de como surgiu o universo. O Big Bang, afinal, que é popularmente tratado como a &#8220;explosão inicial&#8221;. Confesso que neste capítulo Katie Mack me levou a cantar mentalmente a música do Barenaked Ladies da abertura de &#8220;<em>The Big Bang Theory</em>&#8221; non-stop. </p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p>&#8220;<em>Our whole universe was in a hot, dense state/ Then 14 billion years ago expansion started&#8230;&#8221;</em></p><cite>&#8220;Todo o nosso universo estava num estado quente, denso/ Até que há 14 bilhões de anos a expansão começou&#8230;&#8221;</cite></blockquote>



<p>Porque foi assim que o universo começou. Mas, como tudo na vida, há sempre um início, um meio e um fim. O meio do universo é onde estamos. É a partir dos dados angariados neste momento intermediário da nossa vida que podemos hipotetizar diferentes maneiras de como o universo acabará. </p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-quando-ser-o-fim-do-universo">Quando será o fim do universo</h2>



<p>As estimativas variam muito. Afinal, astronomia costuma lidar com milhões e bilhões de anos corriqueiramente. Mas o fato é que o universo deve terminar daqui a uns 200 bilhões de anos. Devemos nos preocupar? Absolutamente não &#8211; a não ser pela curiosidade científica maravilhosa inerente a esta questão. Até porque, muito antes disso, o sol já terá queimado todo seu hélio e se tornado menos ativo, tendo engolido a Terra e sendo, enfim, engolido por outras nebulosas.  </p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-como-ser-o-fim-do-universo">Como será o fim do universo</h2>



<p>Já COMO será o fim do universo é a questão central de <em>&#8220;The End of Everything&#8221;</em>. O livro discute quatro possibilidades aventadas pelos cosmologistas teóricos do mundo. Todas são incríveis demais.</p>



<ul class="wp-block-list"><li><em>Big Crunch</em></li><li><em>Heat Death</em></li><li><em>Big Rip</em></li><li><em>Vacuum Decay</em> </li></ul>



<p>O <strong><em>Big Crunch</em></strong> seria o caminho oposto ao Big Bang: o universo em contração contínua, depois deste período de expansão, aos poucos voltando à densidade inicial. No <strong><em>Heat Death</em></strong> (também chamado de <em>Big Freeze</em>), à medida que o universo se expande, a matéria diminuiria de densidade cada vez mais. Então, somente radiação existiria. Neste contexto, as leis da termodinâmica diminuiriam a temperatura até o mínimo possível ao mesmo tempo que a entropia seria a máxima possível. Isto causaria um vazio gigantesco a caminho da escuridão isolada. </p>



<p>Já no caso do <strong>Big Rip</strong>, que pode ocorrer em ~188 bilhões de anos, a expansão contínua do universo levaria as galáxias a se alongarem tanto que aos poucos vão evaporando. Com isso, a força gravitacional vai desaparecendo, o que leva planetas e estrelas à explosão. </p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-vacuum-decay">Vacuum Decay</h2>



<p>A última possibilidade de fim do universo, o <strong><em>Vacuum Decay</em></strong>, é a mais radical de todas. Além de minha favorita.</p>



<p>De acordo com a explicação de Katie Mack, vivemos num universo sob o campo de Higgs (lembra do Bóson de Higgs? Pois, o mesmo). Neste campo, pode ser que estejamos num &#8220;estado falso&#8221;. Isto porque pode ser que o campo de Higgs tenha um &#8220;estado verdadeiro&#8221;. Mas mesmo sendo &#8220;falso&#8221;, é nele que todas as leis da natureza que conhecemos funcionam. </p>



<p>Entretanto, há um potencial de transferência do campo de Higgs de um estado &#8220;falso&#8221; para um estado &#8220;verdadeiro&#8221;. Para que aconteça, basta que haja energia potencial suficiente para &#8220;empurrar&#8221; esta mudança. O gráfico abaixo ilustra estes estados do universo &#8211; e me deixou ao mesmo tempo estupefata e maravilhada.</p>



<figure class="wp-block-image size-large is-style-default"><img loading="lazy" decoding="async" width="487" height="366" src="https://luciamalla.com/wp-content/uploads/2020/10/2020-out-5-OFimDeTudo2.jpg" alt="" class="wp-image-45286" srcset="https://luciamalla.com/wp-content/uploads/2020/10/2020-out-5-OFimDeTudo2.jpg 487w, https://luciamalla.com/wp-content/uploads/2020/10/2020-out-5-OFimDeTudo2-300x225.jpg 300w, https://luciamalla.com/wp-content/uploads/2020/10/2020-out-5-OFimDeTudo2-130x98.jpg 130w" sizes="auto, (max-width: 487px) 100vw, 487px" /></figure>



<p>Caso o campo de Higgs mude para seu estado verdadeiro, todas as leis que conhecemos da matéria e energia não se adequam mais. O resultado é o mais catastrófico e incrível possível: o universo inteiro desapareceria mais rápido que um piscar de olhos. Porque tudo, toda a matéria existente, se desestabilizaria imediatamente. </p>



<p>Não é fantástico? E a gente vive todo dia com esta possibilidade! (Minusculíssima, óbvio, mas ainda assim&#8230;) </p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-para-pensar-antes-do-fim-de-tudo">Para pensar antes do fim de tudo</h2>



<p>Apesar de ser, afinal, um livro sobre destruição e catástrofe, &#8220;<em>The End of Everything&#8221;</em> termina com diversas notas positivas. Katie Mack escolheu perguntar a diversos cosmologistas teóricos suas reflexões sobre a vida, sabendo o que sabem sobre as possibilidades do fim de tudo. Estas reflexões são preciosas, porque contextualizam muito das nossas emoções, tanto na prática quanto na filosofia que carregamos pela vida. </p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p><em>&#8220;At some point, in a cosmic sense, it will not have mattered that we ever lived.&#8221; </em></p><cite>(Katie Mack)</cite></blockquote>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p><em>&#8220;We&#8217;re in so much deeper trouble than the Heat Death of the universe. (&#8230;) If I&#8217;m going to worry about anything, it&#8217;s gonna be those [problems that we face as a civilization], not the Heat Death. I just don&#8217;t really have an emotional connection to the death of the universe, but I do to the death of the Earth. [&#8230;] I don&#8217;t want the Earth to die in fifty years.&#8221; </em></p><cite>(Andrew Pontzen)</cite></blockquote>



<p>Mas, como a própria autora lembra, há uma grande diferença emocional entre &#8220;continuamos para sempre&#8221; e &#8220;não continuamos para sempre&#8221;. Saber que há um fim de tudo nos faz mergulhar em filosofices profundas. Como disse Jonathan Pritchard, cosmologista de Londres.</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p><em>&#8220;I very much like our blip-ness&#8230; [&#8230;] the transience of things. It&#8217;s the doing. It&#8217;s the process. The journey. Who cares where you get to, right?&#8221;</em></p></blockquote>



<p>A jornada é o que vale. Buscar e descobrir conhecimento científico das leis que regem nossas galáxias, estrelas e planetas já garante ao ser humano, entretanto, uma viagem extremamente prazeirosa pelo universo.</p>



<p>Tudo de bom sempre.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-p-s">P.S.</h2>



<ul class="wp-block-list"><li><em>Para mais resenhas de livros feitas aqui no blog, <a href="https://luciamalla.com/livros">clique aqui</a>.</em></li></ul>



<p></p>
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		<title>Darwin dormiu aqui</title>
		<link>https://luciamalla.com/resenha-darwin-dormiu-aqui-eric-simons.html</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Lucia Malla]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 06 Sep 2020 19:35:39 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[América Latina]]></category>
		<category><![CDATA[Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[Evolução]]></category>
		<category><![CDATA[Livros]]></category>
		<category><![CDATA[Darwin]]></category>
		<category><![CDATA[Eric Simons]]></category>
		<category><![CDATA[viagem]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Nesta maratona de resenha de livros que tenho publicado durante a pandemia, decidi escrever também sobre um livro que li antes da pandemia. Isto para ter uma memória digital desta leitura de viagem light e inspiradora. O livro foi &#8220;Darwin slept here &#8211; Discovery, adventure, and swimming iguanas in Charles Darwin&#8217;s South America&#8221;, escrito por [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Nesta maratona de resenha de livros que tenho publicado durante a pandemia, decidi escrever também sobre um livro que li <em>antes</em> da pandemia. Isto para ter uma memória digital desta leitura de viagem <em>light</em> e inspiradora. O livro foi <strong><em>&#8220;Darwin slept here &#8211; Discovery, adventure, and swimming iguanas in Charles Darwin&#8217;s South America&#8221;</em></strong>, escrito por Eric Simons. (O título em português seria &#8220;<em>Darwin dormiu aqui</em> <em>&#8211; Descoberta, aventura, e iguanas nadadoras na América do Sul de Charles Darwin</em>&#8220;, mas infelizmente o livro ainda não foi traduzido para o português.)</p>



<h2 class="wp-block-heading">Um livro de viagens</h2>



<div class="wp-block-image is-style-default"><figure class="alignleft size-medium is-resized"><img loading="lazy" decoding="async" src="https://luciamalla.com/wp-content/uploads/2020/08/2020-ago-8-DarwinSleptHere-300x478.jpg" alt="Darwin dormiu aqui - Darwin slept here - Eric Simons" class="wp-image-42863" width="300" height="478" srcset="https://luciamalla.com/wp-content/uploads/2020/08/2020-ago-8-DarwinSleptHere-300x478.jpg 300w, https://luciamalla.com/wp-content/uploads/2020/08/2020-ago-8-DarwinSleptHere-600x956.jpg 600w, https://luciamalla.com/wp-content/uploads/2020/08/2020-ago-8-DarwinSleptHere-82x130.jpg 82w, https://luciamalla.com/wp-content/uploads/2020/08/2020-ago-8-DarwinSleptHere-768x1223.jpg 768w, https://luciamalla.com/wp-content/uploads/2020/08/2020-ago-8-DarwinSleptHere.jpg 806w" sizes="auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px" /></figure></div>



<p>Acima de tudo, <em>&#8220;Darwin slept here&#8221; </em>é um livro de viagens. Duas viagens, aliás. Conta a jornada do autor, Eric Simons, pelos caminhos que trilhou Darwin na América do Sul. Uma ideia relativamente comum nos dias de hoje, de fazer uma viagem &#8220;temática&#8221;. (O que eu adoro, por sinal. Em 1997, meu mochilão na Europa foi tema &#8220;Van Gogh&#8221;.)</p>



<p>Darwin excursionou pela América do Sul quando tinha apenas 27 anos, a bordo do navio Beagle sob comando do Capitão Fitzroy, com quem Darwin tinha uma relação não muito amigável. Sua teoria da evolução ainda estava sendo germinada em seus neurônios, e para ele, a viagem era muito mais uma aventura da juventude, uma busca pelo desconhecido. </p>



<h2 class="wp-block-heading">A América do Sul de Eric Simons e Charles Darwin</h2>



<p>No livro, o interessante é que Eric Simons escolheu embarcar em passagens desta famosa viagem de Darwin que não são completamente conhecidas ou exploradas. Todos os capítulos têm uma estrutura focada na viagem que Simons está fazendo na atualidade. A viagem &#8220;de hoje&#8221; serve de apoio para que ele divague sobre o que Darwin possivelmente viu, ouviu, sentiu e com quem interagiu no passado, quando passou por aqueles pontos da América do Sul. Muitas das passagens, claro, estão embasadas nos próprios escritos de Darwin durante a jornada. Mas muito vem também das elocubrações de Eric Simons. E foi justamente por causa destas elocubrações de viagem, tão comuns quando você na estrada, que tornam o livro uma delícia completa. </p>



<h2 class="wp-block-heading">Darwin no Brasil</h2>



<p>O livro começa no Rio de Janeiro. Darwin dormiu aqui, numa casa em Botafogo onde morou por três meses no inverno de 1832. Os contrastes da cidade atual são revelados na conversa com o guia pelo Parque Nacional da Tijuca, enquanto também nos conta o quão Darwin se embasbacou com a quantidade de água e diversidade da maravilhosa floresta tropical da &#8220;Tijeuka&#8221; (da forma como está em seus relatos).</p>



<figure class="wp-block-image size-full is-style-default"><img loading="lazy" decoding="async" width="1000" height="667" src="https://luciamalla.com/wp-content/uploads/2020/09/2020-ago-8-DarwinSleptHere4.jpg" alt="Darwin dormiu aqui - Vista de Salvador (BA) - Darwin na América do Sul" class="wp-image-45159" srcset="https://luciamalla.com/wp-content/uploads/2020/09/2020-ago-8-DarwinSleptHere4.jpg 1000w, https://luciamalla.com/wp-content/uploads/2020/09/2020-ago-8-DarwinSleptHere4-300x200.jpg 300w, https://luciamalla.com/wp-content/uploads/2020/09/2020-ago-8-DarwinSleptHere4-600x400.jpg 600w, https://luciamalla.com/wp-content/uploads/2020/09/2020-ago-8-DarwinSleptHere4-130x87.jpg 130w, https://luciamalla.com/wp-content/uploads/2020/09/2020-ago-8-DarwinSleptHere4-768x512.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 1000px) 100vw, 1000px" /></figure>



<p>Darwin também esteve em Salvador, na Bahia, onde pela primeira vez se confrontou com a escravidão. É depois de sua passagem por Salvador que ele se torna um fervoroso abolicionista. Simons conversa com um professor de filosofia da Universidade da Bahia para entender como Darwin encarou a luta anti-escravagista. Fica claro que, durante sua jornada, Darwin nada fez para mudar o status quo. Entretanto, de volta à Inglaterra, seus escritos e relatos do que vira em Salvador tornaram-se mais ferinos para desmantelar esse passado &#8220;culpado&#8221; dos britânicos, em sua própria palavra. </p>



<h3 class="wp-block-heading">Parênteses</h3>



<p>A ótima <a href="http://www.turismares.com.br/index.php?lang=en">Meilin</a> me indicou <a href="https://www.google.com/maps/d/u/0/viewer?ie=UTF&amp;msa=0&amp;mid=18iqS9TfJ5TOcOdrwL9yUJ60m5Lo&amp;ll=-22.953266472811293%2C-43.20275950123595&amp;z=16">este roteiro</a> com alguns pontos importantes por onde Darwin passou na cidade. Ideal portanto para quem quer explorar a cidade por uma perspectiva diferente. Reproduzo abaixo a visão geral destes pontos do mapa.</p>



<figure class="wp-block-image size-full is-style-default"><img loading="lazy" decoding="async" width="1852" height="1022" src="https://luciamalla.com/wp-content/uploads/2020/09/2020-ago-8-DarwinSleptHere2.jpg" alt="Mapa do Rio de Janeiro - Darwin na América do Sul" class="wp-image-45151" srcset="https://luciamalla.com/wp-content/uploads/2020/09/2020-ago-8-DarwinSleptHere2.jpg 1852w, https://luciamalla.com/wp-content/uploads/2020/09/2020-ago-8-DarwinSleptHere2-300x166.jpg 300w, https://luciamalla.com/wp-content/uploads/2020/09/2020-ago-8-DarwinSleptHere2-600x331.jpg 600w, https://luciamalla.com/wp-content/uploads/2020/09/2020-ago-8-DarwinSleptHere2-130x72.jpg 130w, https://luciamalla.com/wp-content/uploads/2020/09/2020-ago-8-DarwinSleptHere2-768x424.jpg 768w, https://luciamalla.com/wp-content/uploads/2020/09/2020-ago-8-DarwinSleptHere2-1536x848.jpg 1536w, https://luciamalla.com/wp-content/uploads/2020/09/2020-ago-8-DarwinSleptHere2-580x320.jpg 580w" sizes="auto, (max-width: 1852px) 100vw, 1852px" /><figcaption><em>Locais por onde Darwin esteve no Rio de Janeiro.</em></figcaption></figure>



<h2 class="wp-block-heading">Na Patagônia</h2>



<p>Meu trecho favorito do livro, entretanto, é o das viagens pela Patagônia. Principalmente na Península Valdés, onde também <a href="https://luciamalla.com/resposta-do-desafio-malla-puerto-piramides-argentina.html">já estive</a>. Pude lembrar das sinalizações que vi da passagem de Darwin em plena Calleta Valdés, no meio de uma paisagem de estepe seca que, até hoje, ainda parece desolada e com um vento incessante. Uma paisagem &#8220;desinteressante&#8221;, de acordo com Darwin. Os pinguins são, ainda hoje, a população predominante do local.</p>



<figure class="wp-block-image size-full is-style-default"><img loading="lazy" decoding="async" width="1000" height="665" src="https://luciamalla.com/wp-content/uploads/2020/09/2020-ago-8-DarwinSleptHere3.jpg" alt="Calleta Valdés - Patagônia Argentina - Darwin slept here - Eric Simons" class="wp-image-45160" srcset="https://luciamalla.com/wp-content/uploads/2020/09/2020-ago-8-DarwinSleptHere3.jpg 1000w, https://luciamalla.com/wp-content/uploads/2020/09/2020-ago-8-DarwinSleptHere3-300x200.jpg 300w, https://luciamalla.com/wp-content/uploads/2020/09/2020-ago-8-DarwinSleptHere3-600x399.jpg 600w, https://luciamalla.com/wp-content/uploads/2020/09/2020-ago-8-DarwinSleptHere3-130x86.jpg 130w, https://luciamalla.com/wp-content/uploads/2020/09/2020-ago-8-DarwinSleptHere3-768x511.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 1000px) 100vw, 1000px" /><figcaption><em>Calleta Valdés na Patagônia Argentina.</em></figcaption></figure>



<p>Mas mesmo desinteressante, Darwin se &#8220;perdeu&#8221; pela Patagônia, fazendo intensas e longas caminhadas que preocupavam seus colegas de Beagle. Nestas caminhadas, investigava a geologia local (que é realmente fantástica). Simons, por sua vez, não se aventurou tanto pela mesma paisagem, se limitando a algumas trilhas e à conversa com um historiador local que traz <em>insights</em> interessantes sobre o turismo atual na região.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Darwin dormiu aqui</h2>



<p>Depois de rodar por tantos pontos interessantes e menos visitados da América do Sul, é no capítulo final do livro que Simons finalmente encontra um quartinho humilde na Amolanas Hacienda, no vale de Copiapó, região mineradora do Chile. &#8220;Darwin dormiu aqui&#8221; certamente não está escrito em nenhuma placa local. Aliás, a passagem do naturalista britânico parece esquecida ou ignorada nos dias atuais. Mas não foram as paisagens nem os achados biológicos que encantaram Darwin ali. Foi seu povo, com quem Darwin interagiu, que primordialmente o marcou naquele recanto esquecido do mundo.</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p><em>&#8220;Indeed, I defy a traveler to do justice to the good nature with which strangers are received in this country.&#8221;</em></p><cite><em>&#8220;De fato, eu conclamo o viajante a fazer justiça à boa natureza com que estranhos são recebidos neste país.&#8221;</em></cite></blockquote>



<p>Em &#8220;<em>Darwin slept here&#8221;</em>, Eric Simons nos leva a conhecer (e se reconhecer) na até então ingênua sede de conhecimento e aventura do jovem Darwin, que se tornaria décadas mais tarde o maior naturalista britânico. Darwin era na estrada, afinal, um explorador de coração e cabeça abertos, como o são os  grandes viajantes do mundo. </p>



<p>Tudo de bom sempre.</p>



<h2 class="wp-block-heading">P.S.</h2>



<ul class="wp-block-list"><li><em>Leia mais: <a href="https://luciamalla.com/livros">Outras resenhas de livros escritas aqui no blog.</a></em></li></ul>



<h2 class="wp-block-heading"></h2>
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		<title>Kalaupapa &#8211; Séculos de isolamento social no Havaí</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Lucia Malla]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 23 Aug 2020 23:48:49 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Havaí]]></category>
		<category><![CDATA[Molokai]]></category>
		<category><![CDATA[kalaupapa]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>No Havaí, há um ponto na ilha de Molokai que pratica isolamento social há pelo menos um século e meio. Afinal, em 1866, a Península de Kalaupapa foi designada pelo rei Kamehameha V como uma colônia de leprosos (ou leprosário). Era ali onde as pessoas que sofriam de hanseníase eram isoladas para viverem o resto [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>No Havaí, há um ponto na ilha de Molokai que pratica isolamento social há pelo menos um século e meio. Afinal, em 1866, a <strong>Península de Kalaupapa</strong> foi designada pelo rei Kamehameha V como uma colônia de leprosos (ou leprosário). Era ali onde as pessoas que sofriam de hanseníase eram isoladas para viverem o resto de suas vidas, longe de todos.</p>



<figure class="wp-block-image size-full is-style-default"><img loading="lazy" decoding="async" width="1000" height="664" src="https://luciamalla.com/wp-content/uploads/2020/08/2020-Ago-24-Kalaupapa13.jpg" alt="Península de Kalaupapa - Molokai - Havaí" class="wp-image-43905" srcset="https://luciamalla.com/wp-content/uploads/2020/08/2020-Ago-24-Kalaupapa13.jpg 1000w, https://luciamalla.com/wp-content/uploads/2020/08/2020-Ago-24-Kalaupapa13-300x199.jpg 300w, https://luciamalla.com/wp-content/uploads/2020/08/2020-Ago-24-Kalaupapa13-600x398.jpg 600w, https://luciamalla.com/wp-content/uploads/2020/08/2020-Ago-24-Kalaupapa13-130x86.jpg 130w, https://luciamalla.com/wp-content/uploads/2020/08/2020-Ago-24-Kalaupapa13-768x510.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 1000px) 100vw, 1000px" /><figcaption><em>Península de Kalaupapa em Molokai.</em></figcaption></figure>



<p>O isolamento social ocorria porque a <a href="https://en.wikipedia.org/wiki/Leprosy">hanseníase</a> (ou lepra) é uma doença infecciosa bacteriana bastante contagiosa pela via respiratória. Na época, a lepra deixava a pessoa incapacitada, com danos nos nervos, e poderia levar à morte. Não é mais o caso desde a década de 1940, quando os primeiros tratamentos começaram a ser usados com sucesso. Hoje, a terapia anti-lepra inclui um conjunto de antibióticos e a doença deixou de ser impeditiva ou letal, embora ainda existam cerca de 209.000 casos ativos no mundo.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Por que um leprosário em Kalaupapa</h2>



<p>Como estamos aprendendo com o coronavírus, a melhor maneira de evitar o contágio de uma doença infecciosa ainda sem cura é através do distanciamento e do isolamento social. Até o século XIX, a única estratégia efetiva para evitar o contágio pela bactéria da lepra era o isolamento social. Foi daí então que nasceram os leprosários, as colônias onde pessoas com lepra se isolavam e viviam.</p>



<figure class="wp-block-image size-full is-style-default"><img loading="lazy" decoding="async" width="1000" height="667" src="https://luciamalla.com/wp-content/uploads/2020/08/2020-Ago-24-Kalaupapa16.jpg" alt="Península de Kalaupapa - Molokai - Havaí" class="wp-image-43907" srcset="https://luciamalla.com/wp-content/uploads/2020/08/2020-Ago-24-Kalaupapa16.jpg 1000w, https://luciamalla.com/wp-content/uploads/2020/08/2020-Ago-24-Kalaupapa16-300x200.jpg 300w, https://luciamalla.com/wp-content/uploads/2020/08/2020-Ago-24-Kalaupapa16-600x400.jpg 600w, https://luciamalla.com/wp-content/uploads/2020/08/2020-Ago-24-Kalaupapa16-130x87.jpg 130w, https://luciamalla.com/wp-content/uploads/2020/08/2020-Ago-24-Kalaupapa16-768x512.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 1000px) 100vw, 1000px" /><figcaption><em>Kalaupapa, cercada por montanhas íngremes e o oceano Pacífico.</em></figcaption></figure>



<p>E, no Havaí do século XIX, Kalaupapa, uma colônia de pescadores do município de Kalawao, era (ou melhor, ainda é&#8230;) o lugar mais isolado das ilhas. Ideal, portanto, para se estabelecer uma colônia de leprosos. Um lugar inalcançável. Isto porque a península de Kalaupapa está embarreirada em ambos os lados por uma cadeia de penhascos que é a segunda mais alta e íngreme do planeta. São 610 metros verticalizados, o que torna praticamente impossível a qualquer pessoa chegar ali por via terrestre. Os desbravadores da saúde, entretanto, abriram uma trilha de cavalo escorregadia e perigosíssima cruzando o penhasco, e era por ali que parte dos víveres que abasteciam Kalaupapa chegavam.</p>



<p>Circundando a península, está o oceano Pacífico. Que ali, naquele costão virado pro norte, está quase sempre revolto, com ondas apavorantes. As correntes são incessantes, o que dificulta bastante também a chegada por via marinha. Há um píer em Kalaupapa, mas que funciona apenas no verão, quando o mar ameniza. Aliás, é por ali ainda hoje que uma balsa traz parte do abastecimento dos residentes restantes da península.</p>



<h2 class="wp-block-heading">A história de Kalaupapa e o Padre Damião</h2>



<p>No auge de seu funcionamento como leprosário, administrado ainda pelo Departamento de Saúde, Kalaupapa chegou a ter até 8.500 residentes, entre pacientes e funcionários da saúde. Havia também uma missão religiosa católica ativa, liderada pelo Padre Damião e pela Madre Marianne. Os religiosos estavam ali para cuidar dos leprosos. Mas ofereciam além da assistência médica, também um conforto espiritual necessário aos pacientes, para sempre condenados ao isolamento social.  </p>



<figure class="wp-block-image size-full is-style-default"><img loading="lazy" decoding="async" width="1200" height="800" src="https://luciamalla.com/wp-content/uploads/2020/08/2020-Ago-24-Kalaupapa11.jpg" alt="Antigo hospital de leprosos - Kalaupapa - Molokai" class="wp-image-43903" srcset="https://luciamalla.com/wp-content/uploads/2020/08/2020-Ago-24-Kalaupapa11.jpg 1200w, https://luciamalla.com/wp-content/uploads/2020/08/2020-Ago-24-Kalaupapa11-300x200.jpg 300w, https://luciamalla.com/wp-content/uploads/2020/08/2020-Ago-24-Kalaupapa11-600x400.jpg 600w, https://luciamalla.com/wp-content/uploads/2020/08/2020-Ago-24-Kalaupapa11-130x87.jpg 130w, https://luciamalla.com/wp-content/uploads/2020/08/2020-Ago-24-Kalaupapa11-768x512.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 1200px) 100vw, 1200px" /><figcaption><em>Estrutura do antigo hospital de leprosos.</em></figcaption></figure>



<hr class="wp-block-separator"/>



<figure class="wp-block-image size-full is-style-default"><img loading="lazy" decoding="async" width="1200" height="800" src="https://luciamalla.com/wp-content/uploads/2020/08/2020-Ago-24-Kalaupapa10.jpg" alt="Monumento e túmulo de Madre Marianne no centro de Kalaupapa" class="wp-image-43902" srcset="https://luciamalla.com/wp-content/uploads/2020/08/2020-Ago-24-Kalaupapa10.jpg 1200w, https://luciamalla.com/wp-content/uploads/2020/08/2020-Ago-24-Kalaupapa10-300x200.jpg 300w, https://luciamalla.com/wp-content/uploads/2020/08/2020-Ago-24-Kalaupapa10-600x400.jpg 600w, https://luciamalla.com/wp-content/uploads/2020/08/2020-Ago-24-Kalaupapa10-130x87.jpg 130w, https://luciamalla.com/wp-content/uploads/2020/08/2020-Ago-24-Kalaupapa10-768x512.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 1200px) 100vw, 1200px" /><figcaption><em>Monumento e túmulo de Madre Marianne no centro de Kalaupapa</em>.</figcaption></figure>



<p>Padre Damião chegou em Kalaupapa em 1873, e logo se tornou um líder da comunidade. Ajudou a construir uma escola, ruas e melhorou o hospital, além de ser muito ativo em prol dos leprosos. Sempre que possível, empoderava-os. Com isso, ainda quando vivo, Padre Damião recebeu do rei Kalakaua do Havaí uma medalha real. Mas não foi assim que Padre Damião entrou para a história.</p>



<figure class="wp-block-image size-full is-style-default"><img loading="lazy" decoding="async" width="1200" height="800" src="https://luciamalla.com/wp-content/uploads/2020/08/2020-Ago-24-Kalaupapa4.jpg" alt="Túmulo do Padre Damião - Molokai" class="wp-image-43896" srcset="https://luciamalla.com/wp-content/uploads/2020/08/2020-Ago-24-Kalaupapa4.jpg 1200w, https://luciamalla.com/wp-content/uploads/2020/08/2020-Ago-24-Kalaupapa4-300x200.jpg 300w, https://luciamalla.com/wp-content/uploads/2020/08/2020-Ago-24-Kalaupapa4-600x400.jpg 600w, https://luciamalla.com/wp-content/uploads/2020/08/2020-Ago-24-Kalaupapa4-130x87.jpg 130w, https://luciamalla.com/wp-content/uploads/2020/08/2020-Ago-24-Kalaupapa4-768x512.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 1200px) 100vw, 1200px" /><figcaption><em>Túmulo de Padre Damião na Igreja de Santa Filomena em Kalaupapa.</em></figcaption></figure>



<p>Padre Damião contraiu lepra e faleceu ali em Molokai da doença que tanto cuidou, em 1889. Seu túmulo fica ao lado da igreja que construiu, no lado oeste da península de Kalaupapa. Entretanto, depois de sua morte, dois milagres foram creditados a Padre Damião, já no século XX. Com isso, após um longo processo no Vaticano, em 2009 Padre Damião foi canonizado pelo então Papa Benedito XV. Hoje, Padre Damião é Santo Damião. </p>



<p>(Sua canonização foi no ano que voltei a morar no Havaí. Lembro claramente da celebração enorme que foi feita em homenagem ao Padre Damião na época, aliás.) </p>



<h2 class="wp-block-heading">O Parque Histórico Nacional de Kalaupapa em Molokai</h2>



<figure class="wp-block-image size-full is-style-default"><img loading="lazy" decoding="async" width="1200" height="800" src="https://luciamalla.com/wp-content/uploads/2020/08/2020-Ago-24-Kalaupapa12.jpg" alt="" class="wp-image-43904" srcset="https://luciamalla.com/wp-content/uploads/2020/08/2020-Ago-24-Kalaupapa12.jpg 1200w, https://luciamalla.com/wp-content/uploads/2020/08/2020-Ago-24-Kalaupapa12-300x200.jpg 300w, https://luciamalla.com/wp-content/uploads/2020/08/2020-Ago-24-Kalaupapa12-600x400.jpg 600w, https://luciamalla.com/wp-content/uploads/2020/08/2020-Ago-24-Kalaupapa12-130x87.jpg 130w, https://luciamalla.com/wp-content/uploads/2020/08/2020-Ago-24-Kalaupapa12-768x512.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 1200px) 100vw, 1200px" /><figcaption><em>Casas do vilarejo de Kalaupapa.</em></figcaption></figure>



<p>Hoje, o leprosário de Kalaupapa não mais existe. Isto porque a doença não preocupa mais, e caso apareça, é tratada nos hospitais das ilhas. Há ainda residentes no <strong>vilarejo de Kalaupapa</strong>, que são principalmente descendentes dos antigos pacientes do leprosário. De acordo com o último censo, 122 pessoas chamam Kalaupapa em Molokai de &#8220;minha casa&#8221;.</p>



<p>Apesar do esvaziamento da área, a importância histórica da região é incontestável. Por isso, desde 1980, a península se transformou no <strong>Parque Histórico Nacional de Kalaupapa</strong>. </p>



<figure class="wp-block-image size-full is-style-default"><img loading="lazy" decoding="async" width="1200" height="800" src="https://luciamalla.com/wp-content/uploads/2020/08/2020-Ago-24-Kalaupapa17.jpg" alt="Vila de Kalaupapa - Molokai - Havaí" class="wp-image-43908" srcset="https://luciamalla.com/wp-content/uploads/2020/08/2020-Ago-24-Kalaupapa17.jpg 1200w, https://luciamalla.com/wp-content/uploads/2020/08/2020-Ago-24-Kalaupapa17-300x200.jpg 300w, https://luciamalla.com/wp-content/uploads/2020/08/2020-Ago-24-Kalaupapa17-600x400.jpg 600w, https://luciamalla.com/wp-content/uploads/2020/08/2020-Ago-24-Kalaupapa17-130x87.jpg 130w, https://luciamalla.com/wp-content/uploads/2020/08/2020-Ago-24-Kalaupapa17-768x512.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 1200px) 100vw, 1200px" /><figcaption><em>Vila de Kalaupapa.</em></figcaption></figure>



<p>O pequeno vilarejo de Kalaupapa é a principal atração do local. Ali, ainda hoje, a gente vê as estruturas que existiam na época do leprosário e que garantiam uma certa auto-suficiência à comunidade. Há pequenas fazendas, casas, igrejas (católica e protestante), a escola, o hospital etc. Além do escritório de informações turísticas. Tudo mantido em ótimo estado de conservação &#8211; contudo vazio. A sensação que tive foi de uma cidade quase fantasma, com uma sensação de passado triste no ar.</p>



<figure class="wp-block-image size-full is-style-default"><img loading="lazy" decoding="async" width="1200" height="800" src="https://luciamalla.com/wp-content/uploads/2020/08/2020-Ago-24-Kalaupapa9.jpg" alt="Cratera de Kauhako - Molokai" class="wp-image-43901" srcset="https://luciamalla.com/wp-content/uploads/2020/08/2020-Ago-24-Kalaupapa9.jpg 1200w, https://luciamalla.com/wp-content/uploads/2020/08/2020-Ago-24-Kalaupapa9-300x200.jpg 300w, https://luciamalla.com/wp-content/uploads/2020/08/2020-Ago-24-Kalaupapa9-600x400.jpg 600w, https://luciamalla.com/wp-content/uploads/2020/08/2020-Ago-24-Kalaupapa9-130x87.jpg 130w, https://luciamalla.com/wp-content/uploads/2020/08/2020-Ago-24-Kalaupapa9-768x512.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 1200px) 100vw, 1200px" /><figcaption><em>Cratera de Kauhako em Molokai.</em></figcaption></figure>



<p>Além do vilarejo, Kalaupapa também conta com um atrativo geológico incrível: a <strong>cratera de Kauhako</strong>. Situada no centro da península, há dentro da cratera um dos lagos mais profundos dos Estados Unidos, o Lago Kauhako, com 248 metros de profundidade. Existia vida neste lago. Mas em 2011 houve uma liberação de sulfeto natural que gerou uma camada azulada-esverdeada na superfície. Este evento eliminou todos os animais e plantas que ali viviam. Há trilhas mapeadas por todo o entorno da cratera. Entretanto, estas trilhas são restritas a pesquisadores e moradores da península.</p>



<h2 class="wp-block-heading">O passeio de mula a Kalaupapa</h2>



<p>Estive em Kalaupapa em fevereiro de 2018. A entrada no Parque é gratuita, mas as visitas são restritas a maiores de 16 anos. Isto porque o acesso ao Parque é dificílimo. Há duas empresas de turismo que oferecem este passeio por terra, além de um passeio aéreo. Nós fizemos a descida de mula com a <a href="https://muleride.com">Kekaula Tours</a>, que cobra US$209,00 por pessoa. </p>



<figure class="wp-block-image size-full is-style-default"><img loading="lazy" decoding="async" width="1000" height="667" src="https://luciamalla.com/wp-content/uploads/2020/08/2020-Ago-24-Kalaupapa14.jpg" alt="Passeio de mula - Kalaupapa" class="wp-image-43906" srcset="https://luciamalla.com/wp-content/uploads/2020/08/2020-Ago-24-Kalaupapa14.jpg 1000w, https://luciamalla.com/wp-content/uploads/2020/08/2020-Ago-24-Kalaupapa14-300x200.jpg 300w, https://luciamalla.com/wp-content/uploads/2020/08/2020-Ago-24-Kalaupapa14-600x400.jpg 600w, https://luciamalla.com/wp-content/uploads/2020/08/2020-Ago-24-Kalaupapa14-130x87.jpg 130w, https://luciamalla.com/wp-content/uploads/2020/08/2020-Ago-24-Kalaupapa14-768x512.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 1000px) 100vw, 1000px" /><figcaption><em>Descida de mula pela trilha do penhasco de Kalaupapa.</em></figcaption></figure>



<p class="has-black-color has-pale-cyan-blue-background-color has-text-color has-background"><strong>ATENÇÃO</strong>: <em>Houve um deslizamento de terra em 2018 na trilha dos penhascos de Kalaupapa. A trilha está, portanto, no momento interditada. O passeio de mula voltará assim que os consertos terminarem.</em></p>



<p>O passeio de mula a Kalaupapa leva o dia inteiro. Começamos bem cedinho, no estábulo da micro-cidade de Kualapuu. Ali, os guias escolhem a mula que mais se adequa a sua &#8220;personalidade&#8221; e é com ela que você passará o dia. O passeio não é recomendado a quem tem problemas de coluna ou grávidas, porque o terreno é muito acidentado, íngreme e a mula balança bastante. Além disso, não há nenhum posto médico na vila de Kalaupapa, e qualquer acidente que ocorra ali requererá um tempo longo para que o serviço de resgate chegue. </p>



<h2 class="wp-block-heading">Trilha difícil </h2>



<p>Dá para fazer a trilha por conta própria à pé, mas ela é considerada nível difícil. Se você se empolgar em fazê-la à pé, prepare-se para um desgaste físico daqueles com uma subida na volta muito excruciante. Pior, sem muita vegetação para se apoiar. Afinal, você está a maior parte do tempo entre a montanha e o penhasco.</p>



<p>A trilha é estreitinha, e tem momentos em que você fica praticamente em um ângulo de 45º subindo, de tão íngreme. São 26 curvas fechadas e uma mudança de altitude brutal. Na mula, você consegue percorrer esta trilha em 1 hora e meia. Vale lembrar que é necessário preparo físico pra aguentar os trancos. </p>



<figure class="wp-block-image size-full is-style-default"><img loading="lazy" decoding="async" width="1200" height="800" src="https://luciamalla.com/wp-content/uploads/2020/08/2020-Ago-24-Kalaupapa.jpg" alt="Vista da península de Kalaupapa - Molokai - Havaí" class="wp-image-43893" srcset="https://luciamalla.com/wp-content/uploads/2020/08/2020-Ago-24-Kalaupapa.jpg 1200w, https://luciamalla.com/wp-content/uploads/2020/08/2020-Ago-24-Kalaupapa-300x200.jpg 300w, https://luciamalla.com/wp-content/uploads/2020/08/2020-Ago-24-Kalaupapa-600x400.jpg 600w, https://luciamalla.com/wp-content/uploads/2020/08/2020-Ago-24-Kalaupapa-130x87.jpg 130w, https://luciamalla.com/wp-content/uploads/2020/08/2020-Ago-24-Kalaupapa-768x512.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 1200px) 100vw, 1200px" /><figcaption><em>A península de Kalaupapa vista da trilha de penhasco.</em></figcaption></figure>



<p>A paisagem, entretanto, é espetacular. O azul profundo do mar ali embaixo, uma vegetação densa e nativa do seu lado, e o penhasco estonteante quando você olha pra cima. É de chorar de tão lindo. </p>



<h2 class="wp-block-heading">Mirante de Kalawao</h2>



<figure class="wp-block-image size-full is-style-default"><img loading="lazy" decoding="async" width="1200" height="800" src="https://luciamalla.com/wp-content/uploads/2020/08/2020-Ago-24-Kalaupapa2.jpg" alt="Penhascos de Molokai vistos da praia de Awahua - Havaí" class="wp-image-43894" srcset="https://luciamalla.com/wp-content/uploads/2020/08/2020-Ago-24-Kalaupapa2.jpg 1200w, https://luciamalla.com/wp-content/uploads/2020/08/2020-Ago-24-Kalaupapa2-300x200.jpg 300w, https://luciamalla.com/wp-content/uploads/2020/08/2020-Ago-24-Kalaupapa2-600x400.jpg 600w, https://luciamalla.com/wp-content/uploads/2020/08/2020-Ago-24-Kalaupapa2-130x87.jpg 130w, https://luciamalla.com/wp-content/uploads/2020/08/2020-Ago-24-Kalaupapa2-768x512.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 1200px) 100vw, 1200px" /><figcaption><em>Na praia de Awahua, apreciando os paredões gigantes que tínhamos acabado de descer.</em></figcaption></figure>



<p>A trilha de descida termina em uma praia extensa, a praia de Awahua. Muito brava, com areia grossa. Mas linda, com um mar completamente intocado, onde focas-monge havaianas gostam de descansar. Um pouco mais adiante, deixamos as mulas no estábulo e visitamos a vila de Kalaupapa. </p>



<p>Mas é depois da visita à vila que achei o passeio mais interessante. O micro-ônibus cruza a península, e vemos então a cratera de Kauhako ao longe. </p>



<figure class="wp-block-image size-full is-style-default"><img loading="lazy" decoding="async" width="1200" height="800" src="https://luciamalla.com/wp-content/uploads/2020/08/2020-Ago-24-Kalaupapa8.jpg" alt="Estrada Damião - Kalaupapa - Molokai" class="wp-image-43900" srcset="https://luciamalla.com/wp-content/uploads/2020/08/2020-Ago-24-Kalaupapa8.jpg 1200w, https://luciamalla.com/wp-content/uploads/2020/08/2020-Ago-24-Kalaupapa8-300x200.jpg 300w, https://luciamalla.com/wp-content/uploads/2020/08/2020-Ago-24-Kalaupapa8-600x400.jpg 600w, https://luciamalla.com/wp-content/uploads/2020/08/2020-Ago-24-Kalaupapa8-130x87.jpg 130w, https://luciamalla.com/wp-content/uploads/2020/08/2020-Ago-24-Kalaupapa8-768x512.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 1200px) 100vw, 1200px" /><figcaption><em>A estradinha feita pelo Padre Damião para o lado oeste da península de Kalaupapa.</em></figcaption></figure>



<p>Depois dessa parada, o próximo ponto é a Igreja de Santa Filomena, onde fica o túmulo do Padre Damião. A igreja é pequena e simpática. </p>



<p>A próxima parada é a mais espetacular possível, no Mirante de Kalawao. Ali estamos na extremidade oeste da península de Kalaupapa, e a vista infinita dos penhascos monumentais e da Ilha de Okala é de estontear qualquer um. Há um vale minúsculo, com uma praia completamente cercada de montanhas, que te dá a plena sensação de lugar remoto mesmo. </p>



<figure class="wp-block-image size-full is-style-default"><img loading="lazy" decoding="async" width="1200" height="800" src="https://luciamalla.com/wp-content/uploads/2020/08/2020-Ago-24-Kalaupapa5.jpg" alt="Penhascos de Molokai e ilha de Okala" class="wp-image-43897" srcset="https://luciamalla.com/wp-content/uploads/2020/08/2020-Ago-24-Kalaupapa5.jpg 1200w, https://luciamalla.com/wp-content/uploads/2020/08/2020-Ago-24-Kalaupapa5-300x200.jpg 300w, https://luciamalla.com/wp-content/uploads/2020/08/2020-Ago-24-Kalaupapa5-600x400.jpg 600w, https://luciamalla.com/wp-content/uploads/2020/08/2020-Ago-24-Kalaupapa5-130x87.jpg 130w, https://luciamalla.com/wp-content/uploads/2020/08/2020-Ago-24-Kalaupapa5-768x512.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 1200px) 100vw, 1200px" /><figcaption><em>Ilha de Okala e a vista do Mirante de Kalawao com os penhascos de Molokai, entre os mais altos do mundo.</em></figcaption></figure>



<p>No passeio guiado, é ali no Mirante de Kalawao que almoçamos. Já era bem tarde. A espetacular vista dos penhascos de Molokai tornava este um dos almoços mais especiais do Havaí. </p>



<h2 class="wp-block-heading">A volta a um passado do Havaí</h2>



<p>O caminho de volta é o mesmo da vinda, pela trilha íngreme do penhasco. Na mula, a subida é mais rápida, pois o animal não está o tempo todo tentando se equilibrar como na descida. Praticamente troteia. Mas este é o mesmo trajeto que fizeram tantos desbravadores no século XIX. A sensação que temos, aliás, é exatamente esta, de reviver o passado como ele foi. </p>



<figure class="wp-block-image size-full is-style-default"><img loading="lazy" decoding="async" width="1200" height="800" src="https://luciamalla.com/wp-content/uploads/2020/08/2020-Ago-24-Kalaupapa3.jpg" alt="Igreja de São Francisco - Kalaupapa" class="wp-image-43895" srcset="https://luciamalla.com/wp-content/uploads/2020/08/2020-Ago-24-Kalaupapa3.jpg 1200w, https://luciamalla.com/wp-content/uploads/2020/08/2020-Ago-24-Kalaupapa3-300x200.jpg 300w, https://luciamalla.com/wp-content/uploads/2020/08/2020-Ago-24-Kalaupapa3-600x400.jpg 600w, https://luciamalla.com/wp-content/uploads/2020/08/2020-Ago-24-Kalaupapa3-130x87.jpg 130w, https://luciamalla.com/wp-content/uploads/2020/08/2020-Ago-24-Kalaupapa3-768x512.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 1200px) 100vw, 1200px" /><figcaption><em>Igreja de São Francisco, na vila de Kalaupapa.</em></figcaption></figure>



<p>Kalaupapa inteira é uma volta ao passado. Um recanto remoto do Havaí, onde a dificuldade de acesso gerou um passado atormentado, culturalmente renegado, socialmente isolado, mas tão revelador. Principalmente interessante quando comparado ao isolamento social que vivemos hoje em dia, em tempos de pandemia, mas cheio de conexões virtuais. </p>



<p>Além disso, a beleza natural intacta de Kalaupapa em Molokai é das mais preciosas que você verá no Havaí todo. Um ponto de visitação raro, mas imperdível. </p>



<p>Tudo de bom sempre.</p>



<h2 class="wp-block-heading">P.S.</h2>



<ul class="wp-block-list"><li><em>Caso você não visite Kalaupapa, há entretanto uma conexão que pode ser feita com esta história durante sua visita ao Havaí. No Parque do Kewalo, em Honolulu, há uma estátua da Madre Marianne. Ela que ajudou Padre Damião no leprosário de Kalaupapa.</em></li><li><em>Profissionais médicos, correios e parte do abastecimento aos atuais residentes de Kalaupapa chegam hoje ali de aviãozinho monomotor. Uma pequena pista de pouso existe na ponta da península, operando apenas com vôos fretados.</em></li></ul>



<p> </p>
<p>O post <a href="https://luciamalla.com/kalaupapa-leprosario-isolamento-social-havai.html">Kalaupapa &#8211; Séculos de isolamento social no Havaí</a> apareceu primeiro em <a href="https://luciamalla.com">Uma Malla Pelo Mundo</a>.</p>
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		<title>Resenha &#8211; The Great Indoors</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Lucia Malla]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 17 Aug 2020 11:06:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ecologia & meio ambiente]]></category>
		<category><![CDATA[Livros]]></category>
		<category><![CDATA[design]]></category>
		<category><![CDATA[Emily Anthes]]></category>
		<category><![CDATA[indoors]]></category>
		<category><![CDATA[livro]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Em tempos de pandemia e lockdown, em que de repente nossas casas viraram nosso mundo, fiquei curiosa quando vi a dica deste livro passando no twitter: &#8220;The Great Indoors&#8220;, de Emily Anthes. Um livro que explora o ambiente interior parecia ideal para ser lido neste período em que lockdowns pipocam e estamos impedidos de explorar [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Em tempos de pandemia e lockdown, em que de repente nossas casas viraram nosso mundo, fiquei curiosa quando vi a dica deste livro passando no twitter: &#8220;<em><strong>The Great Indoors</strong></em>&#8220;, de Emily Anthes. Um livro que explora o ambiente interior parecia ideal para ser lido neste período em que lockdowns pipocam e estamos impedidos de explorar de maneira plena o mundo lá fora.</p>



<div class="wp-block-image is-style-default"><figure class="alignleft size-medium"><img loading="lazy" decoding="async" width="300" height="436" src="https://luciamalla.com/wp-content/uploads/2020/08/2020-ago-17-TheGreatIndoors-300x436.jpg" alt="Resneha - The Great Indoors - Emily Anthes" class="wp-image-42767" srcset="https://luciamalla.com/wp-content/uploads/2020/08/2020-ago-17-TheGreatIndoors-300x436.jpg 300w, https://luciamalla.com/wp-content/uploads/2020/08/2020-ago-17-TheGreatIndoors-600x871.jpg 600w, https://luciamalla.com/wp-content/uploads/2020/08/2020-ago-17-TheGreatIndoors-90x130.jpg 90w, https://luciamalla.com/wp-content/uploads/2020/08/2020-ago-17-TheGreatIndoors-768x1115.jpg 768w, https://luciamalla.com/wp-content/uploads/2020/08/2020-ago-17-TheGreatIndoors.jpg 862w" sizes="auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px" /></figure></div>



<p>Encarei a leitura com uma curiosidade básica sobre o quê exatamente seria discutido sobre ambientes internos. Confesso que me surpreendi positivamente. Emily Anthes fez um trabalho hercúleo na busca de trabalhos que trouxessem evidências testadas com metodologia científica para avaliar cada análise de ambiente que ela faz e o impacto no nosso comportamento e saúde. </p>



<p>Arquitetos, psicólogos, médicos e  economistas são apenas alguns dos profissionais envolvidos na resolução dos diferentes desafios do design interior humanizado, que trarão benefícios às pessoas que usam estes ambientes.  </p>



<h2 class="wp-block-heading">Da casa para o cubículo</h2>



<p>O livro segue como num crescendo musical, e gostei bastante desse ritmo. Começa com a análise da nossa casa &#8220;tradicional&#8221; neste mundo urbanizado. Sobre o quanto damos menos &#8220;valor&#8221; ao ambiente interno como parte da nossa saúde mental e física. Emily Anthes mesmo se define como uma &#8220;indoorsy&#8221;, alguém mais caseira &#8211; mas assume que se sente como uma minoria num mundo em que as pessoas adoram estar fora de casa. </p>



<p>No capítulo <em>The indoor jungle</em> comenta, inclusive, sobre a diversidade do microbioma das casas, um tema que já tinha me fascinado <a href="https://luciamalla.com/i-contain-multitudes-ed-yong-microbioma.html">no livro do Ed Yong</a>. Ressalta o quão rapidamente nós colonizamos com nossos micróbios os ambientes que vivemos. Ao ponto de ser possível saber quem mora numa casa apenas analisando as bactérias que lá vivem. Algo como um DNA da casa, único para cada bolha nossa de cada dia.</p>



<p>Logo depois, a autora comenta sobre outro ambiente interior muito comum a nossa vida moderna: o escritório. E praticamente escracha com a cultura do cubículo (ou baia). Pontua com precisão o quanto este design nasceu para trazer mais dinâmica e troca e se revelou o oposto, um local onde as pessoas terminam se fechando mais. Isto ocorre principalmente porque as pessoas percebem a ausência de privacidade como algo incômodo. Pior: ao se incomodarem com este ambiente, não só a produtividade das pessoas cai, como também sua saúde, sua capacidade de interagir com o outro e sua satisfação pessoal. Um paradoxo interessantíssimo, que só mostra o quanto o equilíbrio entre sermos seres sociais e privados é o que nos beneficia mais. Qualquer ambiente planejado que não encare esse paradoxo de frente logo se torna instintivamente &#8220;incômodo&#8221;. </p>



<h2 class="wp-block-heading">Ambientes de encontro e comunidade</h2>



<p>O livro então passa pela análise do ambiente interior de escolas, hospitais, prisões etc&#8230; Questões interessantes sobre o quanto um design e arquitetura interna bem planejados, pensados na vida em comunidade mas com respeito suficiente para a privacidade, podem favorecer o aprendizado das crianças, a recuperação dos doentes, e até mesmo a melhor reabilitação de criminosos. </p>



<p>O exemplo dado da prisão de mulheres de<a href="https://www.sdsheriff.gov/Home/Components/FacilityDirectory/FacilityDirectory/105/109"> Las Colinas</a>, em San Diego, aliás, é sensacional. Depois de uma grande reforma que tornou esta prisão mais aberta e com mais áreas verdes e de encontro, a violência tanto entre as prisioneiras como entre prisioneiras e guardas diminuiu drasticamente. Só que cai num dilema político. Qual político vai querer numa campanha declarar apoio à melhoria das condições das prisões para <em>diminuir</em> o sofrimento de estar numa prisão? A ideia de cadeia como punição total é mais forte ainda. Então financiamento para este modelo de prisão é muito complicado de se conseguir, e há pouquíssimos exemplos de cadeias assim no mundo. Embora os resultados científicos que estas poucas trouxeram na reabilitação dos prisioneiros, principalmente os de baixa periculosidade, serem positivos.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Design climático</h2>



<p>Meu capítulo favorito de &#8220;<em>The Great Indoors</em>&#8221; é o que discute as casas em um mundo em crise climática. Gosto muito de ler sobre soluções criativas a este mega-problema da humanidade, e Emily Anthes não desaponta. Pelo contrário, ela traz exemplos incríveis de construção de casas mais resilientes. Principalmente, frisa que o conceito de resiliência é particular e regional, e que pensar em uma solução única de design interior para problemas diferentes é a receita para o desastre.</p>



<p>Um dos exemplos mais incríveis foi da &#8220;<a href="https://www.anthropocenemagazine.org/2018/09/amphibious-architecture/">arquitetura anfíbia</a>&#8220;. Em geral, as soluções para enchentes são construção de barreiras para conter a água. A autora introduz um movimento arquitetônico que traz uma inversão nesse pensamento. E se ao invés de bloquear a água, deixássemos ela entrar? Afinal, várias populações humanas estão acostumadas a viver em vilarejos flutuantes. </p>



<figure class="wp-block-image size-full is-style-default"><img loading="lazy" decoding="async" width="1000" height="563" src="https://luciamalla.com/wp-content/uploads/2020/08/2020-ago-17-TheGreatIndoors2.jpg" alt="Lago Tonle Sap - Camboja" class="wp-image-42780" srcset="https://luciamalla.com/wp-content/uploads/2020/08/2020-ago-17-TheGreatIndoors2.jpg 1000w, https://luciamalla.com/wp-content/uploads/2020/08/2020-ago-17-TheGreatIndoors2-300x169.jpg 300w, https://luciamalla.com/wp-content/uploads/2020/08/2020-ago-17-TheGreatIndoors2-600x338.jpg 600w, https://luciamalla.com/wp-content/uploads/2020/08/2020-ago-17-TheGreatIndoors2-130x73.jpg 130w, https://luciamalla.com/wp-content/uploads/2020/08/2020-ago-17-TheGreatIndoors2-768x432.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 1000px) 100vw, 1000px" /><figcaption><em>Um dos exemplos do livro de comunidade flutuante é no Lago Tonle Sap no Camboja.</em></figcaption></figure>



<p>Nas palavras de Emily Anthes:</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p><em>&#8220;The water gets to do what the water wants to do. It&#8217;s not a confrontation with Mother Nature, it&#8217;s an acceptance of Mother Nature. If you pick a fight with Mother Nature, eventually you&#8217;re going to lose.&#8221;</em></p><cite><em>&#8220;A água faz o que a água quer fazer. Não é um confronto com a Mãe Natureza, é uma aceitação da Mãe Natureza. Se você brigar com a Mãe Natureza, em dado momento você vai perder.&#8221;</em></cite></blockquote>



<p>Depois do furacão Katrina que devastou Nova Orleans com enchentes assustadoras, a ideia da casa anfíbia foi solidificada. É barata e de fácil montagem. O empoderamento das pessoas de áreas mais humildes em terem uma solução de resiliência a enchentes que elas mesmas pudessem executar é algo sensacional. Mais: para criar as &#8220;bóias&#8221; que seguram a casa, pode-se usar garrafas plásticas &#8211; e reciclar esta poluição. (<a href="http://haznet.ca/float-floods-amphibious-architecture-alternative-flood-risk-reduction-strategy/">Eis algumas fotos de casas anfíbias</a>.)</p>



<h2 class="wp-block-heading">Lockdown na lua?</h2>



<p>Para aqueles que, como eu, também adoram uma viagem na maionese, &#8220;<em>The Great Indoors</em>&#8221; termina em agudas notas. Afinal, a autora discute projetos e possibilidades de como seria uma casa ideal na lua e em Marte. Caso a população humana precisar desocupar o planeta, já teríamos então uma &#8220;colônia&#8221; em um ponto próximo do espaço. </p>



<p>É uma viagem total, mas que me atiçou a curiosidade, principalmente quando Emily analisa alguns aspectos práticos. Por exemplo, a fraca gravidade combinada a temperaturas insanas e a um ritmo circadiano atípico, tornariam praticamente inviável aos humanos curtir as áreas outdoors da lua ou de Marte. Porque até nosso sistema de fluidos &#8211; o sangue &#8211; poderia fluir de maneira anormal. Fora o eterno estado de jet lag&#8230;. Nestas condições, muito provavelmente viveríamos 99% do tempo em <em>lockdown</em>, confinados às casas que conseguiríamos ter lá. A ideia mais avançada é a de criar domos, já que este é um design geral de casa sustentável, resiliente e eficiente, que, além disso, consegue garantir áreas coletivas e espaço privado. Mesmo que estejamos longe de chegar nesse estágio da humanidade, só de elocubrarmos sobre já é instigante.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Por que ler &#8220;<em>The Great Indoors</em>&#8220;?</h2>



<p>Em geral, o livro trouxe diversos conceitos, perspectivas e exemplos para reflexão. O trabalho bibliográfico de Emily Anthes embasando cada modelo arquitetônico e seus impactos é extenso, o que valoriza a experiência de leitura. Apesar de ter apanhado este livro como uma &#8220;curiosidade&#8221;, aprendi bastante. E para os mais céticos de que arquitetura e design possam influenciar nossa vida humana, deixo as palavras do arquiteto Francis Pitts, especialista em design de hospitais psiquiátricos.</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p><em>&#8220;At the heart of the human-centered design movement is a commitment to kindness. Design can definitely be a way to be kinder. Or smarter.&#8221;</em></p><cite><em>&#8220;No coração do movimento do design humanizado está o compromisso com a gentileza. O design pode definitivamente tornar-nos mais gentis. Ou mais inteligentes.&#8221;</em></cite></blockquote>



<p>E um mundo mais gentil é tudo que precisamos no momento. </p>



<p>Tudo de bom sempre.</p>
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		<title>Mergulho com o tubarão-tigre nas Bahamas</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Lucia Malla]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 09 Aug 2020 21:13:03 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[América Latina]]></category>
		<category><![CDATA[Bahamas]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Muito antes do distanciamento físico se tornar um protocolo básico de sobrevivência, a maioria das pessoas já se distanciavam naturalmente dos tubarões. Mas, como meus amigos já sabem, eu hoje pratico fielmente distanciamento físico de outros humanos &#8211; mas não de tubarões. E, em julho de 2019 (pré-pandemia&#8230;), finalmente realizei um dos grandes sonhos da [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Muito antes do distanciamento físico se tornar um protocolo básico de sobrevivência, a maioria das pessoas já se distanciavam naturalmente dos tubarões. Mas, como meus amigos já sabem, eu hoje pratico fielmente distanciamento físico de outros humanos &#8211; mas não de tubarões. E, em julho de 2019 (pré-pandemia&#8230;), finalmente realizei um dos grandes sonhos da minha vida: fiz o <strong>mergulho com o tubarão-tigre</strong> (<em>Galeocerdo cuvier</em>) nas Bahamas. </p>



<figure class="wp-block-image size-full is-style-default"><img loading="lazy" decoding="async" width="1000" height="665" src="https://luciamalla.com/wp-content/uploads/2020/08/2020-ago-9-TubaraoTigreBahamas3.jpg" alt="Mergulho com o tubarão-tigre nas Bahamas" class="wp-image-42605" srcset="https://luciamalla.com/wp-content/uploads/2020/08/2020-ago-9-TubaraoTigreBahamas3.jpg 1000w, https://luciamalla.com/wp-content/uploads/2020/08/2020-ago-9-TubaraoTigreBahamas3-300x200.jpg 300w, https://luciamalla.com/wp-content/uploads/2020/08/2020-ago-9-TubaraoTigreBahamas3-600x399.jpg 600w, https://luciamalla.com/wp-content/uploads/2020/08/2020-ago-9-TubaraoTigreBahamas3-130x86.jpg 130w, https://luciamalla.com/wp-content/uploads/2020/08/2020-ago-9-TubaraoTigreBahamas3-768x511.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 1000px) 100vw, 1000px" /><figcaption><em>Tubarão-tigre, Galeocerdo cuvier.</em></figcaption></figure>



<h2 class="wp-block-heading">O tubarão-tigre</h2>



<p>Esta espécie de tubarão é considerada das mais perigosas aos humanos, responsável por boa parte dos ataques letais que vemos no noticiário. Junto com o tubarão-touro (com o qual <a href="https://luciamalla.com/sexta-sub-o-melhor-mergulho-com-tubaroes-do-mundo.html">já mergulhei</a> em Fiji) e o tubarão-branco (que vi na Cidade do Cabo), estas três espécies são responsáveis por quase <a href="https://www.floridamuseum.ufl.edu/shark-attacks/factors/species-implicated/">70% dos ataques</a> que ocorrem no planeta. É isso: das <a href="https://en.wikipedia.org/wiki/List_of_sharks">mais de 500 espécies de tubarões existentes</a>, apenas três são mais preocupantes para quem nada no mar.</p>



<p>E o tubarão-tigre é uma destas espécies. O perigo dele vem de sua característica generalista, ou seja, sua dieta tem quase nenhuma restrição. Efetivamente, um tubarão bom de boca, que pode se interessar e comer qualquer coisa que se mova e apareça em sua frente. (Já ouvi relatos de acharem vários objetos dentro do estômago deles.) Este generalismo é a causa dele atacar em muitos casos. Afinal, ele faz uma &#8220;provinha&#8221; daquilo que vê se movimentando na água.</p>



<p>O problema é que o tubarão-tigre é enorme, com uma boca avantajada. Portanto, quando ele faz uma provinha, isto costuma significar a perda de um membro ou um pedaço da presa. Por exemplo, se a presa for uma pessoa, pode levar a uma hemorragia que em muitos casos, infelizmente, é a <em>causa mortis</em>.</p>



<p>Sabendo deste perigo, a ideia de fazer um mergulho com o tubarão-tigre acelerava ainda mais meu coração. Adrenalina alta, poucas chances para erros. Portanto, todo cuidado seria pouco. E foi assim que encarei esta aventura nas férias de 2019.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Por que nas Bahamas?</h2>



<p>Para a maioria das pessoas, as Bahamas são sinônimo de férias perfeitas, com suas ilhas paradisíacas, opções convidativas e variadas de praias de areias clarinhas. Descansar à beira-mar, tomando drinks coloridos. Afinal, é um país ilhéu no oceano Atlântico, ainda na zona tropical, pertíssimo da costa da Flórida, nos EUA. Perfeito pra relaxar.</p>



<p>Mas, dentre aqueles que curtem mergulhar, as Bahamas são conhecidas também como a &#8220;capital mundial do mergulho com tubarões&#8221;. Isto porque o país conta com ~40 espécies de tubarões que frequentam suas águas. Incluindo os chamados &#8220;<em>big five</em>&#8220;: tubarão-martelo, tubarão-tigre, tubarão de recife, tubarão galha-branca oceânico e o tubarão sedoso (<em>silky shark</em>). As Bahamas são tão incríveis para ver tubarão que vocês podem reparar: não tem uma Shark Week sequer em que não apareça uma cena no país. </p>



<p>E o &#8220;ameaçador&#8221; tubarão-tigre é uma destas espécies que chama as Bahamas de &#8220;casa&#8221;. </p>



<figure class="wp-block-image size-full is-style-default"><img loading="lazy" decoding="async" width="1000" height="667" src="https://luciamalla.com/wp-content/uploads/2020/08/2020-ago-9-TubaraoTigreBahamas7.jpg" alt="Tubarões nas Bahamas" class="wp-image-42615" srcset="https://luciamalla.com/wp-content/uploads/2020/08/2020-ago-9-TubaraoTigreBahamas7.jpg 1000w, https://luciamalla.com/wp-content/uploads/2020/08/2020-ago-9-TubaraoTigreBahamas7-300x200.jpg 300w, https://luciamalla.com/wp-content/uploads/2020/08/2020-ago-9-TubaraoTigreBahamas7-600x400.jpg 600w, https://luciamalla.com/wp-content/uploads/2020/08/2020-ago-9-TubaraoTigreBahamas7-130x87.jpg 130w, https://luciamalla.com/wp-content/uploads/2020/08/2020-ago-9-TubaraoTigreBahamas7-768x512.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 1000px) 100vw, 1000px" /></figure>



<h2 class="wp-block-heading">Onde está o tubarão-tigre nas Bahamas?</h2>



<p>Para o mergulho com o tubarão-tigre, o ponto chamado Tiger Beach, que fica ao norte do West End da ilha de Grand Bahama, é o local mais conhecido e certeiro. Apesar do nome, Tiger Beach não é uma praia. É um banco de areia a cerca de 10 metros de profundidade, invisível portanto a quem olha da superfície do mar. Só é possível chegar a Tiger Beach de barco, porque o ponto fica relativamente afastado da costa, como você podem ver no mapa.</p>



<figure class="wp-block-image size-full is-style-default"><img loading="lazy" decoding="async" width="1500" height="377" src="https://luciamalla.com/wp-content/uploads/2020/08/2020-ago-9-TubaraoTigreBahamas9.jpg" alt="Mapa de Tiger Beach - Bahamas" class="wp-image-42617" srcset="https://luciamalla.com/wp-content/uploads/2020/08/2020-ago-9-TubaraoTigreBahamas9.jpg 1500w, https://luciamalla.com/wp-content/uploads/2020/08/2020-ago-9-TubaraoTigreBahamas9-300x75.jpg 300w, https://luciamalla.com/wp-content/uploads/2020/08/2020-ago-9-TubaraoTigreBahamas9-600x151.jpg 600w, https://luciamalla.com/wp-content/uploads/2020/08/2020-ago-9-TubaraoTigreBahamas9-130x33.jpg 130w, https://luciamalla.com/wp-content/uploads/2020/08/2020-ago-9-TubaraoTigreBahamas9-768x193.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 1500px) 100vw, 1500px" /><figcaption><em>Mapa da ilha de Grand Bahama, com a bandeira marcando Tiger Beach, onde a gente faz o mergulho com o tubarão-tigre. Repare o quão perto da Flórida (EUA, à esquerda) este ponto está.</em></figcaption></figure>



<h2 class="wp-block-heading">A operação de mergulho</h2>



<p>Para mergulhar com o tubarão-tigre, nós decidimos fazer um liveaboard com a <a href="https://scuba-adventures.com">Scuba Adventures</a>, do Jim Abernethy, conhecido fotógrafo subaquático e ativista da conservação dos tubarões, e com mais de 20 anos de experiência com esta operação no planeta. A operadora fica em West Palm Beach, na Flórida. Antes da pandemia e do distanciamento social, o barco de liveaboard deles, chamado Shear Water, tinha lugar para 8 passageiros e 4 tripulantes. Quando fomos em julho de 2019 para a operação de fim de semana, éramos 7 mergulhadores, um grupo muito bacana que incluía um fotógrafo de moda em Milão, um veterano militar, um professor de escola primária na Califórnia e um casal animado de <em>sweethearts</em> do Texas.  </p>



<figure class="wp-block-image size-full is-style-default"><img loading="lazy" decoding="async" width="1000" height="1000" src="https://luciamalla.com/wp-content/uploads/2020/08/2020-ago-9-TubaraoTigreBahamas8.jpg" alt="Barco Shearwater - Jim Abernethy" class="wp-image-42616" srcset="https://luciamalla.com/wp-content/uploads/2020/08/2020-ago-9-TubaraoTigreBahamas8.jpg 1000w, https://luciamalla.com/wp-content/uploads/2020/08/2020-ago-9-TubaraoTigreBahamas8-300x300.jpg 300w, https://luciamalla.com/wp-content/uploads/2020/08/2020-ago-9-TubaraoTigreBahamas8-600x600.jpg 600w, https://luciamalla.com/wp-content/uploads/2020/08/2020-ago-9-TubaraoTigreBahamas8-130x130.jpg 130w, https://luciamalla.com/wp-content/uploads/2020/08/2020-ago-9-TubaraoTigreBahamas8-768x768.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 1000px) 100vw, 1000px" /><figcaption><em>Barco de liveaboard Shear Water.</em></figcaption></figure>



<p>O barco cruza o Atlântico da Flórida para Grand Bahama durante a noite. De manhã, já nas Bahamas, paramos primeiro na imigração, na marina de West End. Enquanto os trâmites legais são desembaraçados, dá tempo pra gente esticar as pernas na praia abaixo &#8211; que já é clichê de &#8220;Bahamas&#8221;.</p>



<figure class="wp-block-image size-full is-style-default"><img loading="lazy" decoding="async" width="1000" height="667" src="https://luciamalla.com/wp-content/uploads/2020/08/2020-ago-9-TubaraoTigreBahamas.jpg" alt="Praia de West End - Bahamas" class="wp-image-42609" srcset="https://luciamalla.com/wp-content/uploads/2020/08/2020-ago-9-TubaraoTigreBahamas.jpg 1000w, https://luciamalla.com/wp-content/uploads/2020/08/2020-ago-9-TubaraoTigreBahamas-300x200.jpg 300w, https://luciamalla.com/wp-content/uploads/2020/08/2020-ago-9-TubaraoTigreBahamas-600x400.jpg 600w, https://luciamalla.com/wp-content/uploads/2020/08/2020-ago-9-TubaraoTigreBahamas-130x87.jpg 130w, https://luciamalla.com/wp-content/uploads/2020/08/2020-ago-9-TubaraoTigreBahamas-768x512.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 1000px) 100vw, 1000px" /><figcaption><em>Praia em West End, Bahamas.</em></figcaption></figure>



<p>Uma vez que passamos a imigração, o barco segue para Tiger Beach, onde a aventura começa.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Mergulho avançado</h2>



<p>O mergulho com o tubarão-tigre não é para principiantes. </p>



<p>Em primeiro lugar, porque o animal é realmente perigoso. Portanto, é essencial que os mergulhadores sejam mais experientes, que consigam se sentir confortáveis com o equipamento de mergulho e manterem a calma em momentos de perigo real. Só muita experiência embaixo d&#8217;água permite isto.</p>



<p>Em segundo lugar, porque no esquema que o Jim Abernethy aperfeiçoou com precisão, o mergulho é individual. Ou seja, você é responsável por si mesmo, inclusive pelo seu tanque de ar. Os <em>dive masters</em> estão na água, e podem te ajudar em uma situação de emergência. Mas você não pode <em>a priori</em> contar com eles, que estarão ocupados lidando com o tubarão-tigre. Ou tubarõe<strong>s</strong>-tigre<strong>s</strong>, no plural, dependendo da sua sorte. Portanto, só com experiência avançada de mergulho você consegue encarar este mergulho com uma mentalidade mais individual. Quando o ar está terminando, por exemplo, você sobe sozinho de volta ao barco para trocar o tanque. </p>



<h2 class="wp-block-heading">Protocolos de segurança</h2>



<p>Acima de tudo, este é um mergulho com protocolos de segurança muito distintos da maioria dos mergulhos que você fará no planeta. </p>



<p>O primeiro protocolo tem a ver com a roupa que você mergulha. Apesar de estar nas Bahamas das águas quentinhas, não é permitido que apareça nenhuma parte da sua pele. Afinal, qualquer &#8220;branquinho&#8221; de pele o tubarão-tigre pode entender como peixe pequeno e tentar morder. Então, apesar do calor, o traje de neoprene é completo: bota, meia, wet suit de manga longa, touca e luvas. </p>



<p>O segundo protocolo é a cor da roupa: tudo preto. No máximo, azul escuro. Máscara, pé de pato e colete precisam ser escuros. Viramos ninjas para encarar o perigo. Qualquer peça de roupa ou equipamento que seja em outra cor ou que chame a atenção é devidamente proibida, para evitar confundir o tubarão-tigre.</p>



<p>O terceiro protocolo é que, se você não vai fotografar a cena (portanto, tem uma máquina subaquática relativamente grande em mãos), você ganha um bastão de PVC, com o qual pode tentar afastar o tubarão-tigre caso ele comece a te incomodar &#8220;demais&#8221;. (O conceito de incomodar demais é individual, é o quão confortável você se sentirá com ele.) O bastão de PVC tem que estar na sua mão por todo o mergulho.</p>



<figure class="wp-block-image size-full is-style-default"><img loading="lazy" decoding="async" width="1000" height="667" src="https://luciamalla.com/wp-content/uploads/2020/08/2020-ago-9-TubaraoTigreBahamas5.jpg" alt="Tubarão-limão e mergulhadora - Tiger Beach - Bahamas" class="wp-image-42613" srcset="https://luciamalla.com/wp-content/uploads/2020/08/2020-ago-9-TubaraoTigreBahamas5.jpg 1000w, https://luciamalla.com/wp-content/uploads/2020/08/2020-ago-9-TubaraoTigreBahamas5-300x200.jpg 300w, https://luciamalla.com/wp-content/uploads/2020/08/2020-ago-9-TubaraoTigreBahamas5-600x400.jpg 600w, https://luciamalla.com/wp-content/uploads/2020/08/2020-ago-9-TubaraoTigreBahamas5-130x87.jpg 130w, https://luciamalla.com/wp-content/uploads/2020/08/2020-ago-9-TubaraoTigreBahamas5-768x512.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 1000px) 100vw, 1000px" /><figcaption><em>Uma Malla em Tiger Beach. E com meu bastão em mãos, claro.</em> <em>Vendo um tubarão-de-recife (Carcharhinus perezi).</em></figcaption></figure>



<p>O quarto protocolo de segurança, e talvez o mais importante, é que você nunca tira os olhos do tubarão-tigre embaixo d&#8217;água. Assim que ele aparece, os mergulhadores do grupo, incluindo dive masters, que o percebem são obrigados a apontar para a direção do animal, informando portanto ao resto do grupo que o tubarão chegou. Se aparecerem mais de um tubarão, você aponta para o mais próximo de você. Isto para que ninguém seja pego de surpresa, com um tubarão faminto de 5 metros do seu lado. </p>



<figure class="wp-block-image size-full is-style-default"><img loading="lazy" decoding="async" width="1000" height="665" src="https://luciamalla.com/wp-content/uploads/2020/08/2020-ago-9-TubaraoTigreBahamas4.jpg" alt="Mergulho com o tubarão-tigre - Bahamas" class="wp-image-42612" srcset="https://luciamalla.com/wp-content/uploads/2020/08/2020-ago-9-TubaraoTigreBahamas4.jpg 1000w, https://luciamalla.com/wp-content/uploads/2020/08/2020-ago-9-TubaraoTigreBahamas4-300x200.jpg 300w, https://luciamalla.com/wp-content/uploads/2020/08/2020-ago-9-TubaraoTigreBahamas4-600x399.jpg 600w, https://luciamalla.com/wp-content/uploads/2020/08/2020-ago-9-TubaraoTigreBahamas4-130x86.jpg 130w, https://luciamalla.com/wp-content/uploads/2020/08/2020-ago-9-TubaraoTigreBahamas4-768x511.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 1000px) 100vw, 1000px" /><figcaption><em>Tubarão com um pedaço de peixe na boca. </em></figcaption></figure>



<h2 class="wp-block-heading">Como é o mergulho com o tubarão-tigre</h2>



<p>Apesar de todo o protocolo, o mergulho em si é fácil. Afinal, não passa nunca de 11 metros de profundidade máxima em Tiger Beach. A água é morninha, muito confortável. A corrente é praticamente inexistente, muito fraca. E cair na água é facílimo. Afinal, você estará super-pesado, com chumbo suficiente para literalmente te afundar. Por exemplo, eu que uso em geral 4 kg de chumbo para mergulhar em área tropical, fui com 15 kg. Porque o objetivo é que, com tanto chumbo, você se fixe no fundo. Além de fazer você se afundar rápido mesmo.</p>



<p>Depois de afundar na água, você precisa andar pelo banco de areia a 11 m de profundidade até a &#8220;arena&#8221;, onde então você pode ajoelhar-se e esperar o bicho aparecer. Como a água é quentinha e o mergulho é raso (e parado), o consumo de ar é baixo &#8211; mas você está por conta própria, responsável por checar seu ar e subir sozinho caso o ar chegue no limite.</p>



<figure class="wp-block-image size-full is-style-default"><img loading="lazy" decoding="async" width="1029" height="684" src="https://luciamalla.com/wp-content/uploads/2020/08/2020-ago-9-TubaraoTigreBahamas12.jpg" alt="Arena para o mergulho com o tubarão-tigre - Bahamas" class="wp-image-42660" srcset="https://luciamalla.com/wp-content/uploads/2020/08/2020-ago-9-TubaraoTigreBahamas12.jpg 1029w, https://luciamalla.com/wp-content/uploads/2020/08/2020-ago-9-TubaraoTigreBahamas12-300x199.jpg 300w, https://luciamalla.com/wp-content/uploads/2020/08/2020-ago-9-TubaraoTigreBahamas12-600x399.jpg 600w, https://luciamalla.com/wp-content/uploads/2020/08/2020-ago-9-TubaraoTigreBahamas12-130x86.jpg 130w, https://luciamalla.com/wp-content/uploads/2020/08/2020-ago-9-TubaraoTigreBahamas12-768x511.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 1029px) 100vw, 1029px" /><figcaption><em>A formação da &#8220;arena&#8221;, por onde os tubarões passam no fundo arenoso, e o barco logo acima.</em></figcaption></figure>



<p>A &#8220;arena&#8221; é uma formação em &#8220;V&#8221; que os mergulhadores fazem. O dive master gera uma trilha sensorial com sangue de peixe na tentativa de atrair o tubarão-tigre. Mas, claro, esta trilha não é específica para o tubarão-tigre, e outros tubarões costumam vir também. Em certos momentos, a cena é bem caótica, com tubarão vindo de tudo quanto é lado.</p>



<figure class="wp-block-image size-full is-style-default"><img loading="lazy" decoding="async" width="1000" height="666" src="https://luciamalla.com/wp-content/uploads/2020/08/2020-ago-9-TubaraoTigreBahamas6.jpg" alt="Tubarões nas Bahamas - Tiger Beach" class="wp-image-42614" srcset="https://luciamalla.com/wp-content/uploads/2020/08/2020-ago-9-TubaraoTigreBahamas6.jpg 1000w, https://luciamalla.com/wp-content/uploads/2020/08/2020-ago-9-TubaraoTigreBahamas6-300x200.jpg 300w, https://luciamalla.com/wp-content/uploads/2020/08/2020-ago-9-TubaraoTigreBahamas6-600x400.jpg 600w, https://luciamalla.com/wp-content/uploads/2020/08/2020-ago-9-TubaraoTigreBahamas6-130x87.jpg 130w, https://luciamalla.com/wp-content/uploads/2020/08/2020-ago-9-TubaraoTigreBahamas6-768x511.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 1000px) 100vw, 1000px" /></figure>



<p>Quando o tubarão-tigre aparece, todos os olhos humanos se voltam para ele. O que gera uma situação inusitada, em que seu foco está tão afunilado naquele gigante de 5 metros, que você nem percebe os outros tubarões <em>esbarrando</em> em você. Foram incontáveis vezes em que um tubarão-limão ficou do meu ladinho como se estivesse <em>me usando</em> como proteção. Uma festa total. </p>



<h2 class="wp-block-heading">De volta ao barco</h2>



<p>Você fica lá no fundo quanto tempo quiser. Como você é totalmente responsável pelo seu tempo de fundo e pelo seu ar, quanto este estiver acabando, você sobe de volta pro barco, que está ancorado ali. A subida é mais complicada, porque o peso do chumbo dificulta o impulso inicial para pegar a corda que leva ao barco. Mas, uma vez que você se agarra à corda, a subida facilita. E você é unicamente responsável também pela parada de segurança da subida, que é obrigado a fazer como parte do protocolo de segurança da operação.</p>



<p>(Quer dizer, isto se não tem um tubarão-tigre por perto, né&#8230; Em dado momento, por exemplo, eu precisava subir porque meu ar estava acabando, mas o tubarão-tigre não saía de perto. Então tive que me mover de maneira beeeem delicada até a corda de subida, para não levantar nenhuma &#8220;suspeita&#8221; do tubarão-tigre de que eu também poderia ser comida. Adrenalina a mil, mas com calma e um pouquinho de coragem, tudo correu bem.</p>



<figure class="wp-block-image size-full is-style-default"><img loading="lazy" decoding="async" width="1000" height="667" src="https://luciamalla.com/wp-content/uploads/2020/08/2020-ago-9-TubaraoTigreBahamas2.jpg" alt="Barco de operação de mergulho - Tiger Beach - Bahamas" class="wp-image-42610" srcset="https://luciamalla.com/wp-content/uploads/2020/08/2020-ago-9-TubaraoTigreBahamas2.jpg 1000w, https://luciamalla.com/wp-content/uploads/2020/08/2020-ago-9-TubaraoTigreBahamas2-300x200.jpg 300w, https://luciamalla.com/wp-content/uploads/2020/08/2020-ago-9-TubaraoTigreBahamas2-600x400.jpg 600w, https://luciamalla.com/wp-content/uploads/2020/08/2020-ago-9-TubaraoTigreBahamas2-130x87.jpg 130w, https://luciamalla.com/wp-content/uploads/2020/08/2020-ago-9-TubaraoTigreBahamas2-768x512.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 1000px) 100vw, 1000px" /><figcaption><em>Estou na popa do barco. Dá pra ver a plataforma de metal em que a gente precisa &#8220;encalhar&#8221; na volta do mergulho com o tubarão-tigre. E com outros tubarões ao redor, claro.</em></figcaption></figure>



<p>Uma vez na superfície, você precisa esperar uma ondinha passar pra você literalmente &#8220;encalhar&#8221; feito uma baleia pesada na plataforma de metal que fica na parte de trás do barco. De volta ao barco, você pode reencher seu tanque com ar, comer uma fruta, beber uma água e&#8230; Voltar pra água pra ver tubarão. Que é o que todo mundo faz, o dia todo, nesta operação super-focada.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Emma</h2>



<p>No fim de semana em que nos aventuramos em Tiger Beach, apareceram dois tubarões-tigres. Um deles era a Emma, uma fêmea de 5 metros que é &#8220;residente&#8221; da área e comumente aparece durante este mergulho. Ela é tão conhecida desta operação que tem <a href="https://scuba-adventures.com/team-view/emma/">seu lugar cativo no site do Jim</a> como &#8220;membra&#8221; da equipe de mergulho. 😀</p>



<figure class="wp-block-image size-full is-style-default"><img loading="lazy" decoding="async" width="1029" height="684" src="https://luciamalla.com/wp-content/uploads/2020/08/2020-ago-9-TubaraoTigreBahamas11.jpg" alt="Tubarão-tigre Emma - Tiger Beach - Bahamas" class="wp-image-42659" srcset="https://luciamalla.com/wp-content/uploads/2020/08/2020-ago-9-TubaraoTigreBahamas11.jpg 1029w, https://luciamalla.com/wp-content/uploads/2020/08/2020-ago-9-TubaraoTigreBahamas11-300x199.jpg 300w, https://luciamalla.com/wp-content/uploads/2020/08/2020-ago-9-TubaraoTigreBahamas11-600x399.jpg 600w, https://luciamalla.com/wp-content/uploads/2020/08/2020-ago-9-TubaraoTigreBahamas11-130x86.jpg 130w, https://luciamalla.com/wp-content/uploads/2020/08/2020-ago-9-TubaraoTigreBahamas11-768x511.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 1029px) 100vw, 1029px" /><figcaption><em>Emma entre a gente.</em></figcaption></figure>



<h2 class="wp-block-heading">A emoção de ver um gigante</h2>



<p>Esta foi a primeira vez em que estive na água com o tubarão-tigre. Esperava que teria muito mais medo ou muito mais reticência. Mas, além da rigidez dos protocolos de segurança da operação, também percebi que, como qualquer outro animal selvagem, o respeito ao espaço dele é fundamental. Uma vez que este respeito é mantido, a experiência se torna inesquecível. </p>



<p>Foi tudo tão emocionante, tão cheio de adrenalina &#8211; e tão fácil de mergulhar com ele &#8211; que saí das Bahamas empolgada já para voltar um dia e repetir a experiência. Dentre os inúmeros mergulhos com tubarão que fiz na vida, este é sem dúvida um dos mais marcantes. Altamente recomendado.</p>



<p>Um viva às Bahamas, residência oficial de tantos tubarões do mundo.</p>



<p>Tudo de tubarões sempre.</p>



<h2 class="wp-block-heading">P.S.</h2>



<ul class="wp-block-list"><li><em>Se você curte fotos de tubarões, vale a pena seguir os perfis de instagram do André (<a href="https://www.instagram.com/artesub/">@artesub</a>), do Jim Abernethy (<a href="https://www.instagram.com/jim_abernethy/">@jim_abernethy</a>) e do nosso dive master, Colin Crawford (<a href="https://www.instagram.com/colin.crawford.photo/">@colin.crawford.photo</a>).</em></li></ul>



<ul class="wp-block-list"><li><em>Hoje começa a Shark Week 2020. Todo ano, aproveito esta semana comercial para comentar mais sobre tubarões. Este ano, tentarei contar algumas outras aventuras tubaronísticas do ano passado, vividas num mundo pré-pandemia mas já com distanciamento físico &#8211; do tubarão, é claro.</em></li></ul>
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		<title>Mulheres invisíveis</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Lucia Malla]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 01 Aug 2020 20:22:08 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ciência]]></category>
		<category><![CDATA[Comportamento]]></category>
		<category><![CDATA[Livros]]></category>
		<category><![CDATA[feminismo]]></category>
		<category><![CDATA[livros]]></category>
		<category><![CDATA[mulheres]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>50% da população humana está subrepresentada em diversos bancos de dados, análises e tomadas de decisão. São as &#8220;mulheres invisíveis&#8221; e é sobre esta estatística macabra e tenebrosa que se debruça Caroline Criado-Pérez em seu livro &#8220;Invisible Women &#8211; Exposing data bias in a world designed for men&#8220;. O livro ainda não tem tradução em [&#8230;]</p>
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<p>50% da população humana está subrepresentada em diversos bancos de dados, análises e tomadas de decisão. São as &#8220;mulheres invisíveis&#8221; e é sobre esta estatística macabra e tenebrosa que se debruça Caroline Criado-Pérez em seu livro &#8220;<em><strong>Invisible Women &#8211; Exposing data bias in a world designed for men</strong></em>&#8220;. O livro ainda não tem tradução em português, infelizmente. </p>



<div class="wp-block-image is-style-default"><figure class="aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="854" height="1284" src="https://luciamalla.com/wp-content/uploads/2020/08/2020-ago-1-MulheresInvisiveis.jpg" alt="Invisible Women - Caroline Criado-Pérez - Mulheres Invisíveis" class="wp-image-42522" srcset="https://luciamalla.com/wp-content/uploads/2020/08/2020-ago-1-MulheresInvisiveis.jpg 854w, https://luciamalla.com/wp-content/uploads/2020/08/2020-ago-1-MulheresInvisiveis-300x451.jpg 300w, https://luciamalla.com/wp-content/uploads/2020/08/2020-ago-1-MulheresInvisiveis-600x902.jpg 600w, https://luciamalla.com/wp-content/uploads/2020/08/2020-ago-1-MulheresInvisiveis-86x130.jpg 86w, https://luciamalla.com/wp-content/uploads/2020/08/2020-ago-1-MulheresInvisiveis-768x1155.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 854px) 100vw, 854px" /></figure></div>



<h2 class="wp-block-heading">Falta de dados e bias</h2>



<p>É um livro sobre dados, acima de tudo. Ou melhor, sobre a falta deles. O que, por consequência, torna as mulheres invisíveis na sociedade. Mas, mesmo dentro dessa enormidade de não-dados, a autora consegue pinçar os poucos dados que existem para montar um painel geral robusto e assustador do quanto a diminuição da mulher na sociedade é sistêmica, muito mais enraizada e profunda que imagina nossa vã filosofia. </p>



<p>Criado-Pérez desafia a cada página o conceito de &#8220;critérios objetivos&#8221; para qualquer análise de dados. Isto porque a maioria destes &#8220;critérios objetivos&#8221; na realidade foram decididos por homens com o bias inconsciente da vida masculina, sem levar em conta diversas nuances da vida feminina. Este bias só existe porque há pouquíssimos dados que incluam as mulheres. Além disso, quando muitos argumentam que no mundo do &#8220;big data&#8221; este problema acabará &#8211; afinal, os dados de todos sem exceção estarão sendo agregados -, a autora contra-argumenta mostrando que até os critérios &#8220;objetivos&#8221; de algoritmos (criados por cientistas de computação, ou seja, pessoas, lembremos bem), têm um forte bias que termina &#8220;esquecendo&#8221; das mulheres.</p>



<p>Há trechos revoltantes, que te dão um nó no estômago. O pior de todos aparece no capítulo em que ela descreve a falta de banheiros públicos femininos na Índia, e o quanto isso contribui para o aumento da violência sexual feminina nas camadas mais pobres da sociedade. Só lendo para se entender o tamanho do buraco desesperador a que estas mulheres estão submetidas por decisões majoritariamente feitas por homens e para facilitar a vida dos homens, apenas. </p>



<h2 class="wp-block-heading">Mulheres invisíveis na ciência</h2>



<p>O livro discute inúmeros outros exemplos desta sistêmica falta de dados femininos, que prejudica desde aspectos simples, como escolher um caminho para casa, e que gera problemas mais complicados, de saúde e  violência sexual. Mas não apenas discute: traz dados e mais dados para corroborar suas argumentações. O que mais me impressionou neste livro foi o trabalho de levantamento de dados e literatura sobre o sexo feminino, principalmente quando sabemos que esta é precisamente o buraco da maior parte das análises. Pérez-Criado foi a fundo, e mostra de maneira clara todos os buracos de diversas decisões e aspectos de nossa sociedade, exatamente porque as mulheres não estão neles representadas, ouvidas ou analisadas.</p>



<p>Destes exemplos, o que mais me chocou foram os ligados à minha área de trabalho, a ciência. Não só a falta de representatividade da mulher na ciência. Mas também o quanto fomos sistematicamente &#8220;esquecendo&#8221; de analisar o sexo feminino na pesquisa científica por séculos. Ao ponto de ser necessário que as instituições financiadoras idôneas fizessem regulamentações pelas quais o financiamento da pesquisa só é liberado se você usa ambos os sexos nos experimentos. Porque se deixassem sem esse tipo de regulamentação teríamos ainda trabalhos e mais trabalhos publicados apenas analisando o sexo masculino em experimentos. E pior: inferindo que no sexo feminino os mesmos resultados ocorrerão, sem dado algum para suportar esta inferência. Pois inúmeros exemplos de drogas que ou não funcionam ou funcionam demais (e chegam a matar) em mulheres mostram que esta inferência é completamente equivocada.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Soluções</h2>



<p>Pois a autora Caroline Criado-Pérez não apenas aponta os problemas. Ele sugere alguns questionamentos cruciais e simples para que as análises de tudo pelo mundo sejam mais inclusivas. Interessantemente, tudo passa pelo mesmo ponto: representatividade. Nas palavras de Criado-Pérez:</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p><em>&#8220;The solution to the sex and gender data gap is clear: we have to close the female representation gap. When women are involved in decision-making, in research, in knowledge production, women do not get forgotten.&#8221;</em></p><cite><em>&#8220;A solução para a falta de dados de sexo e gênero é clara: nós precisamos acabar com a falta de representatividade feminina. Quando mulheres estão envolvidas no processo de tomada de decisão, em pesquisa, em produção de conhecimento, as mulheres não são esquecidas.&#8221;</em></cite></blockquote>



<p>É só com esta representatividade maior que consideremos começar a resolver o problema da falta de dados femininos. &#8220;<em>Invisible Women</em>&#8221; é sensacional e você termina a leitura com mais questionamentos indeléveis, que te levam a refletir a cada momento da vida. Recomendo muito, para mulheres e homens.</p>



<h2 class="wp-block-heading">P.S.</h2>



<ul class="wp-block-list"><li><em>A Helô Righetto, do canal <a href="https://www.youtube.com/channel/UCSBtD9SS1-518sYMSfViagg">Conexão Feminista</a>, também fez uma resenha de &#8220;Invisible Women&#8221; <a href="https://www.instagram.com/p/B3XkxCkJFhH/?igshid=nb1c73ir3cwq">em seu instagram</a>.</em></li><li><em>A <a href="https://www.theguardian.com/books/2019/mar/11/invisible-women-exposing-data-bias-by-caroline-criado-perez-review">resenha do Guardian</a> sobre este livro também vale a pena ser lida.</em></li><li><em>Um post antigo aqui do blog sobre <a href="https://luciamalla.com/mulheres-na-ciencia.html">mulheres na ciência</a>.</em></li></ul>
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