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	<title>Pragmatismo Político</title>
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	<title>Pragmatismo Político</title>
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		<title>Após queda de premiê de extrema-direita, deputados da Hungria aprovam por unanimidade projeto que reduz os próprios salários</title>
		<link>https://www.pragmatismopolitico.com.br/2026/06/apos-queda-de-premie-de-extrema-direita-deputados-da-hungria-aprovam-por-unanimidade-projeto-que-reduz-os-proprios-salarios.html</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Administrador]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 11 Jun 2026 23:39:50 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Política]]></category>
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		<title>EUA classificam PCC e CV como terroristas, mas medida pode fortalecer facções e tensionar relação com Brasil</title>
		<link>https://www.pragmatismopolitico.com.br/2026/06/eua-classificam-pcc-cv-terroristas-fortalecer-faccoes-tensionar-brasil.html</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Redação]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 06 Jun 2026 20:38:18 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[EUA]]></category>
		<category><![CDATA[Donald Trump]]></category>
		<category><![CDATA[Imperialismo EUA]]></category>
		<category><![CDATA[PCC]]></category>
		<category><![CDATA[Tráfico de Drogas]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Especialistas alertam que decisão de Trump pode elevar custos para empresas, afetar cooperação policial e empurrar facções para estruturas financeiras ainda mais sofisticadas</p>
<p>O post <a rel="nofollow" href="https://www.pragmatismopolitico.com.br/2026/06/eua-classificam-pcc-cv-terroristas-fortalecer-faccoes-tensionar-brasil.html">EUA classificam PCC e CV como terroristas, mas medida pode fortalecer facções e tensionar relação com Brasil</a> apareceu primeiro em <a rel="nofollow" href="https://www.pragmatismopolitico.com.br">Pragmatismo Político</a>.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<div class="foto-conteudo-post nenhuma completa" style="width: 680px;">
<div class="borda-foto"><img src="https://www.pragmatismopolitico.com.br/wp-content/uploads/2026/06/eua-classificam-pcc-cv-terroristas-fortalecer-faccoes-tensionar-brasil.jpg" alt="EUA classificam PCC CV terroristas medida fortalecer facções tensionar Brasil" /></div>
<div class="legenda-foto">Imagem: Andrew Harnik | Getty Images</div>
</div>
<p class="par_texto">A decisão dos <a href="https://www.pragmatismopolitico.com.br/tag/eua" target="_blank" rel="noopener">Estados Unidos</a> de classificar o Primeiro Comando da Capital (<a href="https://www.pragmatismopolitico.com.br/tag/pcc" target="_blank" rel="noopener">PCC</a>) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas estrangeiras entrou em vigor nesta sexta-feira (5) e abriu uma nova fase de tensão diplomática, jurídica e econômica entre Washington e Brasília.</p>
<p class="par_texto">A medida, publicada no Diário Oficial americano e assinada pelo secretário de Estado Marco Rubio, coloca as duas principais facções criminosas brasileiras no mesmo regime aplicado a grupos classificados pelos EUA como organizações terroristas estrangeiras. Na prática, isso permite o congelamento de bens sob jurisdição americana, amplia sanções financeiras e criminaliza qualquer tipo de apoio material, logístico ou econômico aos grupos.</p>
<p class="par_texto">O governo brasileiro se opôs à medida. A principal preocupação é que a classificação misture crime organizado com terrorismo, crie riscos à soberania nacional e prejudique canais de cooperação policial que hoje funcionam entre os dois países.</p>
<h2>Por que a decisão preocupa o Brasil</h2>
<p class="par_texto">O ponto central da divergência é jurídico e político.</p>
<p class="par_texto">Para o Brasil, PCC e CV são organizações criminosas transnacionais, movidas principalmente pelo lucro, pelo controle de mercados ilícitos e pela lavagem de dinheiro. Já organizações terroristas, do ponto de vista técnico, costumam ter motivações ideológicas, políticas ou religiosas.</p>
<p class="par_texto">Especialistas em segurança pública alertam que confundir os dois fenômenos pode levar a estratégias equivocadas.</p>
<p class="par_texto">A diferença não é apenas conceitual. O enquadramento como terrorismo aciona instrumentos de contraterrorismo, inteligência e sanções financeiras que possuem outra lógica de atuação.</p>
<p class="par_texto">Isso pode afetar bancos, empresas, investidores, seguradoras, transportadoras, fintechs, escritórios de advocacia e qualquer setor que tenha relação com cadeias econômicas contaminadas pelo crime organizado.</p>
<h2>Sanções podem atingir empresas sem ligação direta com facções</h2>
<p class="par_texto">A principal consequência imediata da medida é a entrada do PCC e do CV no sistema de sanções do Departamento do Tesouro dos EUA.</p>
<p class="par_texto">Com isso, bens e ativos ligados às facções ou a seus integrantes podem ser congelados em território americano.</p>
<p class="par_texto">Além disso, qualquer pessoa ou empresa que forneça “apoio material” aos grupos pode sofrer sanções. A definição americana de apoio material é ampla e pode incluir:</p>
<p class="par_texto">⭢ envio de dinheiro;<br />
⭢ prestação de serviços;<br />
⭢ consultoria;<br />
⭢ transporte;<br />
⭢ operações financeiras;<br />
⭢ negócios imobiliários;<br />
⭢ fornecimento logístico;<br />
⭢ relação comercial indireta.</p>
<p class="par_texto">O problema é que PCC e CV já se infiltraram em setores da economia formal, usando empresas de fachada, laranjas e estruturas de lavagem de dinheiro.</p>
<p class="par_texto">Isso aumenta o risco de empresas legais serem pressionadas a ampliar gastos com compliance, auditoria, rastreamento de fornecedores e monitoramento de transações.</p>
<h2>Setor financeiro teme aumento de custos</h2>
<p class="par_texto">A <a href="https://portal.febraban.org.br" target="_blank" rel="noopener">Febraban</a> defende diálogo entre Brasil e Estados Unidos para evitar impactos negativos sobre investimentos e operações financeiras.</p>
<p class="par_texto">O presidente da entidade, Isaac Sidney, afirmou que o Brasil possui instituições fortes e um sistema bancário com mecanismos de integridade e compliance.</p>
<p class="par_texto">Ainda assim, especialistas avaliam que a classificação pode tornar bancos mais cautelosos, dificultar abertura de contas, encarecer operações internacionais e aumentar a pressão sobre empresas brasileiras que atuam com parceiros nos EUA.</p>
<p class="par_texto">Experiências recentes no <a href="https://www.pragmatismopolitico.com.br/tag/mexico" target="_blank" rel="noopener">México</a> mostram que medidas semelhantes elevaram custos logísticos, seguros e exigências de conformidade para empresas que atuam em regiões afetadas por cartéis.</p>
<h2>Medida pode ter efeito contrário</h2>
<p class="par_texto">O criminologista Nikos Passas, professor da Universidade Northeastern, nos Estados Unidos, alerta que a pressão extrema sobre organizações criminosas pode produzir efeitos indesejados.</p>
<p class="par_texto">Segundo ele, medidas rígidas, quando não acompanhadas de cooperação internacional bem estruturada, podem incentivar facções a se tornarem mais sofisticadas, fragmentadas e difíceis de rastrear.</p>
<p class="par_texto">No caso brasileiro, PCC e CV já demonstraram grande capacidade de adaptação ao longo das últimas décadas.</p>
<p class="par_texto">A tendência, segundo especialistas, é que as facções tentem se afastar ainda mais do sistema financeiro americano, reduzindo exposição ao dólar e buscando novos mecanismos de lavagem de dinheiro em outros países.</p>
<p class="par_texto">Isso pode empurrar parte das operações para Europa, África e outros mercados onde os grupos já possuem conexões.</p>
<h2>Cooperação policial pode ser afetada</h2>
<p class="par_texto">Outro ponto sensível é a cooperação entre autoridades brasileiras e americanas.</p>
<p class="par_texto">Hoje, Polícia Federal, Ministério Público e agências dos EUA mantêm canais de troca de informações sobre crime organizado, tráfico internacional de drogas, lavagem de dinheiro e movimentações financeiras suspeitas.</p>
<p class="par_texto">Mas especialistas alertam que a mudança de enquadramento pode deslocar parte da atuação americana para estruturas de inteligência e contraterrorismo, menos transparentes e mais autônomas.</p>
<p class="par_texto">Na visão de autoridades brasileiras, isso pode dificultar a cooperação tradicional, criando ruídos entre instituições policiais e serviços de inteligência.</p>
<h2>Risco de interferência e tensão diplomática</h2>
<p class="par_texto">O governo Lula vê a medida com cautela porque teme que a classificação abra margem para ações unilaterais dos Estados Unidos sob o argumento de combate ao terrorismo.</p>
<p class="par_texto">Esse receio ganhou força após operações recentes dos EUA em países latino-americanos, especialmente no México e na Venezuela.</p>
<p class="par_texto">No México, a designação de cartéis como organizações terroristas aumentou a pressão de Washington sobre autoridades locais e elevou tensões diplomáticas.</p>
<p class="par_texto">Na Venezuela, a estratégia americana contra o chamado narcoterrorismo foi usada para justificar ações muito mais agressivas.</p>
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<p class="par_texto">Embora especialistas considerem improvável uma ação militar direta dos EUA no Brasil, a mudança de doutrina preocupa por criar precedentes de intervenção, operações secretas ou pressões unilaterais.</p>
<h2>Crime organizado não é terrorismo</h2>
<p class="par_texto">A crítica mais recorrente entre especialistas é que PCC e CV são facções criminosas violentas, com forte controle territorial e grande capacidade financeira, mas não se enquadram tecnicamente como organizações terroristas.</p>
<p class="par_texto">A diferença importa porque a estratégia de combate deve ser distinta.</p>
<p class="par_texto">O crime organizado se combate com:</p>
<p class="par_texto">⭢ inteligência financeira;<br />
⭢ rastreamento patrimonial;<br />
⭢ combate à lavagem de dinheiro;<br />
⭢ controle de fronteiras;<br />
⭢ investigação de empresas de fachada;<br />
⭢ cooperação policial;<br />
⭢ fortalecimento do COAF;<br />
⭢ atuação integrada da Receita, Polícia Federal, Ministérios Públicos e Judiciário.</p>
<p class="par_texto">Já o terrorismo aciona outra lógica, baseada em contraterrorismo, sanções e doutrina de segurança nacional.</p>
<p class="par_texto">Misturar os dois campos pode gerar respostas espetaculares, mas menos eficazes para atingir o ecossistema econômico que sustenta as facções.</p>
<h2>Oportunidade para fortalecer controles internos</h2>
<p class="par_texto">Apesar dos riscos, parte dos especialistas avalia que a pressão americana também pode ser usada pelo Brasil como oportunidade para reforçar mecanismos próprios de fiscalização.</p>
<p class="par_texto">O avanço do crime organizado sobre setores como combustíveis, transporte, imóveis, apostas ilegais, mineração, fintechs e comércio formal mostra que o problema não está apenas nas ruas ou nas comunidades.</p>
<p class="par_texto">O centro da disputa está cada vez mais no dinheiro.</p>
<p class="par_texto">Nesse sentido, uma resposta brasileira eficaz exigiria fortalecer:</p>
<p class="par_texto">⭢ inteligência financeira;<br />
⭢ rastreamento de beneficiários finais;<br />
⭢ fiscalização de empresas;<br />
⭢ controle de fronteiras;<br />
⭢ combate à corrupção;<br />
⭢ integração entre polícias;<br />
⭢ cooperação internacional sem perda de soberania.</p>
<h2>Medida também tem leitura política</h2>
<p class="par_texto">A decisão americana foi anunciada em meio a um ambiente de forte disputa política no Brasil.</p>
<p class="par_texto">Setores do bolsonarismo vinham defendendo há meses o enquadramento de facções brasileiras como terroristas. A medida também ocorreu após viagem de Flávio Bolsonaro a Washington, onde se reuniu com autoridades do governo Trump.</p>
<p class="par_texto">Para o governo Lula, a decisão tem componente político e pode ser explorada eleitoralmente.</p>
<p class="par_texto">Especialistas também alertam que a classificação pode ser usada pelas próprias facções como discurso de propaganda, apresentando-se como alvo de interferência estrangeira — uma narrativa que poderia reforçar sua influência em determinados territórios.</p>
<h2>O desafio real continua sendo o dinheiro</h2>
<p class="par_texto">A classificação de PCC e CV como terroristas muda o tom da relação dos Estados Unidos com o crime organizado brasileiro.</p>
<p class="par_texto">Mas, sozinha, não resolve o problema.</p>
<p class="par_texto">A experiência de México, Colômbia e Venezuela mostra que sanções podem endurecer penas, bloquear ativos e aumentar pressão financeira. Mas não necessariamente reduzem a violência ou enfraquecem estruturalmente as organizações.</p>
<p class="par_texto">No Brasil, o desafio central segue sendo desmontar a engrenagem econômica que permite às facções lavar dinheiro, corromper agentes públicos, controlar mercados e se infiltrar na economia legal.</p>
<p class="par_texto">Sem cooperação internacional equilibrada, inteligência financeira robusta e fortalecimento das instituições brasileiras, a medida americana pode produzir exatamente o efeito que pretende evitar: facções mais sofisticadas, mais difíceis de rastrear e mais adaptadas ao novo ambiente global do crime.</p>
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		<item>
		<title>União Europeia veta carne brasileira e decisão pode gerar prejuízo de até US$ 2 bilhões por ano ao agronegócio</title>
		<link>https://www.pragmatismopolitico.com.br/2026/06/uniao-europeia-veta-carne-brasileira-decisao-gerar-prejuizo-bilhoes-ano-agronegocio.html</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Redação]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 06 Jun 2026 16:54:45 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Economia]]></category>
		<category><![CDATA[Agronegócio]]></category>
		<category><![CDATA[Economia Brasileira]]></category>
		<category><![CDATA[Europa]]></category>
		<category><![CDATA[Mercado]]></category>
		<category><![CDATA[Mundo]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Bloco europeu retirou o Brasil da lista de países autorizados a exportar diversos produtos de origem animal após concluir que o país não comprovou adequadamente o controle sobre o uso de antimicrobianos na pecuária</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<div class="foto-conteudo-post nenhuma completa" style="width: 680px;">
<div class="borda-foto"><img src="https://www.pragmatismopolitico.com.br/wp-content/uploads/2026/06/uniao-europeia-veta-carne-brasileira-decisao-gerar-prejuizo-bilhoes-ano-agronegocio.jpg" alt="União Europeia veta carne decisão prejuízo bilhões ano agronegócio" /></div>
<div class="legenda-foto">Imagem: Marcello Casal Jr | Agência Brasil</div>
</div>
<p class="par_texto">A <a href="https://www.pragmatismopolitico.com.br/tag/europa" target="_blank" rel="noopener">União Europeia</a> oficializou a retirada do Brasil da lista de países autorizados a exportar diversos produtos de origem animal para o mercado europeu, numa decisão que pode provocar perdas próximas de US$ 2 bilhões por ano ao agronegócio nacional.</p>
<p class="par_texto">A medida foi publicada pela Comissão Europeia e passa a valer em 3 de setembro de 2026. A partir dessa data, o Brasil ficará impedido de exportar para os 27 países do bloco produtos como carne bovina, carne de frango, carne equina, mel, peixes, ovos, produtos aquícolas e tripas.</p>
<p class="par_texto">O anúncio gerou preocupação no setor produtivo brasileiro não apenas pelo impacto financeiro imediato, mas também pelo simbolismo da decisão. A União Europeia é um dos mercados mais exigentes do <a href="https://www.pragmatismopolitico.com.br/tag/mundo" target="_blank" rel="noopener">mundo</a> em termos sanitários e regulatórios e reúne aproximadamente 450 milhões de consumidores.</p>
<h2>Por que a União Europeia decidiu barrar os produtos brasileiros?</h2>
<p class="par_texto">Diferentemente do que algumas interpretações sugeriram nas redes sociais, a decisão não foi motivada pela descoberta de carne contaminada, surtos sanitários ou irregularidades detectadas em produtos brasileiros exportados para a Europa.</p>
<p class="par_texto">Segundo a Comissão Europeia, o problema está relacionado à comprovação dos mecanismos de fiscalização e controle sobre o uso de antimicrobianos na produção animal brasileira.</p>
<p class="par_texto">Os antimicrobianos são substâncias utilizadas para combater bactérias, fungos e outros microrganismos. Em diversos países, algumas dessas substâncias também foram historicamente utilizadas para acelerar o crescimento dos animais e melhorar indicadores produtivos.</p>
<p class="par_texto">Nos últimos anos, a União Europeia passou a restringir fortemente essa prática, especialmente quando os antimicrobianos são empregados para finalidades não terapêuticas.</p>
<p class="par_texto">A legislação europeia exige que países exportadores demonstrem, por meio de sistemas de fiscalização, monitoramento e rastreabilidade, que os animais destinados ao mercado europeu não utilizam substâncias proibidas ou que estão submetidos a controles equivalentes aos adotados dentro do bloco.</p>
<p class="par_texto">Segundo o documento publicado pela Comissão Europeia, o Brasil não apresentou informações consideradas suficientes para comprovar essa conformidade.</p>
<p class="par_texto">Em comunicado ao portal Euractiv, a porta-voz da Comissão Europeia para Saúde, Eva Hrncirova, afirmou que o Brasil não forneceu garantias adequadas de que cumpre integralmente os requisitos exigidos pela legislação europeia.</p>
<p class="par_texto">&#8220;A Comissão Europeia confirma que o Brasil não está incluído na lista, o que significa que não poderá mais exportar para a União Europeia produtos como bovinos, equinos, aves, ovos, produtos da aquicultura, mel e tripas a partir de 3 de setembro de 2026&#8221;, declarou.</p>
<h2>Quais substâncias estão no centro da discussão?</h2>
<p class="par_texto">Entre os antimicrobianos cujo uso é alvo de restrições na União Europeia estão:</p>
<p class="par_texto">⭢ Virginiamicina;<br />
⭢ Avoparcina;<br />
⭢ Bacitracina;<br />
⭢ Tilosina;<br />
⭢ Espiramicina;<br />
⭢ Avilamicina.</p>
<p class="par_texto">A União Europeia considera que essas substâncias não devem ser utilizadas como promotores de crescimento animal devido aos riscos associados à resistência antimicrobiana, um dos maiores desafios globais de saúde pública segundo organismos internacionais.</p>
<p class="par_texto">Em abril deste ano, o Ministério da Agricultura publicou uma portaria proibindo a importação, fabricação, comercialização e uso de parte desses compostos, incluindo a avoparcina e a virginiamicina.</p>
<p class="par_texto">Para as autoridades europeias, contudo, as medidas adotadas até agora não foram suficientes para comprovar que toda a cadeia produtiva brasileira atende aos requisitos exigidos pelo bloco.</p>
<h2>Impacto bilionário nas exportações brasileiras</h2>
<p class="par_texto">A União Europeia representa um mercado importante para as proteínas animais produzidas no Brasil.</p>
<p class="par_texto">Dados do <a href="https://sistemasweb.agricultura.gov.br/pages/AGROSTAT.html" target="_blank" rel="noopener">Agrostat</a>, sistema do Ministério da Agricultura, mostram que os produtos atingidos pela medida movimentaram aproximadamente US$ 1,8 bilhão em exportações para o bloco europeu apenas em 2025.</p>
<p class="par_texto">A carne bovina concentra a maior parte desse valor.</p>
<p class="par_texto">No ano passado, o Brasil exportou para a Europa cerca de 128 mil toneladas de carne bovina, gerando receita superior a US$ 1 bilhão.</p>
<p class="par_texto">O bloco europeu é atualmente o terceiro principal destino da carne bovina brasileira, atrás apenas da China e dos Estados Unidos.</p>
<p class="par_texto">A carne de frango também possui peso relevante. Em 2025, as exportações para os países europeus renderam aproximadamente US$ 762 milhões.</p>
<p class="par_texto">As vendas de mel somaram cerca de US$ 6 milhões, além dos embarques de peixes, produtos aquícolas e outros itens agora afetados pelo veto.</p>
<p class="par_texto">Somando todos os segmentos atingidos, estimativas do setor apontam para perdas anuais próximas de US$ 2 bilhões caso a situação não seja revertida.</p>
<h2>Brasil foi o único país excluído por esse motivo</h2>
<p class="par_texto">Outro aspecto que chamou atenção foi o fato de o Brasil ter sido o único país removido da lista por não apresentar as informações exigidas pela Comissão Europeia.</p>
<p class="par_texto">Países do <a href="https://www.pragmatismopolitico.com.br/tag/mercosul" target="_blank" rel="noopener">Mercosul</a> que competem diretamente com o Brasil, como Argentina, Uruguai e Paraguai, permaneceram autorizados a exportar normalmente para o mercado europeu.</p>
<p class="par_texto">Outros países foram retirados da lista em segmentos específicos, mas por razões administrativas ou pela ausência de interesse comercial em determinados produtos.</p>
<h2>Debate entre exigência sanitária e protecionismo</h2>
<p class="par_texto">A decisão ocorre poucos meses após a entrada em vigor do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia, tratado que enfrenta forte resistência de agricultores europeus, especialmente na <a href="https://www.pragmatismopolitico.com.br/tag/franca" target="_blank" rel="noopener">França</a>.</p>
<p class="par_texto">Produtores rurais franceses vêm pressionando seus governos e as instituições europeias contra a ampliação das importações agropecuárias sul-americanas.</p>
<p class="par_texto">Por isso, entidades brasileiras passaram a questionar se a decisão possui motivação exclusivamente sanitária ou se também reflete pressões econômicas e políticas internas do continente.</p>
<p class="par_texto">O presidente da Associação Brasileira dos Exportadores de Mel (<a href="https://www.brazilletsbee.com.br/" target="_blank" rel="noopener">Abemel</a>), Renato Azevedo, afirmou que há forte mobilização de produtores europeus para limitar a entrada de produtos brasileiros.</p>
<p class="par_texto">&#8220;Para o mel, é totalmente descabido falar em risco de uso excessivo de antibióticos, considerando que o Brasil é o principal produtor de mel orgânico do mundo&#8221;, declarou.</p>
<p class="par_texto">Já a Frente Parlamentar da Agropecuária (<a href="https://fpagropecuaria.org.br/" target="_blank" rel="noopener">FPA</a>) afirmou ver com preocupação qualquer tentativa de transformar exigências regulatórias em barreiras comerciais.</p>
<p class="par_texto">A Comissão Europeia, por sua vez, rejeita essa interpretação.</p>
<p class="par_texto">&#8220;Nossos agricultores seguem alguns dos padrões de saúde e antimicrobianos mais rigorosos do mundo. Portanto, é legítimo que os produtos importados estejam sujeitos aos mesmos requisitos&#8221;, afirmou o comissário europeu para Agricultura, Christophe Hansen.</p>
<h2>O Brasil pode voltar a exportar?</h2>
<p class="par_texto">Sim.</p>
<p class="par_texto">A própria Comissão Europeia informou que a suspensão não é definitiva.</p>
<p class="par_texto">Segundo o bloco, o Brasil poderá retornar à lista de países autorizados assim que comprovar o cumprimento integral das exigências sanitárias relacionadas aos antimicrobianos.</p>
<p class="par_texto">Especialistas apontam dois caminhos principais.</p>
<p class="par_texto">O primeiro seria ampliar as restrições nacionais ao uso das substâncias ainda questionadas pela União Europeia.</p>
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<p class="par_texto">O segundo seria implementar sistemas robustos de rastreabilidade capazes de demonstrar, individualmente, que os animais destinados à exportação não utilizaram os produtos proibidos.</p>
<p class="par_texto">Essa segunda alternativa é considerada mais complexa, demorada e onerosa, pois exige monitoramento detalhado de toda a cadeia produtiva.</p>
<h2>O que diz o setor produtivo brasileiro</h2>
<p class="par_texto">A Associação Brasileira de Proteína Animal (<a href="https://abpa-br.org/" target="_blank" rel="noopener">ABPA</a>) afirmou que a decisão europeia não decorre de qualquer problema sanitário identificado na produção brasileira.</p>
<p class="par_texto">Segundo a entidade:</p>
<p class="par_texto">&#8220;É importante esclarecer que a medida não decorre de qualquer questionamento sanitário, não conformidade ou problema identificado em relação ao uso de antimicrobianos na produção animal brasileira. O tema em discussão refere-se aos procedimentos de comprovação e reconhecimento, pela União Europeia, dos mecanismos oficiais de fiscalização e controle adotados pelo Brasil, conduzidos pelas autoridades competentes.&#8221;</p>
<p class="par_texto">A entidade acrescenta que o Brasil possui um dos sistemas de controle sanitário mais robustos do mundo.</p>
<p class="par_texto">&#8220;O Brasil possui um dos mais robustos sistemas de controle sanitário e de produção animal do mundo, com atuação integrada entre o setor produtivo e o Ministério da Agricultura e Pecuária, garantindo elevados padrões de qualidade, rastreabilidade, biosseguridade e segurança dos alimentos.&#8221;</p>
<p class="par_texto">A associação informou ainda que continuará trabalhando junto ao governo brasileiro para prestar esclarecimentos às autoridades europeias e buscar a reversão da medida.</p>
<p class="par_texto">&#8220;A ABPA seguirá colaborando com as autoridades nacionais e acompanhando as tratativas em curso, confiante de que o diálogo técnico e a apresentação das informações necessárias contribuirão para o adequado reconhecimento dos mecanismos brasileiros de fiscalização.&#8221;</p>
<p class="par_texto">Enquanto isso, governo federal, Ministério da Agricultura e entidades do agronegócio iniciam uma corrida contra o tempo para tentar evitar que um dos principais mercados consumidores do mundo permaneça fechado para produtos brasileiros justamente no momento em que o acordo comercial entre Mercosul e União Europeia começa a ser implementado.</p>
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		<title>Toncoin (TON): o que é, como funciona e como obter</title>
		<link>https://www.pragmatismopolitico.com.br/2026/06/toncoin-ton-o-que-e-como-funciona-e-como-obter.html</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Redação]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 03 Jun 2026 13:51:58 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Internet]]></category>
		<category><![CDATA[Jogos]]></category>
		<category><![CDATA[Tecnologia]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Poucos projetos cripto têm uma história tão peculiar quanto o Toncoin. Nascido dentro do Telegram e depois entregue à comunidade, o TON se reinventou e construiu um dos ecossistemas que mais crescem no setor, impulsionado justamente pela ligação com um dos aplicativos de mensagens mais usados do mundo. Para quem está começando a explorar o [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p class="par_texto"><img loading="lazy" src="https://image.coinpedia.org/wp-content/uploads/2026/05/07163542/Why-is-Toncoin-Price-Surging-Today-1.webp" alt="Why is the Toncoin Price Surging Today?" width="720" height="471" /></p>
<p class="par_texto">Poucos projetos cripto têm uma história tão peculiar quanto o Toncoin. Nascido dentro do Telegram e depois entregue à comunidade, o TON se reinventou e construiu um dos ecossistemas que mais crescem no setor, impulsionado justamente pela ligação com um dos aplicativos de mensagens mais usados do mundo. Para quem está começando a explorar o projeto, vale entender de onde ele veio, o que a rede oferece e quais são as formas práticas de adquirir o token.</p>
<h2 class="text-text-100 mt-3 -mb-1 text-[1.125rem] font-bold">Da origem no Telegram à TON Foundation</h2>
<p class="par_texto">O TON — sigla para The Open Network — começou como um projeto desenvolvido pela equipe do Telegram, que buscava criar uma blockchain rápida o suficiente para servir uma base de usuários gigantesca. Após disputas regulatórias que levaram o Telegram a se afastar do desenvolvimento direto, o projeto passou às mãos de uma comunidade independente, organizada em torno da TON Foundation. Desde então, a rede evoluiu de forma autônoma, mas manteve uma integração estreita com o aplicativo de mensagens, o que se tornou seu maior diferencial competitivo.</p>
<h2 class="text-text-100 mt-3 -mb-1 text-[1.125rem] font-bold">Como funciona a rede</h2>
<p class="par_texto">O TON utiliza um mecanismo de consenso por prova de participação (Proof-of-Stake) e foi projetado com uma arquitetura de fragmentação que busca processar um grande volume de transações com baixas taxas. Na prática, isso significa transferências rápidas e baratas, características fundamentais para um projeto que mira adoção em massa. O Toncoin é o token nativo da rede, usado para pagar taxas de transação, participar do staking e movimentar valor dentro de todo o ecossistema.</p>
<h2 class="text-text-100 mt-3 -mb-1 text-[1.125rem] font-bold">Casos de uso</h2>
<p class="par_texto">O grande trunfo do TON é estar embutido na experiência do Telegram. Entre os usos mais comuns estão:</p>
<p class="par_texto">● <strong>Carteiras integradas ao mensageiro</strong>, que permitem enviar e receber cripto dentro de conversas, de forma parecida com uma mensagem.</p>
<p class="par_texto">● <strong>Mini-aplicativos que rodam dentro do próprio Telegram</strong>, abrindo espaço para jogos, serviços e aplicações descentralizadas com baixo atrito de entrada.</p>
<p class="par_texto">● <strong>Pagamentos e transferências entre usuários</strong>, aproveitando a velocidade e o custo reduzido da rede.</p>
<p class="par_texto">Essa combinação de tecnologia e distribuição faz do TON um caso interessante de blockchain pensada para chegar ao usuário final, e não apenas a quem já está imerso no mundo cripto.</p>
<h2 class="text-text-100 mt-3 -mb-1 text-[1.125rem] font-bold">Como adquirir TON</h2>
<p class="par_texto">Existem diferentes caminhos para conseguir Toncoin, e um dos mais diretos para quem já tem outras criptomoedas é a <a class="underline underline-offset-2 decoration-1 decoration-current/40 hover:decoration-current focus:decoration-current" href="https://swapspace.co/pt/exchange">troca de criptomoedas</a>: em vez de vender um ativo por moeda fiduciária e recomprar, você troca diretamente um token por outro. Se a ideia é justamente sair de uma moeda que você já possui e entrar em TON, dá para <a class="underline underline-offset-2 decoration-1 decoration-current/40 hover:decoration-current focus:decoration-current" href="https://swapspace.co/pt/exchange/ton">trocar Toncoin (TON)</a> de maneira simples, indicando o ativo de origem, a quantia e o endereço da carteira que vai receber.</p>
<p class="par_texto">O fluxo costuma ser parecido em qualquer rota: você escolhe o que envia e o que quer receber, confirma os detalhes e acompanha a transação até a chegada dos fundos. Uma vantagem desse modelo de troca direta é que ele geralmente não exige a criação de conta nem um processo de cadastro para iniciar a operação.</p>
<h2 class="text-text-100 mt-3 -mb-1 text-[1.125rem] font-bold">Comparando opções com um agregador</h2>
<p class="par_texto">Como existem vários serviços que processam esse tipo de troca, as condições — valor estimado, prazo e liquidez — variam de um para outro. Fazer essa comparação manualmente dá trabalho. É para resolver isso que serve um agregador: o SwapSpace reúne as ofertas de mais de 20 parceiros em uma única tela, mostrando lado a lado quanto você receberia em cada rota. Além do valor estimado, ele exibe a probabilidade de KYC de cada oferta, um dado útil para quem valoriza a privacidade e prefere saber dessas condições antes de confirmar qualquer transação.</p>
<p class="par_texto">Em vez de adivinhar onde estão as condições mais adequadas, você visualiza as alternativas de forma transparente e escolhe a que faz mais sentido para o seu objetivo.</p>
<h2 class="text-text-100 mt-3 -mb-1 text-[1.125rem] font-bold">Considerações finais</h2>
<p class="par_texto">O Toncoin é um exemplo de como a adoção pode vir de um caminho diferente do convencional — não pela especulação isolada, mas pela integração com uma plataforma que já faz parte do dia a dia de milhões de pessoas. Para quem quer participar do ecossistema, o primeiro passo costuma ser obter o token, e a troca direta a partir de outra cripto é uma das formas mais práticas de fazer isso. Como sempre, vale conferir os detalhes da operação, começar com calma se a rota for nova e comparar as opções disponíveis antes de mover seus fundos.</p>
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		<title>Quintana e o Ypê</title>
		<link>https://www.pragmatismopolitico.com.br/2026/06/quintana-e-o-ype.html</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Delmar Bertuol]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 03 Jun 2026 11:39:23 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Colunistas]]></category>
		<category><![CDATA[Redes Sociais]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Delmar Bertuol*, Pragmatismo Político “Se tu me amas, ama-me baixinho / Não o grites de cima dos telhados / Deixa em paz os passarinhos / Deixa em paz a mim!&#8230;” Essa é parte do poema Bilhete, do Mario Quintana. Frequentemente eu o evoco como parâmetro. Mas não para concordar e sim (quanta petulância!) discordar do [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p class="par_texto"><span style="color: #808080">Delmar Bertuol*, <a style="color: #808080" href="http://www.pragmatismopolitico.com.br/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Pragmatismo Político</a></span></p>
<p class="par_texto">“Se tu me amas, ama-me baixinho / Não o grites de cima dos telhados / Deixa em paz os passarinhos / Deixa em paz a mim!&#8230;”</p>
<p class="par_texto">Essa é parte do poema Bilhete, do Mario Quintana. Frequentemente eu o evoco como parâmetro. Mas não para concordar e sim (quanta petulância!) discordar do poeta. É que eu não sei amar discretamente. Não só não deixo em paz os passarinhos, como os chamo pra me acompanharem na serenata. E não espero menos de quem me ama. Não aceito nada menor do que um grito em cima do terraço do mais alto prédio da cidade.</p>
<p class="par_texto">Mas não quero agora falar (ou gritar) sobre amor. Meu assunto é o ódio. E daí que parafraseio o escritor do Hotel Majestic de Porto Alegre. Só que eu “apenas” modifico o sentimento. Ao invés do sublime amor, falo do ódio, que outro poeta já nos ensinou não se tratar do oposto do amor, já que o oposto desse é a indiferença. Talvez daí minha preocupação em contrariar o poeta e gritar minha paixão. Não posso ser confundido como indiferente.</p>
<p class="par_texto">Mas devaneio, tão apaixonado sou. Me propus a falar de ódio e vencerei o amor para fazê-lo.</p>
<p class="par_texto">Ocorre que com o maniqueísmo dicotômico que estamos vivendo no que se refere à Política, não basta ser dum lado. Há que se odiar o outro. E é odiar literalmente. Romper relações inclusive familiares, se for o caso.</p>
<p class="par_texto">E a questão nem é somente o ódio e o rompimento do amor. E é aí que entra a releitura do poema. Não se pode odiar baixinho. Não se pode deixar em paz os passarinhos. Literalmente, em muitos casos, pois há os que consideram os ambientalistas uns “ecochatos” e merecem serem odiados com todo barulho que uma poluição sonora pode ocasionar.</p>
<p class="par_texto">Nessa esteira, está em voga o tal do cancelamento. É mais ou menos assim: se não se concorda com o posicionamento político de determinada pessoa ou empresa, não se consome mais os produtos e serviços dessa em questão. E isso vale para quando apenas se acha, não se tem certeza, que determinada pessoa ou empresa tem determinado posicionamento político.</p>
<p class="par_texto">Eu acho o cancelamento genial, ineficiente, paradoxal, ridículo e/ou perigoso. A depender do ponto de vista e de como se faz. Explico.</p>
<p class="par_texto">Vamos ao ridículo e paradoxal. Final do ano passado, as Havainas fizeram peça publicitária sugerindo que não se deveria entrar o ano somente com o pé direito, mas com os dois pés. Percebam, ela não trocou o pé da sorte. Apenas, e sem nem mesmo denominar o outro, sugeriu que os dois pés dariam sorte neste 2026. Pronto. Parte da direita já supôs que a empresa era de esquerda e pregaram o boicote à marca. Nem vou entrar no mérito de que são manifestantes covardes. Teriam o meu respeito não se deixassem de comprar esses chinelos, mas se cortassem fora o pé esquerdo. Trocar Havaianas por Ipanema é fácil. Acho até que essa é mais barata que a outra. Mas, enfim, parte ridícula da direita passou a não só não comprar como a fazer propaganda contra a marca. E aí o paradoxo. Ao que consta, com isso, as vendas aumentaram sem a empresa precisar investir mais milhões em publicidade em horário nobre.</p>
<div class="foto-conteudo-post nenhuma media" style="width: 500px">
<div class="borda-foto">
<div style="width: 510px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" src="https://www.pragmatismopolitico.com.br/wp-content/uploads/2026/06/marioquintana872421894-500x281.jpeg" alt="" width="500" height="281" /><p class="wp-caption-text">Mario Quintana. Reprodução.</p></div>
</div>
</div>
<p class="par_texto">Também tem a parte genial e ineficiente. Até então, eu nunca tinha entrado numa Havan. Orgulhava-me disso. Mas deixava em paz os passarinhos, se é que me entendem. Não ficava em cima do telhado pregando o boicote à loja de quinquilharias. Até porque, certa vez, ouvi numa palestra que não devemos dizer que nunca mais entraremos em um estabelecimento. Pois um dia se pode passar por um aperto e precisar ir justamente nesse estabelecimento. Aí se perde a credibilidade. E foi justamente o que aconteceu. Ou melhor, quase.</p>
<p class="par_texto">Eu tava precisando de uma quinquilharia. Já havia entrado em todos os bazares e nas lojas de 1,99, que hoje são de 199,00. Essas lojas que têm de tudo. Uma vez entrei com a namorada, pois ela queria comprar uma bolsa. No final, eu comprei uns trecos pra mim e já troquei de namorada. É que eles parcelavam sem juros. Como não admirar os chineses. Eles fabricam coisas que a gente não sabia que existia e não sabia sequer de que precisávamos disso. Impossível sair dessas lojas sem uma sacola.</p>
<p class="par_texto">Mas eu dizia. Tinha entrado em várias dessas lojas. Pesquisado na internet. Nada de achar um preço em conta. Aí passei em frente à Havan. Olhei pro lado, olhei pro outro. Nenhum conhecido. Eis que entrei. Tivesse o produto mais barato lá, eu ia comprar e azar. E se o Véio tivesse por acaso presente, ainda ia pedir uma foto. Mas qual nada. (In)Felizmente não estavam baratos os copos específicos de que precisava. E o tal carequinha também não se encontrava, que ele é contra o fim da escala 6X1, mas era domingo. Aposto que ele não trabalha em domingo. Fui no setor de namoradas e também nenhuma promoção. No fundo, vibrei. Pelo menos, não gastei nem um centavo lá. E ainda usei o banheiro.</p>
<p class="par_texto">Nesse ponto, o cancelamento é genial, pois se evita de frequentar/consumir um local sem fazer maiores alardes. Numa decisão pessoal e silenciosa. Um contentamento subjetivo e introspectivo. Mas também é ineficaz, pois na semana seguinte, a Havan inaugurava sua centésima não sei o que loja, com aquela estátua ridícula e subserviente&#8230; ainda bem que não tinham os canecos lá. Não comprem na&#8230; Não, não. Não sou desses.</p>
<p class="par_texto"><strong><a href="//www.pragmatismopolitico.com.br/tag/delmar-bertuol”" target="”_blank”" rel="”noopener” noopener">Leia aqui todos os textos de Delmar Bertuol</a></strong></p>
<p class="par_texto">Por último, e acho até que o mais importante, a questão do perigo. Lembremos que os nazistas segregavam o comércio na Alemanha. Lojas exclusivas para judeus ou outras que eles eram proibidos de entrar. Por aqui e por estes tempos, já houve casos de lojas em que constava explícito aviso de que, ali, naquele estabelecimento, determinadas pessoas (petistas ou bolsonaristas, ou palavras que os valham) não eram bem-vindas.</p>
<p class="par_texto">Isolado, com a filha longe e sem namorada (logo eu, cujo coração parece aquele samba do Paulinho da Viola, tem mania de amor), confesso que na pandemia eu não era muito prudente. Ainda mais que uso óculos. Quem usa esse adereço e usou máscara sabe do que estou falando.</p>
<p class="par_texto">Acabei me encontrando sem máscara com outros imprudentes e, quando o protocolo permitia, tive alguns encontros amorosos, que terminaram no mínimo em beijo na boca. E sem máscara, para piorar. E ainda corri risco à toa, pois nenhuma evoluiu para um amor de incomodar os passarinhos.</p>
<p class="par_texto">Só que eu não ficava nas redes sociais pregando o libera geral ou que a vacina nos faria virar jacaré. Ao contrário, compartilhava hipocritamente que se usasse máscaras e que se tomasse a vacina. Sobre isso, eu me vacinei acho que três vezes. Não tomei a última dose.</p>
<p class="par_texto">Mas não sou negacionista. Confio na ciência e nas instituições. Se a OMS manda ficar em casa, pode ser que não fique, mas tenho consciência de que corro risco. Mesma coisa com as máscaras que embasavam minha visão.</p>
<p class="par_texto">Por último, a Anvisa detectou que uma marca de detergente tem um lote contaminado por uma perigosa bactéria. Confesso que, num primeiro momento, ainda utilizei o produto. E culpei minha esposa. Sempre preferi Limpol. Rende mais. Só que depois de pesquisar melhor, temi e descartei o produto. Ressalte-se que, nesse pouco tempo em que irresponsavelmente lavei uns pratos com o detergente contaminado, não fiz campanha menosprezando a contaminação. Assim como respeitava na pandemia aqueles que lavavam todos os produtos na quiboa. Definitivamente, respeito a prudência alheia.</p>
<p class="par_texto">Só que parte da direita, talvez a mesma que promoveu o boicote às Havaianas, relacionou a suspensão da Anvisa a questões políticas, já que o dono da empresa doou dinheiro pra campanha do Bolsonaro. Agora, a direita fazia um boicote ao contrário. Não só irresponsavelmente pregavam que se continuasse usando o produto, como apareceram pessoas em vídeos passando na pele o detergente neutro (nem pra usar o de limão, mais cheiroso), como limpando um anacrônico bigode ou mesmo tomando.</p>
<p class="par_texto">Vamos por um parágrafo supor que os servidores técnicos de carreira da Anvisa são petistas irresponsáveis e que superdimensionaram o perigo do uso dos produtos Ypê. O que o governo ganharia com isso? Uma grande empresa nacional, que emprega milhares e gera milhares de reais em impostos estar sob grave suspeita. Milhares de pessoas temendo pela sua saúde. E mais ainda, se é verdade que política e fiscalização estão ilegal e promiscuamente ligadas, a Vigilância Sanitária de São Paulo, governado pelo Tarcísio, não poderia ter orientado os consumidores a suspenderem o uso do produto cujo dono ajudou na campanha dum aliado político do governador.</p>
<p class="par_texto">Houve um tempo em que amávamos, odiávamos, éramos imprudentes, tudo baixinho. Agora e com as redes sociais, praticamente tudo tem que ser mostrado e compartilhado. Não basta não ir a uma loja, como aquela que eu não vou citar novamente pra não ter o risco do efeito paradoxo. É preciso fazer campanha de boicote. Não basta simplesmente ignorar as advertências da agência de saúde, é preciso chegar ao patético de tomar o produto infectado. E gravar! O Brasil decidiu que tomar ou não a vacina é decisão pessoal. Mas não basta simplesmente não se imunizar. Há que se compartilhar sobre a possibilidade de os chineses terem colocado um chip rastreador na dose.</p>
<p class="par_texto">Vou lavar a louça que ganho mais.</p>
<p class="par_texto">Pobre passarinhos.</p>
<p class="par_texto"><span style="color: #808080">*Delmar Bertuol é professor de história</span></p>
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		<title>A pedagogia do encolhimento. O treinamento silencioso do consumidor brasileiro</title>
		<link>https://www.pragmatismopolitico.com.br/2026/05/a-pedagogia-do-encolhimento-o-treinamento-silencioso-do-consumidor-brasileiro.html</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Lucio Massafferri Salles]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 29 May 2026 22:10:25 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Colunistas]]></category>
		<category><![CDATA[Mercado]]></category>
		<category><![CDATA[opinião]]></category>
		<category><![CDATA[Consumidor]]></category>
		<category><![CDATA[Direito do Consumidor]]></category>
		<category><![CDATA[Lucio Massafferri Salles]]></category>
		<category><![CDATA[Pedagogia do Encolhimento]]></category>
		<category><![CDATA[Shrinkflation]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A redução silenciosa de produtos e serviços não é só uma estratégia comercial. É um aprendizado coletivo. Consente-se em pagar o mesmo por menos, até que o encolhimento se transforme em normalidade.</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<div class="foto-conteudo-post nenhuma super-larga" style="width: 600px">
<div class="borda-foto"><img src="https://www.pragmatismopolitico.com.br/wp-content/uploads/2026/05/Coisa-600x335.jpg" alt="Imagem: Ilustração conceitual / Portal Fio do Tempo" /></div>
<div class="legenda-foto">Imagem: Ilustração conceitual / Portal Fio do Tempo</div>
</div>
<p class="par_texto"><span style="color: #808080">Lucio Massafferri Salles*, Pragmatismo Político<br />
</span></p>
<p class="par_texto">Pedi um milkshake de chocolate no Bob&#8217;s há alguns anos. Antes mesmo de eu receber qualquer coisa, a atendente, com sorriso treinado, já me oferecia: &#8220;se o senhor pagar um adicional, o milkshake vem com mais chocolate&#8221;. Achei esquisito. Perguntei: mas como assim mais chocolate? Eu já pedi um milkshake de chocolate. Ela explicou com a naturalidade de quem repete aquilo muitas vezes por dia: pagando mais, vinha mais chocolate. Eu não sabia ainda, mas estava diante de um caso clássico de <em>shrinkflation</em>. Na hora ri muito. Disse que tinha fé que o milkshake que eu havia pedido seria mesmo de chocolate, nem mais e nem menos. Não paguei o adicional. Mas saí da fila com a sensação incômoda de quem foi cordialmente convidado a ser passado para trás. E até que eu me saí bem, creio.</p>
<p class="par_texto"><a href="https://www.moneytimes.com.br/a-reducao-pela-inflacao-veja-10-marcas-famosas-encolheram-suas-embalagens/"><strong>10 marcas famosas que encolheram suas embalagens</strong></a></p>
<p class="par_texto">A palavra que me vem à mente é ludibriado. Não roubado, porque ninguém queria meter a mão no meu bolso à força. Ludibriado sim, porque a transação seria consentida, caso eu sorridentemente topasse turbinar o shake. Tendo sido real, a cena estava formalmente correta, mesmo havendo ali um jogo cujo roteiro eu não tinha preparado. A verdade é que esse episódio do milkshake é só uma ponta visível. Esse fenômeno tem nome técnico: <em><em>shrinkflation</em></em>, que significa encolhimento com inflação. O que se passou comigo há anos atrás descreve uma manobra que hoje virou rotina em vários estabelecimentos e nas prateleiras brasileiras: as empresas reduzem o conteúdo e mantêm os preços, ou aumentam o preço enquanto reduzem o tamanho. O antológico biscoito Goiabinha encolheu. O Cream Cracker diminuiu e se esfarinhou. O carismático Sonho de Valsa agora é versão pigmeu. O sabão em pó rende menos lavagens. O papel higiênico tem menos folhas, e as folhas são mais curtas. O leite condensado foi de 395 para 380 gramas, e a indústria avisou isso em letra bem miúda tipo bula de remédio, no cantinho da embalagem. Quando avisou. A velha e guerreira Coca-Cola hoje se retraiu para uma garrafinha de 200 ml; o próximo passo é um dedal. O ritmo desse ilusionismo coletivo arrisca transformar em breve o Bombril em 500 e meia utilidades.</p>
<p class="par_texto"><a href="https://www.gazetadopovo.com.br/economia/nova-economia/o-produto-encolheu-e-o-preco-ficou-o-mesmo-essa-pratica-tem-um-nome-6t5yz99eb29srbosyle3ireh5/"><strong>O produto encolheu e o preço ficou o mesmo</strong></a></p>
<p class="par_texto">Cabe notar uma assimetria que diz muito. Estudos sobre o varejo europeu, conduzidos pelos economistas Janssen e Kasinger, mostram que reduções de tamanho ocorrem mais de cinco vezes que os aumentos. E há um detalhe ainda mais revelador: quando o produto cresce, o preço sobe junto; quando o produto encolhe, o preço fica onde está. A conta nunca volta. O movimento é sempre na mesma direção. Direção contrária ao consumidor, seguramente.</p>
<p class="par_texto"><a href="https://aljoschajanssen.com/wp-content/uploads/2024/04/Shrinkflation_AJ.pdf"><strong>Reduflação e o Comportamento do Consumidor</strong></a></p>
<p class="par_texto">Por que isso funciona? Porque com a confirmação da psicologia do consumo em laboratório a indústria parece ter descoberto que os olhos reagem ao número do preço, e não exatamente ao volume em peso. Aumentar de R$ 8,90 para R$ 10,50 dói à vista. Reduzir de 200 para 170 gramas mantendo os R$ 8,90 passa quase que em silêncio. O mesmo dinheiro saindo do bolso, sem uma clara percepção disso. Pesquisas mostram que, quando as pessoas finalmente se dão conta do truque da redução, consideram-na mais injusta que um aumento equivalente de preço. Isso acontece porque elas enxergam nessa jogada uma enganação deliberada, e tem mesmo razão de enxergar. Curiosamente, a rejeição praticamente desaparece quando a mudança é comunicada com transparência. Logo, podemos pensar, o problema não é reduzir. É esconder. E aqui chegamos ao ponto que me parece mais grave. A <em>shrinkflation </em>não é apenas uma prática comercial discutível. Ela é um treinamento. Um treinamento lento, paciente, distribuído por anos, em que o consumidor brasileiro vai sendo educado a aceitar menos pelo mesmo dinheiro como se isso fosse o curso natural das coisas. A embalagem se redesenha, o produto encolhe, o preço sobe ou fica, e numa próxima visita ao mercado o novo tamanho já é o tamanho mesmo. A memória do volume anterior vai se apagando. O paladar se acostuma com o cacau diluído. A mão se acostuma com a embalagem mais leve, o saco de biscoitos com apenas a metade cheia. Esse tipo de &#8220;empobrecimento&#8221; vira normalidade. E essa normalidade é, ela própria, o produto final de todo o processo. Arrisco propor uma formulação para esse procedimento: encolhimento consentido (que se torna consenso). Consentido não porque o consumidor concordou explicitamente, mas porque foi conduzido, pelo jogo silencioso e perverso do preço e da embalagem, a uma posição em que a recusa se torna invisível para ele mesmo. Não há panfleto, não tem revolta, nem tem boicote. O que existe é apenas a aceitação distraída de um padrão que se rebaixa centímetro a centímetro, grama a grama, ano após ano.</p>
<p class="par_texto"><a href="https://www.pragmatismopolitico.com.br/tag/lucio-massafferri-salles"><strong>Leia aqui todos os artigos de Lucio Massafferri Salles </strong></a></p>
<p class="par_texto">E o que isso provoca, se é que provoca? O Procon registra. O Senacon promete (e só). Em 2023 saiu uma portaria exigindo que, por noventa dias, as embalagens informassem a redução de conteúdo em letra miúda, no rodapé. Depois disso, silêncio total. As multas existem, são aplicadas às vezes, e são calculadas para caber dentro da margem de lucro da operação. O recado ao consumidor acaba sendo eloquente: leiam o rótulo com uma lupa, façam vocês mesmos a conta do preço por quilo, e não reclamem que ninguém os avisou. É o caso estranho em que a vigilância acaba sendo entregue a quem está sendo vigiado</p>
<p class="par_texto">Penso que o caso do milkshake do Bob&#8217;s tem algo de exemplar justamente por sua pequenez. Não se trata de um escândalo e nem de uma fraude que vá virar manchete, ou mesmo de um produto adulterado que cause dano à saúde. Trata-se apenas de um copo plástico com um líquido mais aguado, com &#8220;menos chocolate&#8221;, e do gesto cortês de oferecer, por um adicional, aquilo que antes vinha sem se pedir. É nessa miniatura cotidiana que se aprende a engolir tudo o resto. Quem aceita o milkshake ralo amanhã aceita o salário corroído, o serviço público encolhido, a promessa eleitoral diluída. A <strong>ilusopedagogia </strong>é exatamente a mesma. O mais interessante é a passividade. O quase silêncio, nessa era da comunicação em rede. Por que isso praticamente passa de maneira tão fácil? Será porque estamos conduzidos a acreditar que o “mundo” inevitavelmente entrega menos?<br />
Se for, quem aprende isso para de perguntar o que sumiu, simplesmente porque não notou.</p>
<p class="par_texto"><strong>Leia também:</strong></p>
<p class="par_texto"><a href="https://www.pragmatismopolitico.com.br/2026/04/identidade-sobrescrita-quando-nada-mais-acaba.html">Identidade sobrescrita: quando nada mais acaba</a><br />
<a href="https://www.pragmatismopolitico.com.br/2026/04/inteligencia-artificial-quando-as-maquinas-aprendem-a-querer.html">Emulação do Desejo: quando as máquinas aprendem a querer</a><br />
<a href="https://www.pragmatismopolitico.com.br/2026/04/instantes-antes-da-palavra.html">Instantes antes da palavra</a><br />
<a href="https://www.pragmatismopolitico.com.br/2026/03/polarizacao-afetiva-e-o-fim-da-convivencia.html">Polarização afetiva e o fim da convivência</a><br />
<a href="https://www.pragmatismopolitico.com.br/2026/03/nas-cavernas-algoritmicas-o-novo-teatro-das-sombras.html">Nas cavernas algorítmicas: o novo teatro das sombras</a><br />
<a href="https://www.pragmatismopolitico.com.br/2026/03/a-psicopolitica-vai-a-guerra.html">A psicopolítica vai à guerra</a><br />
<a href="https://www.pragmatismopolitico.com.br/2026/02/privatizacao-inconsciente-ia-desejo-indigacao.html">A privatização do inconsciente: como a IA transformou o desejo em arquitetura da indignação</a><br />
<a href="https://www.pragmatismopolitico.com.br/2026/02/tres-equivocos-sobre-inteligencia-artificial-e-o-debate-que-ainda-nao-fizemos.html">Inteligência Artificial: três equívocos que prejudicam o debate</a><br />
<a href="https://www.pragmatismopolitico.com.br/2020/11/democracia-hackeada-manipulacao-direcionamento-de-alvos-na-grande-rede.html">Democracia hackeada &#8211; a manipulação e o direcionamento de alvos na grande rede</a><br />
<a href="https://www.pragmatismopolitico.com.br/2021/06/comunicacao-e-psicologia-das-massas-na-geopolitica-da-internet.html" target="_blank" rel="noopener">Comunicação e psicologia das massas na geopolítica da internet</a></p>
<p class="par_texto"><span style="color: #808080">*Lucio Massafferri Salles é filósofo, psicólogo e psicanalista, jornalista, professor do Departamento de Psicologia da UCAM e professor de Filosofia, com atuação em Educação Especial, na rede pública de ensino do Estado do Rio de Janeiro. Doutor e mestre em Filosofia pela UFRJ, especialista em Psicanálise pela USU, realizou pós-doutorado em Filosofia Contemporânea na UERJ. Autor de <em>Raízes Sofísticas: a palavra como fármaco</em> e <em>A arquitetura do caos: guerras híbridas, operações psicológicas e manipulação digital</em>. É o criador e responsável pelo canal <a href="http://www.youtube.com/@PortalFiodoTempo"><strong>Portal Fio do Tempo</strong></a>, no YouTube.</span></p>
<p class="par_texto"><strong><span style="color: #ff0000">→ SE VOCÊ CHEGOU ATÉ AQUI&#8230;</span> Saiba que o Pragmatismo não tem investidores e não está entre os veículos que recebem publicidade estatal do governo. Fazer jornalismo custa caro. Com apenas R$ 1 REAL você nos ajuda a pagar nossos profissionais e a estrutura. Seu apoio é muito importante e fortalece a mídia independente. Doe através da chave-pix: <span style="color: #0000ff">pragmatismopolitico@gmail.com</span></strong></p>
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			<enclosure length="10722321" type="application/pdf" url="https://aljoschajanssen.com/wp-content/uploads/2024/04/Shrinkflation_AJ.pdf"/><itunes:explicit>yes</itunes:explicit><itunes:subtitle>A redução silenciosa de produtos e serviços não é só uma estratégia comercial. É um aprendizado coletivo. Consente-se em pagar o mesmo por menos, até que o encolhimento se transforme em normalidade. O post A pedagogia do encolhimento. O treinamento silencioso do consumidor brasileiro apareceu primeiro em Pragmatismo Político.</itunes:subtitle><itunes:summary>A redução silenciosa de produtos e serviços não é só uma estratégia comercial. É um aprendizado coletivo. Consente-se em pagar o mesmo por menos, até que o encolhimento se transforme em normalidade. O post A pedagogia do encolhimento. O treinamento silencioso do consumidor brasileiro apareceu primeiro em Pragmatismo Político.</itunes:summary><itunes:keywords>Colunistas, Mercado, opinião, Consumidor, Direito do Consumidor, Lucio Massafferri Salles, Pedagogia do Encolhimento, Shrinkflation</itunes:keywords></item>
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		<title>Pai de criança autista é espancado por fiéis em Balneário Camboriú após reclamar de som alto em igreja evangélica</title>
		<link>https://www.pragmatismopolitico.com.br/2026/05/pai-de-crianca-autista-e-espancado-por-fieis-em-balneario-camboriu-apos-reclamar-de-som-alto-em-igreja-evangelica.html</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Redação]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 29 May 2026 13:49:07 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[Barbárie]]></category>
		<category><![CDATA[religiosidade]]></category>
		<category><![CDATA[Santa Catarina]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Trabalhador disse conviver há 4 anos com o barulho excessivo vindo da igreja evangélica em Santa Catarina. Ele é pai de uma criança autista de 9 anos e diz que situação afeta bem-estar do filho. "Eu não tive chance de defesa", desabafa Tiago após o espancamento</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<div class="foto-conteudo-post nenhuma completa" style="width: 720px;">
<div class="borda-foto"><img src="https://www.pragmatismopolitico.com.br/wp-content/uploads/2026/05/igreja.jpg" alt="" /></div>
</div>
<p class="par_texto"><span style="color: #808080;">por Felipe Borges</span></p>
<p class="par_texto">O caso do morador agredido por um guarda municipal de folga em frente a uma igreja evangélica de Balneário Camboriú, no litoral de Santa Catarina, ganhou novos contornos após a divulgação de informações sobre o histórico de denúncias relacionadas ao local. Segundo Tiago Alves, vítima das agressões registradas por câmeras de segurança, o conflito envolvendo o volume dos cultos se arrasta há pelo menos quatro anos.</p>
<p class="par_texto">De acordo com o morador, ao menos 17 boletins de ocorrência foram registrados ao longo desse período em razão do som emitido pela igreja. Ele afirma que a situação afeta diretamente a rotina de sua família, especialmente a de seu filho de 9 anos, diagnosticado com transtorno do espectro autista.</p>
<p class="par_texto">A agressão ocorreu no dia 18 de maio, quando Tiago foi até o local para tratar novamente da questão do barulho. Imagens de câmeras de segurança mostram o momento em que ele é atingido por uma sequência de socos desferidos por um guarda municipal que participava do culto e estava fora de serviço.</p>
<h2>Vídeo mostra sequência de agressões</h2>
<p class="par_texto">As imagens registram o morador sendo atingido diversas vezes. Pessoas que estavam na igreja precisaram intervir para conter o agressor, que posteriormente foi levado para o interior do templo.</p>
<p class="par_texto">Tiago relatou que inicialmente acreditava ter recebido apenas um golpe. Ao assistir às gravações, porém, percebeu que as agressões continuaram mesmo depois de ele já estar caído.</p>
<p class="par_texto">Segundo seu relato, ele recebeu quatro socos, incluindo golpes desferidos quando já se encontrava desacordado. O episódio resultou em ferimentos que exigiram atendimento médico e seis pontos na boca.</p>
<p class="par_texto">Após a ocorrência, uma equipe da Guarda Municipal foi acionada e conduziu os envolvidos e testemunhas à delegacia para prestar depoimento.</p>
<h2>Histórico de denúncias levou Ministério Público à Justiça</h2>
<p class="par_texto">O episódio de violência ocorre em meio a uma disputa antiga envolvendo reclamações sobre poluição sonora.</p>
<p class="par_texto">Em 2024, denúncias apresentadas por Tiago deram origem a um processo que tramita na 1ª Vara Criminal da Comarca de Balneário Camboriú. No ano seguinte, o Ministério Público de Santa Catarina apresentou denúncia contra a instituição religiosa.</p>
<p class="par_texto">Na ocasião, o Judiciário reconheceu indícios suficientes para a continuidade da ação e determinou medidas cautelares, incluindo a realização de isolamento acústico no imóvel. A decisão previa multa e até mesmo a suspensão das atividades da igreja em caso de descumprimento.</p>
<p class="par_texto">Posteriormente, segundo o Ministério Público, a instituição promoveu adequações estruturais para reduzir a emissão de ruídos. Uma nova perícia realizada pela Polícia Científica concluiu que os níveis de som passaram a ficar abaixo dos limites estabelecidos pela legislação.</p>
<p class="par_texto">O processo segue em andamento e aguarda a citação formal dos envolvidos.</p>
<h2>Medição da prefeitura apontou ruído elevado na região</h2>
<p class="par_texto">Além da atuação do Ministério Público, as reclamações também motivaram uma vistoria da Secretaria Municipal do Meio Ambiente em abril deste ano.</p>
<p class="par_texto">Segundo a prefeitura, uma medição realizada na rua já identificou níveis de ruído acima do permitido antes mesmo do início do culto religioso. Durante a celebração, os equipamentos registraram média de 60 decibéis.</p>
<p class="par_texto">De acordo com o município, a diferença entre o som ambiente já existente e o ruído gerado pelo culto foi considerada pequena.</p>
<p class="par_texto">O resultado reforça um aspecto recorrente em disputas desse tipo nas grandes cidades brasileiras: a dificuldade de separar a contribuição específica de uma única atividade em áreas urbanas já marcadas por intensa poluição sonora.</p>
<h2>Guarda é afastado das ruas</h2>
<p class="par_texto">A Guarda Municipal informou que instaurou procedimento administrativo para apurar a conduta do servidor envolvido nas agressões.</p>
<p class="par_texto">Enquanto as investigações avançam, o agente foi retirado das atividades de patrulhamento e permanece exercendo funções administrativas.</p>
<p class="par_texto">Já a Polícia Civil informou apenas que o caso foi distribuído para uma delegacia de Balneário Camboriú responsável pela apuração.</p>
<p class="par_texto">Em nota, a igreja repudiou a agressão cometida pelo guarda municipal e afirmou que todas as exigências determinadas pela Justiça em relação ao isolamento acústico foram cumpridas.</p>
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		<title>Vereadora bolsonarista conhecida como “Nikolas Ferreira de saias” denuncia mulher por assédio sexual</title>
		<link>https://www.pragmatismopolitico.com.br/2026/05/vereadora-bolsonarista-conhecida-como-nikolas-ferreira-de-saias-denuncia-mulher-por-assedio-sexual.html</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Redação]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 29 May 2026 02:51:07 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[Direita]]></category>
		<category><![CDATA[Mulher]]></category>
		<category><![CDATA[São Paulo]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Vereadora do PL denunciou ter sido vítima de importunação durante a gravação de um podcast. Nas imagens, é possível ver o momento em que a outra convidada do programa afirma que gostaria de ter relações com a parlamentar</p>
<p>O post <a rel="nofollow" href="https://www.pragmatismopolitico.com.br/2026/05/vereadora-bolsonarista-conhecida-como-nikolas-ferreira-de-saias-denuncia-mulher-por-assedio-sexual.html">Vereadora bolsonarista conhecida como &#8220;Nikolas Ferreira de saias&#8221; denuncia mulher por assédio sexual</a> apareceu primeiro em <a rel="nofollow" href="https://www.pragmatismopolitico.com.br">Pragmatismo Político</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<div style="width: 700px;" class="foto-conteudo-post nenhuma completa">
<div class="borda-foto"><img src="https://www.pragmatismopolitico.com.br/wp-content/uploads/2026/05/verea.jpeg" alt="Eduarda Campopiano (PL)" /></div>
<div class="legenda-foto">Eduarda Campopiano (PL) é também conhecida como a &#8220;Nikolas Ferreira de saias&#8221;</div>
</div>
<p class="par_texto">A vereadora de Praia Grande, no litoral de São Paulo, Eduarda Campopiano (PL), denunciou ter sido vítima de importunação sexual durante a gravação de um podcast. Nas imagens, é possível ver o momento em que a outra convidada do programa, identificada como Savani Shakti, disse à parlamentar: &#8220;Te chuparia toda, garota&#8221;. Conforme divulgado no YouTube, o conteúdo era um debate entre &#8220;duas bruxas feministas&#8221; e &#8220;duas cristãs submissas&#8221;.</p>
<p class="par_texto">As quatro participantes discutiam sobre a religião cristã ter perseguido as mulheres de outras crenças, quando Savani destacou que a vereadora tinha apenas 22 anos e iniciou os comentários de cunho sexual. </p>
<p class="par_texto">&#8220;Te chuparia toda. Tu precisa disso. Por quê? Tu vai me processar por isso? Eu estou falando para você que eu desejaria você. Maravilhosa, gostosa. Linda, gostosa do c******&#8221;, afirmou Savani.</p>
<p class="par_texto">Eduarda levantou da cadeira e disse que não continuaria com a gravação. &#8220;Manda parar essa p****. Na moral, isso está gravado? Amigo, você não vai apagar isso não. Você não vai apagar essa merda não. Eu vou embora. Pega essa p**** aí, eu vou embora. Sua dissimulada, desrespeitosa&#8221;, disse a vereadora.</p>
<p class="par_texto">Em nota, a vereadora afirmou que divergências de ideias são naturais em uma democracia. &#8220;O que aconteceu naquele estúdio, no entanto, não foi um debate [&#8230;] Fui alvo de declarações de cunho explicitamente sexual e invasivo, proferidas com o claro intuito de me desestabilizar&#8221;, ressaltou.</p>
<p class="par_texto">A vereadora destacou que o abalo moral e psicológico fez com que ela abandonasse o estúdio imediatamente. A parlamentar acrescentou que voltou para a gravação por profissionalismo e respeito aos organizadores e outros participantes.</p>
<p class="par_texto">Após a situação, o vídeo foi cortado e as quatro apareceram continuando o debate normalmente. Também por meio de nota, o Podcast RedCast afirmou que o quadro é feito toda semana e os temas não são voltados para a questão sexual, e sim para religião e sociedade.</p>
<p class="par_texto">&#8220;A Eduarda foi perguntada sobre o que gostaria que fosse feito: a expulsão da participante do programa, o encerramento da gravação ou até mesmo o comparecimento da polícia, tudo isso foi colocado e a Eduarda quis continuar a gravação e agir no dia seguinte&#8221;, afirmou o podcast, destacando que o vídeo completo já foi entregue à Polícia Civil e será usado em um futuro processo judicial.</p>
<blockquote class="twitter-tweet" data-media-max-width="560">
<p class="par_texto"><img src="https://s.w.org/images/core/emoji/13.0.1/72x72/27a1.png" alt="➡" class="wp-smiley" style="height: 1em; max-height: 1em;" /> Vereadora acusa de assédio &quot;bruxa&quot; que disse: &quot;Eu te chuparia toda&quot;</p>
<p class="par_texto">A vereadora Eduarda Campopiano afirmou que foi vítima de assédio após uma das participantes alegar que a &quot;chuparia&quot;</p>
<p class="par_texto"><img src="https://s.w.org/images/core/emoji/13.0.1/72x72/1f933.png" alt="🤳" class="wp-smiley" style="height: 1em; max-height: 1em;" /> Podcast RedCast; DudaCampopiano/X <a href="https://t.co/QMsn9NxMiJ">pic.twitter.com/QMsn9NxMiJ</a></p>
<p class="par_texto">&mdash; Metrópoles (@Metropoles) <a href="https://x.com/Metropoles/status/2058956630310396025?ref_src=twsrc%5Etfw">May 25, 2026</a></p></blockquote>
<p class="par_texto"> <script async src="https://platform.x.com/widgets.js" charset="utf-8"></script></p>
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		<title>Economista que acertou campeão das últimas 3 Copas do Mundo faz previsão sobre o mundial de 2026</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Redação]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 28 May 2026 22:36:17 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Esporte]]></category>
		<category><![CDATA[Copa do Mundo]]></category>
		<category><![CDATA[Futebol]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Considerado o "guru das copas", economista utiliza um complexo modelo de previsão que mantém 100% de acerto nas suas previsões do campeão mundial, desde a Copa de 2014 </p>
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<div class="borda-foto"><img src="https://www.pragmatismopolitico.com.br/wp-content/uploads/2026/05/copaudmund.png" alt="vencedor da copa do mundo" /></div>
</div>
<p class="par_texto"><span style="color: #808080;">via BBC</span></p>
<p class="par_texto">Quando o polvo Paul (2008-2010) acertou todos os resultados da seleção alemã na Copa do Mundo Fifa de Futebol Masculino de 2010, na África do Sul, o mundo o saudou como um verdadeiro oráculo.</p>
<p class="par_texto">Mas o economista alemão Joachim Klement superou Paul com um complexo modelo de previsão que mantém 100% de acerto nas suas previsões do campeão mundial, desde a Copa disputada no Brasil, em 2014.</p>
<p class="par_texto">Se a profecia estatística de Klement se confirmar pela quarta vez, a Holanda irá erguer o troféu de campeão no Estádio MetLife em Nova Jersey, nos Estados Unidos, após vencer Portugal na final do torneio, no próximo dia 19 de julho.</p>
<p class="par_texto">Além dos campeões, o modelo do economista alemão mapeia todas as fases do torneio e suas 48 seleções. Para o primeiro mata-mata após a fase de grupos, por exemplo, ele prevê a derrota da Escócia para a seleção da Coreia do Sul.</p>
<p class="par_texto">Na previsão de Klement, o Brasil irá se classificar em primeiro lugar no seu grupo, perdendo surpreendentemente logo na segunda fase, para o Japão. &#8220;Provavelmente, uma das maiores zebras da história da Copa do Mundo&#8221;, prevê Joachim Klement.</p>
<p class="par_texto">Segundo o modelo, a Holanda enfrentará a Espanha nas semifinais. E, na outra semifinal, enfrentam-se Inglaterra e Portugal — que terá eliminado a Argentina nas quartas de final.</p>
<p class="par_texto">O economista prevê que Portugal vencerá mais uma vez os ingleses, como ocorreu nas quartas de final da Copa de 2006, na Alemanha. A previsão só não detalha se a decisão ocorrerá novamente nos pênaltis.</p>
<p class="par_texto">Klement é um &#8220;pessimista&#8221; confesso, que morou por 10 anos no Reino Unido. Para ele, a pesquisa nunca pretendeu evitar a tristeza de ninguém, nem ganhar dinheiro em apostas.</p>
<p class="par_texto">Na verdade, ele esperava revelar o absurdo de tentar prever os resultados.</p>
<p class="par_texto">&#8220;Tudo começou como um exercício para mostrar ao mundo a arrogância dos economistas, que acham que podem prever fatos sobre os quais não têm nenhuma indicação&#8221;, explica Klement.</p>
<p class="par_texto">&#8220;Agora, isso passou a ser uma demonstração de como, se você tiver sorte várias vezes, as pessoas irão achar que você é um guru.&#8221;</p>
<p class="par_texto">Sua primeira previsão se tornou realidade em 2014, quando o seu país, a Alemanha, venceu a Copa do Mundo realizada no Brasil.</p>
<p class="par_texto">Klement imaginou que, refazendo a simulação novamente em 2018, ele poderia demonstrar que aquilo foi uma casualidade. Mas ele acertou novamente sua previsão com a França em 2018 — e, depois, com a Argentina, em 2022.</p>
<p class="par_texto">&#8220;Como eu acertei três vezes seguidas, as pessoas, agora, acham que este modelo é invencível e que, é claro, eu certamente irei acertar mais uma vez&#8221;, ele conta.<br />
É verdade que existem fatores &#8220;sistêmicos&#8221; conhecidos que determinam, em parte, o sucesso de cada país na Copa do Mundo. Eles incluem a população nacional, a riqueza, o clima e o ranking mundial da Fifa.</p>
<p class="par_texto">Mas a popularidade das previsões quadrienais de Klement cresce a cada acerto. E ele alerta seus leitores a considerar seus resultados com cautela, pois estes fatores contam apenas uma parte da história. &#8220;Os outros 50% são de sorte&#8221;, segundo ele.</p>
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		<title>Países mais ricos do mundo já trabalham menos: veja como jornadas menores aumentaram qualidade de vida e produtividade</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Redação]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 28 May 2026 02:58:06 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Desigualdade Social]]></category>
		<category><![CDATA[Alemanha]]></category>
		<category><![CDATA[Desigualdade Gritante]]></category>
		<category><![CDATA[Dinamarca]]></category>
		<category><![CDATA[Holanda]]></category>
		<category><![CDATA[Mundo]]></category>
		<category><![CDATA[Reforma Trabalhista]]></category>
		<category><![CDATA[Saúde]]></category>
		<category><![CDATA[Trabalho Escravo]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Enquanto o Brasil ainda discute o fim da escala 6x1, algumas das economias mais desenvolvidas do planeta já operam com semanas mais curtas, maior produtividade e melhores índices de saúde mental</p>
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<div class="borda-foto"><img src="https://www.pragmatismopolitico.com.br/wp-content/uploads/2026/05/paises-mais-ricos-mundo-trabalham-menos-jornadas-menores-aumentaram-qualidade-de-vida-e-produtividade.jpeg" alt="Países mais ricos mundo já trabalham menos: jornadas menores aumentaram qualidade de vida produtividade" /></div>
<div class="legenda-foto">Imagem: Michael Reichel | reprodução</div>
</div>
<p class="par_texto">O debate sobre a redução da jornada de trabalho voltou ao centro da política brasileira após a <a href="https://www.pragmatismopolitico.com.br/2026/05/vitoria-historica-fim-da-escala-6x1-passa-camara-votos-favoraveis.html" target="_blank" rel="noopener">aprovação, na Câmara dos Deputados</a>, da PEC que reduz a carga horária semanal de 44 para 40 horas e enfraquece a escala 6&#215;1. Mas enquanto o Brasil ainda discute o direito a dois dias de descanso semanal, algumas das economias mais desenvolvidas do mundo já caminham em direção a modelos ainda mais enxutos — e os resultados vêm chamando atenção.</p>
<p class="par_texto">Países como <a href="https://www.pragmatismopolitico.com.br/tag/Alemanha" target="_blank" rel="noopener">Alemanha</a>, Holanda, Dinamarca e Noruega aparecem simultaneamente entre as menores jornadas médias de trabalho do planeta e os maiores índices globais de qualidade de vida, produtividade e desenvolvimento humano.</p>
<p class="par_texto">A discussão deixou de ser apenas ideológica. Cada vez mais, governos, universidades e empresas tratam o tema como uma questão econômica, sanitária e estratégica.</p>
<h2>Alemanha testou semana de 4 dias — e maioria das empresas decidiu manter modelo</h2>
<p class="par_texto">Um dos casos mais emblemáticos aconteceu recentemente na Alemanha.</p>
<p class="par_texto">Ao longo de 2024, empresas alemãs participaram de um teste nacional de semana de quatro dias. O resultado chamou atenção:</p>
<p class="par_texto">⭢ 73% das companhias decidiram manter o novo modelo permanentemente;<br />
⭢ houve melhora nos índices de saúde mental;<br />
⭢ trabalhadores relataram maior equilíbrio entre vida pessoal e profissional;<br />
⭢ empresas registraram manutenção ou aumento de produtividade;<br />
⭢ não houve queda relevante nas receitas.</p>
<p class="par_texto">O experimento reforçou um movimento crescente em países desenvolvidos: trabalhar menos não significa necessariamente produzir menos.</p>
<p class="par_texto">Na prática, a combinação entre tecnologia, automação e reorganização produtiva tem permitido que economias altamente desenvolvidas reduzam jornadas sem perder competitividade internacional.</p>
<h2>Países com menores jornadas lideram rankings de desenvolvimento</h2>
<p class="par_texto">Dados da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico mostram que as menores jornadas médias semanais de trabalho estão justamente em algumas das nações mais desenvolvidas do mundo.</p>
<p class="par_texto">Segundo levantamento da entidade, estas são as menores jornadas médias entre os países da OCDE:</p>
<p class="par_texto">Holanda — 30,3 horas semanais;<br />
Dinamarca — 32,8 horas;<br />
Alemanha — 34,2 horas;<br />
Noruega — 34,4 horas;<br />
Áustria — 34,8 horas;<br />
Bélgica — 34,9 horas;<br />
Irlanda — 35,1 horas;<br />
Finlândia — 35,4 horas;<br />
Austrália — 35,6 horas;<br />
Suíça — 35,8 horas.</p>
<p class="par_texto">Não por acaso, muitos desses países também lideram indicadores globais de:</p>
<p class="par_texto">⭢ renda;<br />
⭢ produtividade;<br />
⭢ educação;<br />
⭢ segurança;<br />
⭢ saúde pública;<br />
⭢ felicidade;<br />
⭢ equilíbrio entre trabalho e vida pessoal.</p>
<h2>Mais tecnologia, menos horas</h2>
<p class="par_texto">Especialistas apontam que os avanços tecnológicos vêm alterando profundamente a lógica do trabalho no século XXI.</p>
<p class="par_texto">Um estudo do <em>McKinsey Global Institute</em> já mostrava, em 2017, que automação, inteligência de dados e digitalização aumentaram significativamente a eficiência operacional das empresas.</p>
<p class="par_texto">Isso permitiu:</p>
<p class="par_texto">⭢ redução de tarefas repetitivas;<br />
⭢ maior produtividade por hora trabalhada;<br />
⭢ otimização de processos;<br />
⭢ menor necessidade de jornadas excessivas.</p>
<p class="par_texto">Na prática, economias mais avançadas passaram a entender que produtividade não depende apenas de quantidade de horas trabalhadas, mas da qualidade, organização e eficiência do trabalho.</p>
<h2>Longas jornadas estão ligadas a adoecimento físico e mental</h2>
<p class="par_texto">Diversos estudos internacionais vêm relacionando jornadas prolongadas ao aumento de:</p>
<p class="par_texto">⭢ ansiedade;<br />
⭢ depressão;<br />
⭢ burnout;<br />
⭢ doenças cardiovasculares;<br />
⭢ queda de produtividade;<br />
⭢ acidentes de trabalho;<br />
⭢ afastamentos médicos.</p>
<p class="par_texto">A própria Organização Mundial da Saúde já alertou que jornadas excessivas elevam significativamente os riscos à saúde.</p>
<p class="par_texto">No Brasil, o debate ganhou força principalmente entre trabalhadores submetidos à escala 6&#215;1 em setores como:</p>
<p class="par_texto">⭢ comércio;<br />
⭢ supermercados;<br />
⭢ logística;<br />
⭢ restaurantes;<br />
⭢ telemarketing;<br />
⭢ serviços gerais.</p>
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<p class="par_texto">A rotina frequentemente envolve:</p>
<p class="par_texto">⭢ longos deslocamentos;<br />
⭢ baixos salários;<br />
⭢ apenas um dia livre;<br />
⭢ pouco tempo para lazer, estudos, família ou descanso.<br />
⭢ Debate econômico mudou nos países desenvolvidos</p>
<p class="par_texto">Durante décadas, parte do empresariado mundial argumentou que reduzir jornadas levaria a:</p>
<p class="par_texto">⭢ queda de produtividade;<br />
⭢ desemprego;<br />
⭢ perda de competitividade;<br />
⭢ aumento de custos.</p>
<p class="par_texto">Mas os testes recentes vêm produzindo resultados mais complexos.</p>
<p class="par_texto">Empresas que aderiram a semanas menores frequentemente relatam:</p>
<p class="par_texto">⭢ redução do absenteísmo;<br />
⭢ melhora no foco;<br />
⭢ maior retenção de funcionários;<br />
⭢ queda na rotatividade;<br />
⭢ melhora do clima organizacional;<br />
⭢ aumento de produtividade por hora trabalhada.</p>
<p class="par_texto">O próprio debate econômico mudou: em vez de medir apenas horas trabalhadas, muitos países passaram a observar qualidade do trabalho, eficiência e bem-estar social.</p>
<h2>Brasil ainda está distante dos países desenvolvidos nesse tema</h2>
<p class="par_texto">Enquanto parte da <a href="https://www.pragmatismopolitico.com.br/tag/europa" target="_blank" rel="noopener">Europa</a> já discute semanas de quatro dias, o Brasil ainda possui uma das jornadas mais pesadas entre grandes economias.</p>
<p class="par_texto">A aprovação da PEC do fim da escala 6&#215;1 na Câmara representou, para muitos especialistas, um primeiro movimento de aproximação com padrões já adotados por países desenvolvidos.</p>
<p class="par_texto">O argumento central é que desenvolvimento econômico não depende apenas de crescimento do PIB, mas também da forma como a riqueza impacta concretamente a vida das pessoas.</p>
<p class="par_texto">A experiência internacional sugere que jornadas menores, quando combinadas com tecnologia, produtividade e planejamento econômico, podem coexistir com economias fortes, alto desenvolvimento humano e maior qualidade de vida.</p>
<p class="par_texto">O debate brasileiro, portanto, deixou de ser apenas trabalhista. Passou a envolver também o tipo de sociedade e modelo de desenvolvimento que o país pretende construir nas próximas décadas.</p>
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